sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

PASSAGEM DE ANO

Era este o título do poema que tinha acabado de escrever mas como que por magia desapareceu. Era 00:30 do dia 1 de Janeiro, ou seja há meia hora atrás. Como se costuma dizer é porque possivelmente não tinha de ser lido e muito menos publicado. Pois seja. Mas não sendo o que escrevi não vou deixar de dizer por outras palavras o que já tinha escrito. Nem que leve a primeira noite deste ano a tentar repor ideias já expostas, mas perdidas precisamente por ter escrito em directo no computador. Era assim que começava, isso ainda recordo:
Sem papel, sem caneta, sentada em frente a uma máquina faço o que não gosto, escrever para ela.
Escrevo directo os pensamentos que me assaltam e sofro os meus e os dos outros.
Penso nos que estão felizes nesta hora e ainda bem, portanto não vale a pena pensar.
Nos que tentam estar felizes e nem se apercebem que não estão e não sei se valerá a pena.
Assim penso sobretudo nos que estão sós e sós na multidão. Que sofrem a dor de não querer que a hora aconteça. Porque é naquela hora certa, na contagem decrescente que a dor aumenta. Nada do que tinha escrito anteriormente saiu pelas mesmas palavras, talvez estas estejam mais amenas, pois tal como os meus pensamentos se amenizaram com o tempo, assim a dor de quem sofre engana o sofredor com a miragem longínqua de que um dia será diferente.
Mas quem sente, sempre sentirá de forma sentida e mesmo que os sentidos de alguma forma mudem nunca deixarão de sentir. Podendo não ser o mesmo, não deixará de aparecer algo que provocará o mesmo sofrimento.
Escrevo directa a uma máquina mas hoje é assim. Não me apetece escrever poemas, pois a vida nem sempre é poesia ou prosa poética ou prosa sequer. Estou repetitiva, estou sem papel, sem caneta, sem tinta e nas tintas para o que devia ter em atenção para escrever correctamente. Não quero saber. Não me vesti de gala, não falo para que gostem, falo porque sinto que há algo de muito errado e que ninguém quer escutar.!
(Se existirem erros, paciência...na vida existem muitos!)
Dina Ventura - 1 de Janeiro de 2010

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PAREDES FORRADAS

Forrada de papel, de cetim, de madeira ou pedra, mudou?
Mas ela continua lá. Muda a fachada mas o conteúdo é o mesmo.
Não será. Talvez por oculto, mais corroído se torna.
Jaz inerte, sem respirar e aparenta a cara que não tem.
Roça-se no disfarce airoso da beleza que não é sua e convence-se.
Ninguém ousará retirar-lhe os enfeites.
E assim recomposta, numa vaidade comprada, vive.
Cega, porque vê por olhos que não são os seus.
Surda, porque não é aos seus ouvidos que os sons se dirigem.
Muda, porque não se pode denunciar.
Ausente, mesmo presente, porque o que prevalece são as capas.
Se na fúria da liberdade, arranca o que a forra que vê?
Restos da tinta original. Mistura de caliça com cola.
Desenhos desbotados de um papel arrancado.
Resta a parede que tentando firmeza, aguarda.
Não se convencendo que não passa, mesmo sem o forro,
De mais e apenas, uma parede forrada.

