domingo, 17 de maio de 2009

NOSTALGIA - SENSIBILIDADE - AMIZADE

Externato de Santa Maria Maior

12.º CONVIVIO

Antigos Alunos do Externato de Santa Maria Maior de Tábua

Pedra da Sé - Tábua - 16 de Maio de 2009

Enquanto avançava para o local do encontro, sentia que recuava no tempo até à adolescência. Sensação normal para quem não via há muito tempo amigos e colegas, já consciente que alguns, poderia não encontrar. Apesar de preparada instalou-se uma nostalgia inexplicável. Ao chegar deparou-se-me um já bem composto grupo do que estava calculado. Próximo de sessenta pessoas, entre antigos alunos e professores. Na mente estava presente a imagem guardada ao longo dos tempos. Nada mais. Uns reconhecíveis outros já não tanto, mas foi ao primeiro abraço que a sensibilidade falou mais alto. Não aguentei e ao contrário do que podia pensar desatei num choro que já me tinha ameaçado de manhã (enquanto escrevia algo que pretendia ler), mas que ali não consegui conter. E pronto passado o primeiro impacto a dor apaziguou-se, apesar de se manter bem presentes os que já não poderei ver nunca mais nas nossas reuniões, mas que estarão sempre dentro do meu coração.

Após o almoço convívio, veio a caminha tão bem preparada, que deixou que a Natureza equilibrasse a mente, mais para o fim da tarde o lanche e a coragem para ler em voz alta o que tinha escrito de manhã. O sentimento era o mesmo com que tinha sido feito e que não me importava partilhar o receio era o desfecho.

“Encontro de amigos – Externato Santa Maria Maior - 16 de Maio de 2009

Recordações

Sem saber porque acontece ou como acontece

Dou por mim muitas vezes, a ver não com os meus olhos

Mas através de alguém que não sei quem é!

Pergunto se sou eu, que ainda não conheço

Ou alguém, que me quer dizer quem é ou quem sou.

Através do seu olhar vejo um mundo com gente,

Gente apenas. Um conjunto sem significado, sem sentido e um pouco desfocado.

Apenas observo, sem ainda entender nem conseguir descodificar.

Apenas fazem parte.

Parece algo neutro, sem cor, que mexe mas não tem vida, irreal.

Hoje esse alguém não está, ausentou-se.

Deixou-me, entregue a mim mesma, de visão clara

Para poder viver a realidade presente.

E agora neste momento, estou a olhar e a ver através de mim.

De forma clara e nítida.

Gente, mas não uma gente qualquer.

São pessoas que olho e sinto.

Umas mais, outras menos, mas todas me dizem algo.

Puxam-me para algo, que nunca esqueci

Nunca vou esquecer, pois faz parte de mim e ajudou-me a ser quem sou:

Externato Santa Maria Maior de Tábua.

Foram muitas dessas pessoas para quem estou agora a olhar

Que fizeram com que a minha alma nunca deixasse de Ver.

E hoje, essa a razão porque estou aqui.

Durante todos os anos em que não estive presente,

Sempre estiveram comigo, sempre fizeram parte de mim e sempre farão.

Muito grata por me aceitarem, me convidarem, por me chamarem e

Por não se terem esquecido de mim!

Por isso estou aqui. Vim não por obrigação mas porque senti que devia estar presente.

Vim porque a ausência, se tornou amargurada

E as memórias do que me fez ser assim me empurraram para aqui.

Há sempre uma razão de ser.

Não é sempre apenas porque se quer ou quando se quer

E sim porque, era agora e hoje que eu tinha de o dizer!

Mais uma vez grata de coração a todos vós.

Amigos de uma vida que me ajudaram a ser quem sou.

Um abraço especial ao meu director, professores, colegas de turma e amigos

Que se mantiveram ao longo dos anos!

Mesmo aos ausentes, a saudade ficou.

Aos que já não estão entre nós, um abraço e carinho muito especiais

Pois quem sabe não estarão a ouvir, a ver e a sorrir!

Quando é de alma, a alma não tem barreiras, não tem fronteiras

Nem distância, nem obrigações, apenas união de corações.

Bem hajam todos por me aceitarem aqui.

Obrigada Leonor pela tua “sempre presença” e pela tua insistência.

Sempre cito uma frase ‘é mais fácil desistir do que persistir’

Tu és a prova disso!

Tu és uma guerreira de alma que muito admiro!

Obrigada a todos e até para o ano. “

Após a leitura desmanchei-me em lágrimas outra vez e agradeço a todos que comigo se comoveram e me ajudaram a conter as lágrimas. Obrigada a ti mana por me teres acompanhado nesta aventura de sensibilidade e emoções.

Dina Ventura

quinta-feira, 14 de maio de 2009

P O E T A

by dv

Segundo a definição, poeta é aquele que se dedica à poesia

Que tem faculdades poéticas. Poeta é um idealista. Um sonhador.