Dina Ventura – 27 de Dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

DESRESPEITOS - INCONSCIÊNCIAS

Vou escrever porque estou a levar as coisas a sério. Significa a partir do momento em que se pensam, não podendo deixar de ter em conta as inúmeras vertentes que vou descrever, não eliminando a do não sério, pois ficará uma exposição mais completa.
Hipótese 1 – Não sério
.Falar por falar;
.Dizer que se sente, sem sentir;
.Ter muito tempo disponível e ter de se encontrar formas de o preencher;
.Aposta, não se podendo desistir para não denegrir a imagem;
.Fornecimento de dados para apenas preencher o curriculum vitae.
Concluo que nenhum de nós consegue ser tão pobre ao ponto de se limitar a tão pouco, portanto hipótese 1 excluída.
Hipótese 2 – Sério
Existem milhares de sérios e alguns não o sendo, não deixam de o ser também.
.Não capacidade de encontrar equilíbrio;
.Posse de bens com ambição de alcançar sempre mais, tirando disso proveito próprio;
.Insatisfação perante o tudo que se tem, não o descurando, mas tentando compensações;
.Necessidade de correr em campos alheios para activar os músculos um pouco perros;
.Necessidade de dar vazão ao espírito aventureiro que cada um de nós possui;
.Necessidade de reviver os gritos da adolescência nos impulsos naturais;
.Gosto pelo proibido e necessidade de o sentir, também fisicamente;
.Procura incessante do novo, como reabastecimento do velho já cansado;
.Carências, um pouco apagadas, que sem autorização resolvem emergir;
.Procura de emoções novas e fortes, como lufada de ar fresco na existência;
.Atracções, simplesmente, que não encontram estabilidade;
.Gosto pelo jogo, não se gostando de perder;
.Regras quebradas pelo facto de o serem;
.Almas sonhadoras em busca de lugares secretos;
.Encontros apenas pela necessidade de se darem;
.Correria um pouco louca em busca do ar que nos falta;
.Desejo de não pensar pelo tanto que se pensa;
.Confusão, sabendo-se sempre o que é;
.Ansiedade, sem sequer se ser dono da ânsia de querer;
.Causas não explicáveis à priori para efeitos super rápidos;
.Acontecimentos ao longo do tempo acontecendo, acabando por ser apenas uma narração;
.Super valorização de algo que apenas existe simplesmente;
.Necessidade de dar, por vezes não acontecendo no lugar e tempo certos;
.Necessidade de receber, o que por vezes não se aceita de quem nos quer oferecer;
.Contradições naturais no que dentro de nós existe;
.Necessidade de nunca se perder o espírito de conquista;
.Necessidade e vontade de estar onde não se pode ou com quem não se deve;
.Apenas vontades;
.Necessidade de algo ou de alguém que faz com que os dias se tornem muito difíceis;
.Gostar apenas.
Todas estas hipóteses são sérias a partir do momento em que existem, mas será assim tão simples? É, porque se não o fosse tudo se processaria de forma diferente. Portanto há que analisar cada uma destas hipóteses até se conseguir encontrar uma resposta. Para quê encontrá-la? Mais que não seja para conhecermos melhor a nós próprios e sabermos porque somos, o que somos, para que somos.
Tudo é sério. Assim sendo, tudo terá de ser tomado em consideração e após dissecação de todos os pontos a que conclusão se chega? Tudo poderá funcionar em perfeito equilíbrio? Temos capacidade para tal? Ou seremos como os sapatos? É preferível termos vários pares pois a sua duração será muito mais longa. Coitado do par único, como conseguirá combinar com tudo e tudo palmilhar? Não! Têm de existir vários pares, para quem tiver capacidade para tal! Temos? Então sejamos sapatos!
Estou furiosa porque não quero ser sapatos. Mas não o seremos realmente?
Data: Não interessa a localização no tempo, pois não deixo de acreditar que sempre existirá quem pense!
Dina Ventura in: nas asas do vento encontrei

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

PAI NATAL

Enquanto olhava o Tempo, surgiu sem ser esperado.
Olhou-me sorrindo mas não parou.
Lançou palavras cantadas que o meu coração escutou.
Nada te trago, pois não preciso provar-te que existo.
Aqui estou.
Olho-te a tristeza na alma, por quem prometeu e falhou.
Mas nada posso fazer.
Acompanho-te, não te esqueci, porque sem ti não existo.
Mas a caminhada prossegue. Tento encontrar quem não me vê.
Por esses te deixo a ti.
Sei que merecias um presente, mas nada tenho para te dar.
Foste tu que me deste e me fizeste acreditar.
Que vale a pena não desistir, sonhar e esperar.
Mesmo que a dor vagueie pelo espaço onde a vida irá de nascer
E a sapiência da espera faça acontecer.
Mas...voltarei, senão me esqueceres voltarei.
E com este som se afastou,
Deixando-me só em mim com a sensação de já não estar.
Dina Ventura - 25 de Dezembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