Será mesmo?

Não sei se gostava de ser poeta. Mas sei que não sou.

Poeta é ser mágico.

É conseguir tirar do nada o que sempre lá existiu.

É tirar o vazio, do vazio que o preenche.

É sentir sem sentimentos, por não conseguir sentir

Naquilo que se transformou.

Por em dúvida se sente mesmo, ou se isso nele se esgotou.

É viver em função de algo que sabe não existir.

É não se entregar à dor por não a sentir.

É sentir nas amarras da vida, a liberdade do Ser.

É conseguir alcançar sem nada pretender.

É embrenhar-se no mundo para conseguir desaparecer.

É abdicar do que é, pelo que sente ser.

Dizem que tem elevação nas ideias, mas é engano.

São as ideias que o levantam e o elevam.

Consegue tirar água da fonte que já secou.

Consegue encontrar sem procurar, o que ninguém tentou.

Consegue sair de onde nunca entrou.

Poeta é apenas um Ser

Que hibernou.

Dina Ventura - Maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

PÁGINA EM BRANCO

by: dv


A página em branco é um desafio.

Olha-a e sinto que me vê de forma profunda.

É ela que arranca de mim tudo o que não sei dizer.

Quando lhe transmito o que vê, acho-me louca.

Ela sorri com ar concordante, mas não dá resposta.

Aguarda, apenas com o aceno da linha em branco,

Para que eu avance. Pergunto para onde e porquê?

Para que serve o que sai? Ninguém lê.

E se lê, fará sentido o que nem sentido tem para mim?

Sinto que amuou, a página em branco.

Talvez receosa por não ser preenchida

Ou talvez por me conhecer como ninguém.

Eu e ela somos uma.

Mas existem os computadores! Ela não quer.

Diz simplesmente…isso é para depois.

Depois faz comigo que quiseres.

Mas agora sou eu e tu, cara a cara, com um elo de ligação;

A caneta. Cordão umbilical entre ti e mim, acresce um dedo.

Mais um…o do sexto sentido, que te permite falar comigo.

Assim, depois de cumprida a tarefa, podes passar-me a limpo.

Amarrotar, rasgar e destruir. Já fiz o meu papel.

Do branco de mim, tirar de ti a cor

Que jamais conseguirias sem mim!

Dina Ventura – Maio 2009




terça-feira, 12 de maio de 2009

PUBLICADO POR TER SIDO ACEITE - GRATA

Acrílico "O CORVO": Dina Ventura

Todo este conjunto "tela-poema" é espiritualmente de Alguém que sabe quem é.
PAZ e LUZ.

Nunca me sinto só mesmo quando estou.

Estou sempre com o pensamento que por vezes não me deixa descansar.

Irrita-me a sua insistência, a sua presença constante de incitamento.

Peço-lhe folga, um instante que seja, para me sentir só e ele reage

Pensando mais ainda.

Reflicto. Só o posso fazer, pois algo quererá.

Acordei já em continuidade de pensamento e ele segredou-me.

Como falas com alguém que não conheces?

Como estabeleces contacto com alguém que não sabes existir?

Não cheguei a conclusão alguma. Pois não existem definições para tais questões.

Embalo então na conversa com o pensamento

E deixo fluir, na loucura do permitir.

Permito que ele seja gente, que não se vê mas existe

Que não tem voz mas nunca está calado

Que não tem forma fixa e que muda a cada instante.

Surge de rompante.

E é na ponta da caneta que se exorciza, que o combato.

É algo mais forte que tudo.

Como se pensará sem pensar?

Onde estará o pensamento quando não se manifesta?

Agora está em diálogo com alguém que não conheço.

Mas reconheço. E fala e diz-me que nos conhecemos, sem conhecer.

Que não nos iremos ver e sim e apenas encontrar.

Há um pensamento comum.

Uma força de mistério que desaproxima quem está próximo

Pela admiração e pela distancia do espírito.

Mas existem são reais, são humanos e parciais.

Nada mais há a acrescentar.

Apenas agradecer a alguém que admiro, a inspiração que me deu

Para concretizar a minha última, melhor penúltima tela.

Que se chama O Corvo!

Dedico-a a si, não pelo que ela representa mas pelo oposto dela mesma.

Dina Ventura Maio/2009



segunda-feira, 11 de maio de 2009

TEXTO DE APRESENTAÇÃO DO CARTAZ

Texto elaborado por César (Mutes pintor) e por Ana Lebreiro.


"Graças às novas tecnologias, foi possível juntar 4 amigos sem nunca se terem cruzado até há um dia atrás...