ABRAÇO

É um sentimento que protege.
É uma vontade que nos impulsiona.
É a protecção contra os receios de perda.
É o calor que aquece o frio que nos petrifica.
É uma brisa que nos refresca do calor tórrido.
É uma lição que nos ensina o que é sentir.
É partilha na troca de forças e energias.
É a presença que embala na solidão.
É refúgio que ao fecharmos os olhos é só nosso.
É liberdade, porque enquanto se abraça o coração sorri.
É conforto que anula o desconforto sentido.
É ternura que circunda a alma.
É crença naquilo que nunca se perde.
É dar e receber, sem nada se dar, dando tudo.
É sentir que a vida se pode encontrar, no abraço trocado.

Dina Ventura 19 de Novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

IMERGENTE


by: Nuno Kabu

Nasceu. E quando nasce não pode morrer.
Aconteceu. E quando acontece não pode deixar de existir.
Onde quer que esteja, estará e não pode deixar de estar.
Trago comigo o que de mim é e me alimenta.
Está sempre comigo, mesmo que esteja ausente.
Incapaz de controlo, torna-se selvagem.
Segue solto, livre e sem sentimentos de culpa.
Obriga-se a refúgios para que não o atormentem.
Lança-se nos braços do sonho para poder viver.
Enfrenta os medos que não sabia existirem.
Segue sem rumo, sabendo o rumo certo.
Dorme na vigília, para não se perder no sonho.
Embala-se nos encontros, sem data marcada.
Movimenta-se parado, sabendo que está vivo e avança.
Imergente, tal como um raio, instalou-se para ficar.
Mártir de si honra-se de o ser.

Dina Ventura, 18 de Novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

LIBERDADE


Fotografia by: MLinus

Tudo tem forma, texto e contexto.
Se a liberdade tem nome, como consegue ser livre?
Se lutam por ela, se a perseguem e não lhe dão paz, como saboreia o nome.
Como tem o poder de fazer, deixar de fazer e de escolher?
Independência.
Pressupõe o estado oposto ao do cativeiro e da servidão.
Apoiada no cajado da franqueza, fraqueja, pela fraqueza das lutas.
Ajoelha na sinceridade, fala consigo mesma e o espírito pede asas.
Aí, o corpo abandona-se à vontade de nada ter que o aprisione.
Será a obtenção do poder de não ser tolhido, privado e castrado, no exercido das suas faculdade e direitos. Mas. Palavra dura que pode até nem ser palavra e sim (…).
Traidor da liberdade por um lado e anjo da consciência por outro.
Palavra dúbia que faz hesitar e tremer a liberdade. Apenas um mas.
Assim a Liberdade vê-se, não liberta entre leis.
Aí, mesmo que queira ser livre não pode, porque existem outras liberdades.
Se é definida como tendo poder de escolha e ausência de constrangimento, porque fica constrangida, quando escolhe ou não.
Se não é dominada pelo o medo, acaba por o acolher na sua propriedade.
Se exprime os seus pensamentos, sem acanhamento ou preconceitos, corre sérios riscos de ultrapassar as leis que a emparedam.
Pensa em si mesma, olha-se de frente e sente o que fazer:
Libertar a liberdade, da liberdade que não tem.
Dina Ventura - 11 de Novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