Não escolhemos o assunto pois o segredo das obras está aí, na concordância do assunto e do temperamento do autor. Na nossa arte, procurar nada significa, o que importa é encontrá-la no seu lugar de liberdade entre o pintor e a tela, sua confidente... A arte não teria lugar na história se os limites do mundo conhecido não tivessem recuado, e os meios de o conhecer alargado à medida das suas transformações e das suas necessidades, numa tentativa de reconciliar a existência do sentimento de cada pintor, com visão dos seus medos, alegrias, tristezas, loucuras e outros estados de espírito. Esta é a arte de Ana Gonçalves, Ana Lebreiro, César Amorim (mutes) e Dina Ventura, numa tentativa de racionalizar um conflito de emoções existente dentro de cada um. Mas… mais importante do que a obra propriamente dita, é o que ela vai gerar na visão do espectador.

As artes não são concebidas como acções historicamente invariáveis do género humano, nem como arsenal de “bens culturais” que vivem uma existência sem tempo, mas como um processo que avança sem cessar, como um (work in progress) do qual toda a obra participa, porque pintar é fácil quando não se sabe… quando souberes deixa de o ser."


A exposição terá lugar no Instituto Politécnico de Viseu, onde também estarei presente sentindo-me uma privilegiada no meio dos "profissionais".


Obrigada a todos eles e ao trabalho activo do César.


EXPOSIÇÃO DE PINTURA EM VISEU DIA 1 DE JUNHO 2009

domingo, 10 de maio de 2009

TRISCAR CONSIGO MESMO

by: dv


I

Pergunto a mim mesma porque se dizem determinadas coisas?

Que necessidade haverá?

Sinceramente. Juro. Prometo. É verdade. Acredita. Sério. Sem dúvida.

Quantas palavras atiradas, lançadas para alguém sem direcção certa.

Desacerto de alvos. Setas atiradas para sítios incertos, por isso ferem.

Dói a dor ou o não fazer sentido?

Que sentido se dá ao que dói? Ao que magoa e rasga a alma?

Acresce…a alma expande-se por se libertar do que a rasgou.

Passa, transparente e sem dificuldade ao que se lhe opôs.

Ninguém consegue apagar a luz de uma alma.

A luz é imensa, intensa, inesgotável e invisível.

É suave e agreste na sua condição humana,

Mas nunca perde o sentido do caminho de volta.

Ela é que tem os significados que as palavras desconhecem.

Ela tem os segredos que por vezes desaparecem.

Ela tem o remédio para todos os males.

Ela tem o que muitas vezes não se sente,

Alma!


II

Para que se corre? Talvez para fugirmos de nós mesmos.

Tenho pressa em aprender, será porque não o quero fazer?

Ou por ter perdido tempo a não entender?

São, a cada momento, questões mentais,

Desacertos com o exterior em serena harmonia,

Mas que vai despoletar a vontade da conversa íntima.

De questionar o porquê de mim e dos outros

E o que os outros pensam e eu não

E se serei capaz para além do que penso.

É a guerra entre o pensamento que não controlo

E a vontade que tenho de o controlar.

Ele escapa-se, não há possibilidade de o acompanhar.

Já escrevi muitas vezes sobre isto.

Da minha incapacidade de acompanhar o meu pensamento.

Sinto-o.

Vejo interiormente o que diz e depois não permite que o exponha.

Diz não existirem palavras no meu dicionário, que eu sou uma aprendiza.

Aceito.

Por isso me esforço por aprender.

Porque não deixa então que eu o faça?

Porque não me ensina quando o diz?

Será para me pôr à prova?

É essa a forma como ensina?

Não me sinto escritora nem poeta, então porque tenho de escrever?

Porquê sem pensar sai a escrita certa que me soa a cântico.

Paro de pensar.

É esquisito como ele desencadeia esta amálgama de palavras

Que sem sentido revelam o verdadeiro sentido do que sinto.

Paro, olho-me e acho-me complicada. Rebuscada.

Mas não é isso que sou, nem o que quero ser. Quero apenas comunicar.

Mas como se comunica com palavras sem sentido?

Sem forma correcta, parece um castigo:

Escrever mil vezes a mesma frase para nunca mais esquecer o erro cometido.

Hoje sinto-me diferente. Sinto-me envolta em tintas e palavras. Nada condiz e tudo acelera nesse sentido. A chuva cai. Talvez lave a tinta!

Dina Ventura – Maio 2009


sexta-feira, 8 de maio de 2009

ERRAR É NÃO ASSUMIR O ERRO

Quieta e silenciosa tento escutar o pensamento mas ele nada me diz. Sinto-o parado, adormecido, Não sei o que pensar. Mau sinal para começo de dia, ou sinal para um dia diferente. Não sei. Agitou-se e apenas me deu um mote: Agostinho da Silva. Tento recordar muitas das suas palavras e elas misturam-se num emaranhado de sensações que me provocam um sentimento de incapacidade, pois só consigo reconstituir, duplicidade. Não suporto não relembrar o que diz. Sem vergonha ou medo recorro a “Vida Conversável”:

“ (…) E isso imediatamente me levou à ideia de que o português é um ser complexo, do qual, para sermos simples, podemos dizer que é pelo menos um ser duplo, aplicando a palavra, que em português tem má nota, duplicidade ao nível de muito bom. Podemos dizer que uma das virtudes do português é a duplicidade, que geralmente é apontada como um defeito em toda a gente, porque se relaciona com a palavra hipócrita. Coisa curiosa também, porque em grego hipócrita quer dizer apenas o actor. O actor que não era sinceramente ele, pois claro, que era um hipócrita. Assim um hipócrita é um actor, que é actor na vida e que tomou um sentido completamente diferente depois, quando a vida começou a ser alguma coisa, muito mais atenta ao ganho, muito mais atenta à conquista de um objectivo do que ao desenvolvimento da personalidade. Se esta se pudesse desenvolver livremente, nós teríamos o actor na sua plenitude como o foi, por exemplo, Fernando Pessoa. Podíamos dizer que Fernando Pessoa é o hipócrita por excelência. Não sendo ele na sua vida actor, porque se o fosse, teria tido bons empregos, teria talvez entrado na política, teria talvez sido ministro e não foi nada disso, porque não era hipócrita, ele era apenas actor para fora, para dentro nunca o foi, isto é, (…), ele nunca cometeu o pecado contra o Espírito Santo, nunca foi ele próprio actor, ele era as personagens, mas não o actor em si mesmo” Agostinho da Silva


Pois é e só recorrendo a um filósofo que muito admiro, consegui dizer o que me vai na alma. Abriu um pouco de mim e agora duma forma muito primária, recupero as forças com algo de meu, mas reduzindo-me à minha insignificância perante tanta sabedoria.

“…nunca pensei que as coisas fossem assim...”

Frase que bem olhada mais me faz pensar. Quando se parte para algo tem de se ter em consideração as várias hipóteses não descorando, bem pelo contrário, as que se nos apresentam como descabidas.

Quando tal acontece, há que repensar e tentar reparar até com o mesmo método, mas já adequado à situação.

Todos temos um pouco de derrotistas. Mas admiro muito, aqueles que conseguem provar, demonstrar uma maior força vencendo. É assim que vejo. Imaginemos. A praia.

Um pouco à frente está uma criança perfeitamente convencida ter escolhido o local ideal para a sua construção. Trabalha com desenvoltura na edificação do seu lindo e tão idealizado castelo, mas esqueceu um pormenor tão importante: a maré vai subir e de certeza a água vai lá chegar. Que pena. Decidi então, de mansinho e um pouco a medo, quebrar o encantamento e dizer-lhe o que pensava. Que das minhas passagens por aquela praia tinha notado que a água chegava ali e ao passar levava consigo tudo ou quase tudo...

Olhando-me com um misto de surpresa e compreensão, não me deixou terminar e disse apenas:

- Mas agora não está aqui!

Continuou no seu trabalho, mandando-me de vez em quando um olhar como que para dizer que apesar de tudo sabia que eu estava ali, mas não “sabia” sobre o seu campo.

Fiquei apenas a olhá-lo, afastando-me um pouco para não perturbar a concentração do menino e decidi não falar mais, continuando a pensar o que iria naquela cabeça.

Permaneci ali bem quieta. Sentei-me e apoiando o queixo nos joelhos, fiquei a olhar, tentando imaginar o aspecto arquitectónico daquele castelo. Era realmente enorme tendo em consideração toda a área demarcada para a sua construção. Como iria conseguir? Sozinho?

Não me restava senão aguardar, continuando com os meus pensamentos. Havia várias hipóteses:

1- Que por milagre a maré não subisse, o que iria contra tudo o que era hábito. Mas nunca se sabe e assim o menino teria todo o tempo para acabar;

2- Que chamasse outros meninos para o ajudarem a acabar antes da maré subir. Mas aí tínhamos vários problemas: será que os outros tinham a mesma visão? Será que corresponderiam ao que o menino desejava? Ou será que o achariam pretensioso na sua ambição talvez por não pensarem como ele?

3- Que não se importava que a maré subisse, mesmo derrubando o que já tinha feito. Faria apenas até dar e depois iria embora e não ligava mais àquele castelo, pensando construir outro, noutro dia, noutro local qualquer.

4- Que o menino choraria porque a água era má, tinha realmente destruído o seu castelo e que a culpa era minha porque tinha sido eu, a adulta, a lembrar à água que o fosse destruir.

5- Que perante a destruição do seu sonho, os seus sonhos vingariam porque apesar da água lhe ter destruído aquele castelo que se via, não conseguiria destruir a imagem desse mesmo castelo dentro da sua cabeça. Tinha pena que os outros meninos não o vissem mas, talvez o conseguisse reconstruir noutro sítio ou naquele mesmo, mas noutra altura.