TORRE DO SILÊNCIO


by: DV

Com a tua presença, Amigo, percorro sozinha a margem do rio.
Sigo com o olhar a corrente que se despenha, levantando cachão.
Enche-me a cara com a sua transpiração e mistura-se com as lágrimas.
O silêncio abstém o falar, impondo a ausência de ruído.
Apenas se ergue no ar, o murmúrio das águas que caiem em catadupa.
Carrego o sossego, o segredo ou omissão de uma explicação.
Enlevada nesse estado de paz, sou no entanto conduzida à inacção.
É-se reduzido ao silêncio após todos os argumentos se esvaírem.
A réplica morreu.
Por alguma razão, é o nome dado à torre onde os indígenas expõem os corpos dos seus mortos, para que sejam devorados pelos abutres. Aí, nada os fará gritar, nem de dor, nem de mágoa, pois ao silêncio se reduziram. Mas quem os colocou lá, será cruel? Não. Adoram o seu Deus numa pedra ou numa árvore, prestam culto ao Sol, ao fogo e são hospitaleiros, bondosos e inofensivos. Apenas tribais.
Não deixando de ser torre de carnificina de corpo já morto, alimentando aves, é a libertação do que resta e não presta, mas alimenta outros seres. Aguardam atentos por mortes que lhes restabeleçam as forças. No entanto, aberta na cúpula, por onde entram os abutres também em silêncio se libertam as almas. Passam a vida a alimentar-se da morte de outras vidas, que já repousaram noutros silêncios na margem de um rio, apreciando a beleza da Vida.
Dina Ventura 10 de Novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

REJEIÇÃO

Acto de atirar fora, tirar de si, expelir, tal como o mar rejeita na praia o cadáver.
É um vómito, que provoca o retirar do que está a mais, que estorva e é estorvo.
É desprezar, dizendo que sim para dizer não ao que outro oferece entrega e dá.
Tal como na Natureza, é a amplitude do deslocamento produzido por uma falha.
Cria um fosso imenso de profundidade incalculável, a não ser que se mergulhe nesse provável abismo, para se ter a noção.
Contudo pode tornar-se numa defesa, tal como quando do aparecimento de anticorpos que destroem o enxerto, após o transplante de um órgão. O corpo rejeita, mesmo aquilo que o poderia fazer viver. Mas não suporta o que não conhece e não é seu, não lhe reconhece valor suficiente para a cura. Será egoísmo da matéria, da máquina ou apenas o não querer prolongar a vida. Ficam sempre as dúvidas na validade e aceitação da rejeição.
Por outro lado, são muitas vezes os vencidos que rejeitam. Tal como no campo de batalha limitam-se a depor as armas e a lançá-las ao rio, para que a correntes fundas as levem ou depositem.
Demonstra oposição a algo, por não concordância, ou então por o ter em nenhuma ou pouca conta. Engole mas o estômago rejeita.
Então mantém afastado, como o próprio rejeito, que sendo uma arma de arremesso, ao ser lançado cai conforme a intenção do acerto. Não havendo intenção, pode acertar onde nunca pensou, mas humilhou quando embateu e alguém morreu sem esperar. Porque achou que as estrelas vistas, eram as de luz própria e afinal houve engano de visão. Eram apenas meteoritos incandescentes devido à velocidade de arremesso e, quando embateram, enegreceram e queimaram. À volta da cratera, o fogo do impacto que logo se apagou, deixou terra queimada, cinzas, sombras e silêncio.
Dina Ventura 7 de Novembro de 2009.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DESPOJAR


Forografia - Universo - gentilmente cedida por: MLinus


Saio de mim quando me encontro contigo. Porque tem de ser.
O caminho não é visível, em corpo.
Na estrada da vida, ouvi o som dos teus passos na mente.
Voltei-me de repente e senti. Tudo mudou, tudo está diferente.
Não tem portas, nem medos, apenas campos abertos de beleza.
Neles me encontro e conto segredos. Contigo, senti em nós a Natureza.
Nada de opções. Nada interfere porque a liberdade não tem forma.
Dispo-me dos receios, transponho barreiras,
Encontro os meios de abrir fileiras.
Nascem emoções, nas fontes. Sentimentos sonhados são sentidos.
Nada resta, nada falta, nada se tem. Nadas.
Tudo chega, tudo sobra e tudo está ausente. Presente.
Não existe, porque o que existe não se sente.
Apenas se saboreia a vontade de ter, de saber, de sentir e ficar.
Resta a vontade louca de beber, de entregar o que já está fora de nós.
É o contra-senso do que é intenso, que o mundo grita e se incendeia.
Para que reflicta e se repita, sem nunca ter acontecido.
Nasce ao acaso, por obra e graça. Sem promessas ou ilusões,
Apenas transporta e transborda sensações.
Sustos sem medos, sonhos sem dormir.
Abrem-se portas e janelas sem se abrir.
Procura-se tudo no lugar certo, que não se sabe existir.
Salta-se entre nuvens, refugia-mo-nos em recantos fechados,
Abertos em espantos e fontes de prazer.
Refazem-se as forças no continuar, no sentir de sentidos refeitos.
Nos acasos perdidos, de mil essências, que se buscam e ofuscam o real.
Nada se parece, por ser igual. Perde o sentido no erguido ermo do Infinito.
Persigo a fonte, mato a sede e morro junto, por não beber.
É a loucura da loucura perfeita.
O transmutar da mente, na agonia escaldante.
É o encontro do Mundo, no mundo existente,
Que não existe, mas persiste em ser Único.