Despertei das minhas conjecturas, faltando-me a quinta, com a água molhando-me os pés. Lá se foi o castelo. Olhei o menino e constatei que o estado em que estava não fazia parte das hipóteses que eu havia formulado. O menino estava triste, estava meio perdido, de braços caídos, olhando apenas para a água e para os restos do castelo.

Aproximei-me mas nem deu pela minha presença. Recuei. Não quis contrariar mais o menino. Fiquei preocupada com ele. Olhei-o e vi que me lançou um leve sorriso como que para me descansar. Entendi, talvez aquela revolta e desanimo se devessem ao facto de, apesar de saber o que se iria passar, o menino querer acreditar que daquela vez iria ser diferente.

À medida que me afastava martelava-me na cabeça a hipótese que mais se adaptaria à da reacção do menino.

5- Que perante a destruição do seu sonho, os seus sonhos vingariam porque apesar da água lhe ter destruído aquele castelo que se via, não conseguiria destruir a imagem desse mesmo castelo dentro da sua cabeça. Tinha pena que os outros meninos não o vissem mas, talvez o conseguisse reconstruir noutro sítio ou naquele mesmo, mas noutra altura.

Não resisti à tentação de ver o que iria fazer e voltei àquela praia no dia seguinte. Fiquei contente, porque nas minhas hipóteses nem tudo tinha falhado, lá estava o menino novamente. Desta vez pareceu-me, apesar de o ver na mesma direcção, que estava um pouco mais afastado da água.

A areia era um pouco mais seca dificultando a tarefa ao menino que a ultrapassava molhando a areia com a água, que ia buscar num vaivém constante. Aproximei-me. Olhou-me e vi aquela tristeza lá no fundo, mas já ultrapassada por um certo brilho no olhar e com ar sério e sábio disse-me:

- Sabes...não faz mal, vou voltar a fazer de novo e desta vez ainda é mais bonito, pensei que foi melhor assim - e continuou sempre a falar exemplificando-me o que estava a dizer.

Reflecti. Tinha sido válida a invasão da água. O menino recomeçou, ponderando, ainda com mais coragem, ideias renovadas e um pouco mais cuidadoso. Voltei sempre, tentando ganhar aos poucos a confiança do menino, esforçando-me para que me deixasse ser sua amiga.

“Nem tudo é o que parece”

Enquanto procuro respostas

No regresso ao meu hangar

Voo nas asas do vento

Sem as conseguir encontrar.

Correm velozes e matreiras

Confundindo-me a memória

Disfarçam-se de novas ligeiras

Fugindo do que será história.

Entram fugazes e deslizam

Brincando às escondidas comigo

Ora se esquecem ora me lembram

Apenas fixo o que consigo.

E neste vaivém desmedido

Tento desbravar a mente

Encontro sempre algo perdido

Esquecendo o que está na frente.

E assim brincam comigo

As respostas aos porquês

E a mais uma vez me obrigo

A começar tudo outra vez!

(in: nas asas do vento encontrei)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

DESACERTO

by dv

Numa investida sem rumo tudo é desconhecido.

Qualquer coisa que nada valha é avaliada pelo seu mais alto valor.

Controversas são as coisas que se nos apresentam simplificadas.

Algo se passa com o procedimento.

A resposta é algo esperado, para questões já postas.

Resoluções inacabadas por desgastes do Tempo.

Enquadramentos forçados na vontade já cansada.

Albergues da vontade, repletos e com filas de espera.

Anseios rasgados em tiras, procurando a cola específica.

Fitas que esvoaçam e se perdem no tempo.

Acertos.

Contabilidades efémeras sempre encaminhadas para o desconto.

Faltas sempre cada vez maiores, que nos conduzem ao vazio,

Fugaz talvez, mas cada vez mais frequente.

Em ritmo de compasso, atirando-nos para a espera involuntária

Do que não se deseja.

São engrenagens circulares, já calcinados pelo tempo.

Rompantes de Energia acumulada, libertando-se para...

(in: nas asas do vento encontrei)