Dina Ventura 6 de Novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

IDIOTICE

A escrita hoje está embargada por uma inspiração algo estranha que se por um lado me empurra para o fazer, por outro anula-me o pensamento assucatado. Mas vence a vontade, por ser maior que o desalento. Resolvi então escrever, ou melhor transcrever algo que alguém partilhou comigo e que ao entregar-me o escrito disse:
“Olha faz com “isto” o que quiseres, podes deitar fora, ler ou não, ou até dizer que é teu, para mim não existe, pois não passou de uma conversa meio idiota que tive com outra idiota maior ainda, a pensar numa idiotice qualquer, tanto que também podia chamar-se:
de outro planeta”.
Depois de ler, fiquei emocionada e resolvi publicar. O nome que lhe atribuo é exactamente o que a autora lhe deu. Pelo menos ficam a saber que é uma “ela”. É sim. Uma pessoa que conheço muito bem, que acho com uma alma repleta de símbolos indecifráveis pela grande maioria dos seres humanos, devido ao que representam no seu mundo idílico, afável, acolhedor, mas ao mesmo tempo misterioso, que quando nos aproximamos temos a sensação que se evapora.

“IDIOTICE
Resolvi escrever não sei se a mim, se de mim, se para fora de mim. Como não tenho nada de realmente a dizer, não existirá real para o escutar. Então sentada na cadeira dos sonhos e ilusões, coloquei defronte outra cadeira e chamei-lhe ouvinte.
Olhei para o Ouvinte e percebi que não só me ouviria, como não fugiria, enquanto eu não quisesse que fugisse. Iria entender tudo desde que eu soubesse o que dizia. Mesmo que não soubesse e o dissesse, ele entenderia da mesma forma. Estava ali prontinho a escutar tudo o que eu quisesse, pudesse e soubesse dizer. E assim fiz e comecei:
Sei coisas que uns acreditam outros não. Sinto outras que ninguém mais sente e vivo outras que mais ninguém pode viver. Amo um amor de Amor feito, mas que é feito sem ser. A ver se te explico. Todos falam de amor, mas o amor não se fala, sente-se. Dizem que o amor é eterno e não é, porque ele não tem tempo. Dizem que pode ser físico e também não é, porque ele não tem corpo. Dizem tanta coisa dele, que nem se sabe se é ele ou ela. Não sei se tem lugar ou morada! Dizem que é no coração, mas não é. O coração apenas o acusa ou delata, ou ele o usa para isso. Então onde viverá o amor? Acho que Vive sem viver, ele é apenas. Sendo, não vive e sim Vive. Porque tem de ser ele como as pessoas o querem? Ele pode ser outra coisa. Sabes, tipo os seres de outro planeta?! Acho que é esse o nome que se lhe deve dar, Outro Planeta. É lá que por certo vive, convive e se ama! Sim porque o amor se o é ama-se. Cá, chamar-lhe-iam narcisismo. Mas não é nada disso. É porque quando o amor encontra o que ama, torna-se nele, num único e isso faz com que se ame a si mesmo. Transforma-se numa linda flor, única, isolada, tal como o Narciso e no entanto de cor bela, revigorante e chamativa, denunciando a toda a gente o seu perfume colorido.
Dina 4 de Novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

CENTELHAS DE VIDA

Saem em rajada. Disparadas pelas prisões invisíveis.
São balas que ferem o poderoso escudo da alma.
Ela aumenta-se, confronta-se e expande-se.
Espaço por entre os estilhaços de mil luzes e sonhos.
Sai e liberta-se.
Salta o muro e encontra-se. Sem barreiras Vê.
Pontos de luz que se olham, que se tocam, sem tocar, em fogo-fátuo.
De mil cores, explosões mil, que fazem desmaiar.
A Alma liberta almas, centelhas de vida
Que não sabiam existir.