PÁGINA VOLTADA DE MAIS UM LIVRO - PALAVRA

Lutas internas.
Esforços, gritos pesados.
Gritos pesados de esforços,
Esforços pesados de gritos.
Cabeça cheia de pensamentos que não se vêem
Mas sentem-se fisicamente, tal como a dor de um viver magoado.
Vertigem, cansaço dum descanso activo.
Criação interior de algo não transposto.
Barreiras do espírito causadas por.
Procura de “pures” sem nada alcançar.
Será que existem ou apenas o serão por não existirem?
Enganos, traições de pensamentos vivos.
Vivos e mortos para...apenas por.
Será que os dicionários acabaram? Criem-se, recriem-se, mas encontrem.
É preciso encontrar a saída, numa explicação de saída.
Com as canetas que são o quê? São “pures” ou são canetas?
Que rasgam papéis, origem da fúria.
É um caminhar correndo, alargando o passo pelas linhas que não existem,
Mas que o são só porque não existem.
Vou escrever em não linhas, vou não escrever.
Porque:
Se escrevo em linhas, não escrevo em não linhas.
Não escrevendo paro a escrita do pensamento. Não, não paro
Porque ele não pára – o pensamento escreve em não linhas.
Assim não escrevo – penso escrevendo.
Arranjei a saída.
Vou continuar a subida.
Subida imaginária, porque o não imaginário é descer.
Descer ao profundo, ao algo que me ocupa em espaço.
Espaço aberto porque fechado, espaço fechado em aberto.
Agarro nele e crio em espaço. Vou, voltando, andando sem andar.
Parece ser impossível. Mas que sei eu do impossível!
Venham dicionários, correndo. Folhas ao vento espalhando palavras!
Significados de palavras espalhadas.
Restos de palavras, terminações, terminus. Estão alarmadas as palavras.
Milhares de combinações de letras formam as palavras.
Vamos então formar os milhares de milhões de palavras.
Não há tempo para tanta letra, é o que dizem os dicionários.
Então ficamos pelos sinónimos, antónimos...
E esquecemos as palavras primeiras. Há que as encontrar.
Venham dicionários!
Moradias fechadas-abertas das palavras.
Habitação provisória.
As palavras acumulam-se, empurram-se, substituem-se sem dar cavaco
E nós que não somos palavras que as procuremos.
Não somos palavras ou seremos?
Porque as criámos, devemos conhecê-las.
Mas não, tornam-se independentes, livres e ausentes.
Estamos sem palavras!
Venham dicionários, casas pobres de ricas palavras
Ou casas ricas de palavras pobres.
Significados frios perdendo-se em páginas.
Página voltada de mais um livro.
Livros palavras, casas perdidas.
E eu aqui perdida em casas, em palavras de mim.
Ponto final.
Não é uma palavra é um ponto, mas sendo ponto palavra
Em que ponto ficamos?
Venham dicionários por ponto final na palavra.
Corram, acorram dicionários homens,
Homens dicionários feitos de palavras.
Discursem, orem, bem falem, digam de suas palavras.
Que vos resta senão as palavras de acções,
Acções de palavras que não têm tradução.
Venham dicionários traduzir o significado das acções.
Ninguém sabe, ninguém vos presta atenção.
Velhos bocados de papel, bem encadernados, casaco fechado,
Bem aprumados numa estante qualquer.
Fiquem calados.
Que vos servirá falar se não têm a dizer palavra das palavras que possuem!
(in: nas asas do vento encontrei orixá)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

NEURA-SENSIBILIDADE TRIPARTIDA

“Vazios”

Sinto a velocidade de rotação do mundo.

Faz-me entrar em vertigem e perder o rumo da translação.

Que fazer?

Depressa se faz noite que amanhece para o dia.

Mais depressa se escapa o dia que se perde na noite.

As angústias não dormem e anestesiam o mundo para a Vida.

Que fazer com as lágrimas que caem sem autorização?

Apenas deixá-las livres para que limpem a alma.

Entre lágrimas, sorrisos e lamentações,

Os rios caminham em busca da sua foz.

Sem vazios nada se procura.

Sem procurar nada se encontra.

O que se encontra é presente para o passado.

Então que nos reserva o futuro?


“O doer da alma”

A alma dói não pela sua própria dor

Mas pela dor que os outros têm.

Ou não será isso?

Ela dói porque tem vida, movimento e renasce a cada momento.

Esse processo é doloroso pois acaba no percorrer as veias,

Os recantos mais apertados, que nem ela consegue passar.

Mas passa. Tem de passar. E passa.

Quanto mais se embrenha mais aumenta a dificuldade da passagem.

Não quer usar termos, nem rumos, nem objectivos.

Quer apenas ser Alma.

Rodopia em movimentos compassados

Para não perder o ritmo.

Batidas. Sobressaltos com os pulsares acelerados,

Pelos sustos pressentidos.

Não pode parar. O movimento é a vida.

A vida tem o tempo vivido e por viver.

Sem ele nada feito, mesmo sem necessidade dele.


“Símbolos”

Não sei porque se escreve, não sei porque se fala.

Não sei para que se usam termos sem sentido.

Tudo parece ter perdido a validade

Tudo é desculpável pelo contexto.

Tudo se explica para que tenha explicação.

E o que não tem explicação como fica?

Deixa de existir? Perde a importância?

Sem sentido.

Que importa isto ou aquilo?

Não, tudo é importante, fala a aprendizagem!

Frases feitas que tanto se repetem mas que de nada servem,

Para nada servem, porque parece que nada se aprende.

Não me apetece escrever e escrevo!

Não me apetece pintar e pinto!

Não me apetece falar e falo!

Estou o oposto de mim!

Será para me rever? Para me reflectir?

Ou para me afastar do eu e me ver a mim?

Gosto de saber, de conversar comigo e não me estou perceber.

Há um silêncio inquietante, duma alma os gritos!

Linguagem nova, desconhecida sem tradução.

Há que esperar para descodificar os símbolos.

(dina ventura Maio.2009)

terça-feira, 5 de maio de 2009

AO SABOR DO VENTO

by: Dina V.

Esconderijos de refinado odor a Natureza.

Grutas de paredes bordadas a gotas cintilantes.

Ar tão puro e fresco que magoa quando respirado.

Transparência opaca num sabor a terra.

Horizontes distantes, mas claros e nítidos, que nos aproximam.

Imagem fantástica e irreal no que de real me rodeia.

Visão empolgante, do que é meu, sobre a Terra.

Eu confrontada com ela sem nos magoarmos.

Tudo o que de Natural existe se naturalizando em mim.

Viagem do pensamento.

Não terei obrigatoriamente de permanecer sempre dentro de mim.

Assim, coloco-me nos meus olhos e saio

Como um pássaro que se lança em voo aberto.

Há um limiar do qual me atiro sem medo,

Imaginação.

Sobrevoando assim oceanos e montanhas,

Liberto o meu físico da cola invisível que me agarra ao solo.

Liberdade, voo picado, em direcção à Luz.

Ressuscitar da Alma já incolor por falta de Sol.

Voo.

Sem asas, apenas pairando ao sabor do vento.

Nada me poderá deter porque, mesmo que pare, já voei.

Mas como posso pensar em parar com toda esta visão

Que me é permitido desfrutar.

Há que continuar... voar.

Subo. Não há plágio de gaivota

Há sim necessidade de conhecimento da Beleza,

Da urgência do encontro entre mim e o que sou.

É aí que encontro. É neste voo em que me lanço

Que poderei encontrar, libertando-me.

Voo até parada, mas ninguém me poderá alcançar.

Sei que na porta da gruta existe o limiar em que me apoio.

Olhando vejo-o lá em baixo e sinto-me segura

Aquele canto é meu, bem como os ares em que me esvoaço.

Sou eu que vou e não alguém que vai por mim.

Há a junção de mim comigo, plenamente.

Não há confusão no espírito, nem espírito confuso

Há sim, liberdade de Ser, dizendo.

Existe também cansaço de voo e consequentes paragens

Em nuvens suaves de abandono e reflexão.

Depósitos aéreos de energia sólida

Transformada em aragem, pela simples passagem.

Mutações constantes nos diferentes estados.

Apreensão sonora do evoluir no espaço.

Reparo em mim.

Sou eu. Que estou onde quero sem no entanto chegar,

Ao ponto que sei existir, para que eu exista.

É algo que se apresenta sem ocupar um espaço.

Propaga-se de um ponto. Nasce, sem jamais ter deixado de Existir.

Fonte inesgotável, precisando de alimento.

Paro, mantendo-me no espaço ao sabor do vento.

Leveza natural protegida da longínqua gravidade.

Olhando para baixo, sinto a responsabilidade do que tenho.

Tenho à minha frente uma dura batalha.

Vou lutar com todas as forças para manter o que tenho.

Dom Natural que possuindo-o me faz Viver.

Capacidade de Voar...

(in: nas asas do vento encontrei orixá?


LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA

by: dv


Estou cansada do cansaço que me embala.

Sinto-me estranhamente débil perante o que me rodeia.

Preciso recuperar as forças, reabastecer-me de Energia,

Qual máquina produtora que necessita de manutenção.

Onde está toda esta gente. Onde estão os peões. Alguéns.

Será que ninguém sabe onde estão as Oficinas?

Marcações. Falta de tempo. Pressas. Correrias loucas para nada.

Abasteço-me. Digo, falsifico-me. Será que nem eu me respeito?

Inversão. De marcha não, essa continua. De valores.

Silêncio de vozes agitadas, cortantes, agonizantes até.

Missa rezada, em graça a, para desgraça de.

Pouca-vergonha de Sorte na Vergonha da sorte que tem.

Fastio, tédio, nervos de aço nesta máquina desafinada.

Dureza mole, das fibras flexíveis aos pesos acumulados.

Jorrar de salpicos. Gotas gritantes na máquina parada.

Ferrugem. Imitação do Ser. Ranger de molas. Espera.

Doer violento.

Rompante de fúria que destrói o armário.

Casa singela de paredes forradas.

Papéis iguais em casas diversas.

Cobertas, taipais, montes de terra, lixos, miséria.

Revolta.

Luta. Dor sangrenta duma alma que sofre.

Luta interior dum ser que quer alcançar algo.

Falta de forças para forçar a saída.

Explosão interior que rebenta com a máquina.

Amargurada a Alma, senta-se e medita.

Vendo-se ao espelho, reflecte-se em si.

Quer ver para além mas precisa de espaço.

Que mal há em pedir o que de direito lhe pertence!

Apenas o ar que faz com que viva.

Ao ponto a que chegámos, que nem respirar se pode.

Contra natura. Improvável, quando logicamente pensado.

Mas é facto consumado. É difícil respirar aqui.

Deixem-me ao menos respirar. Porque eu sofro se não respirar.

É verdade.

Eu preciso de Ar.





domingo, 3 de maio de 2009

A TODAS AS MÃES O MEU PRESENTE


by: dv

As crianças são os Seres


Em resposta ao que um dia alguém me disse:

“...as crianças são os seres mais incríveis porque não têm maldade...”

gostava de vos mostrar algo que na altura não consegui desenvolver, não por não saber, ou talvez por não ter sido a altura ideal e que agora penso ser capaz por já ter conseguido algo mais mim.

Não lembro o que pensava quando era ainda menina. Não lembro datas... apenas lembranças ténues...

Não me lembro de ter vivido pequena, daí a necessidade de manter sempre um pouco da criança que não fui.

Aos poucos vou lembrando, não de mim mas do que eu senti.

O que de mais nítido guardo na lembrança são cheiros...

Cheiros que nunca esqueço e que me agarram à infância.

Recordo o cheiro do pão quente, da lenha queimada, transformando-se aos poucos em cinza incandescente, levando ao rubro as pedras próximas daquele semicírculo.

O estalido de protesto de uma ramada ainda verde, como que para dizer às chamas que ainda não estava preparada.

O cheiro acre e adocicado da massa levedada, que aos poucos rasgava o aconchegante farelo.

Lá fora o vento forte levava até mim o cheiro da terra molhada!

E, lá longe, aquela barreira que me chamava...era um mundo de cheiro e vida onde sonhar era tão simples!

Apanhava um pouco daquela terra sedosa, apertava-a carinhosamente e deixava-a escorregar por entre os dedos. O barro que sobrava nas pequenas mãos era tão moldável...

Uma bola, mais um retoque e o sonho começava.

Do nada um Mundo se formava. Tudo à minha volta tinha vida e eu criava!

Não sentia o tempo passar. Apenas gostava daquele lugar e pensava...que tudo podia ser de barro, que o seu cheiro era intenso e o sabor?

Só teria de o provar!

Mas se eu gostava tanto daquele lugar, porque existiriam outros e como seriam?

Era fácil imaginar. Olhando ao longe, para além daquele monte, para mim o dorso de um cavalo a pastar, eu podia imaginar:

Cidades, casas, ruas...era tão fácil, bastava-me olhar e lá estavam, debaixo daquele tapete de ervas verdes. Tantas coisas que só os meus olhos podiam contemplar.

O movimento era enorme. Muita gente, embora parecida comigo, pareciam não ver. Seria que também me viam? Nunca cheguei a descobrir!

Após tanta observação o cansaço chegava e para deixar de ver aquela gente bastava pestanejar!

E outro cheiro me atraía, o da água fresca que brotava daquela bica. Era uma fonte, que sendo pública, só a mim pertencia. Porquê? Ninguém lhe ligava, passava despercebida. Mas para mim era muito importante. Corria até ela, sentava-me na beirinha e brincava com a água. Depois de joelhos e inclinando a cabeça deixava que me molhasse a cara. Estremecia, pensando ouvir passos...mas não, era uma pinha que caíra. Corria ao seu encontro e lá ficava sem saber o que fazer. Que poderia fazer com ela? Pegava-lhe, ficava muito quieta e lá continuava a sonhar!

Sentia a imensidão a rodear-me, eu era pequena mas sentia que algo me ligava a ela. Seria o que eu pensava? Se eu pensasse muito, tanto quanto conseguisse ver e depois cada um dos pensamentos desenvolver como sendo imensos, conseguiria aproximar-me mais do que me rodeava, ou seja, teria de desenvolver em profundidade cada pormenor das coisas e, só olhando para todas elas eu conseguiria aproximar-me do que me rodeava.

Era muito difícil e precisava de muito trabalho, porque ao mínimo descuido lá se escaparia um pormenor importante!

Pensava como seria um sábio, que para mim era quem tudo sabia. Como é que eu seria capaz? Nunca seria...e chorava. Mas pelo menos um bocadinho sábio eu podia tentar. E lá começava. Olhava para tudo o que me cercava, tentando entender o Porquê das coisas. E o porquê de serem o que eram e não outras! Ou será que seriam outras e não as que eu via? E lá recomeçava tudo de novo, com o máximo de hipóteses que eu conseguia, até esgotar todas as probabilidades.

Sempre me encontrava numa encruzilhada, num ter a certeza sem certezas! Quanto mais perto parecia estar dum resultado absoluto, mais depressa concluía que ainda tinha muito e muito a concluir, acabando sempre na Procura...


(in: nas asas do vento encontrei)