Dina Ventura 2 de Novembro de 2009

SENSAÇÃO FLUTUANTE DO SER

Não descansando no regaço do descanso,
Reforço o que se chama de pacificante.
Age, agita e contorce-se em si mesmo.
Reserva-se, preserva-se e recua.
Retoma o balanço, sai de si e entra no espaço.
Vagueia, reduz-se, produz e reproduz-se.
Aumenta, querendo diminuir, o que é incontrolável.
Reforça-se nas forças da força que não tem.
Busca nelas a sensação de reconforto do ausente,
Que presente acompanha, desanca a mente e desnuda,
O que é sentido, nos sentidos de não sentir.
Assim vive a sensação de ter um dia a posse da razão,
Que rastreia a vida, a rasa para a forma de rara chave.
Plena e flutuante esvoaça por entre penhascos, bosques e rios.
Salva o que resta:
A liberdade de sentir, ouvir e possuir sem ter,
Por não precisar de obter o que já tem.
Apenas sensações flutuantes do Ser.

Dina 2 de Novembro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O AMARELO


FLOR AMARELA - Fotografia de Manuel Lino.
Cedida gentilmente, mesmo antes de ter sido publicada, por um amigo que se dedica à arte de reter imagens maravilhosas, há muito tempo, BEM NÍTIDA A FORÇA DO AMARELO. Se quiser confirmar visite o site:
http://olhares.aeiou.pt/MLinus

O QUE PODERÁ ENCONTRAR NO "MISTÉRIO DAS CORES" SOBRE O AMARELO:
(...) A cor é uma sensação interna. Não deixando de ser um conceito biológico, baseado na resposta mental do olho à luz e a forma como cada ser vê a cor, o mais importante é a forma como cada um a sente.(...)
AMARELO
Reflecte a parte esquerda do cérebro, por isso está ligado às actividades intelectuais, à aprendizagem, emotividade e intuição. Representativo de vitórias, sucessos e fama. Dá força e energia para realização de projectos variados.
Características das pessoas influenciadas pelo amarelo – São pessoas emotivas, alegres, bastante activas e positivas. Conseguem alcançar o que ambicionam. (...)

APARECE


Programada sessão de autógrafos a partir das 19:00 horas. Lanche "leve". Exposição da tela "O Beijo", que dá rosto à capa. Estarão também expostas e para venda fotografias da mesma. Grata.

CONVITE



CONVITE POR IMAGEM QUE APRECIARÁ A SUA PRESENÇA NO ANTIGO SOLAR DA NORA - AUDITÓRIO ORLANDO RIBEIRO - TELHEIRAS - LISBOA - DIA 28 DE OUTUBRO 2009 - PELAS 18 HORAS.

A EDITORA CONVIDA


"Um livro fascinante, que é uma viagem ao mundo maravilhoso das cores"
Editora Caleidoscópio.

O MEU NOVO LIVRO::::::::::::


O que é a cor? Que influência tem em si? Que cor teve o seu passado? E o presente? E que cor terá o seu futuro? De que cor é o seu nome? QUER SABER ESTÁ TUDO AQUI - NAS LIVRARIAS A PARTIR DO DIA 28 DE OUTUBRO DE 2009.

domingo, 18 de outubro de 2009

ESTADOS - EFEITOS - QUALIDADES - IV


Fotografia de: A.Pombo

UNIVERSO
O todo que não se alcança. O sistema Solar com os seus planetas satélites e estrelas.
O tão almejado tudo que existe, sem se saber o que é.
O sistema do Mundo. Reduz-se. Passa ao mundo. À Terra e a nós.
À nossa universalidade. Ao domínio moral ou material comparável esta dimensão.
Passa-se do tudo que existe e não se sabe, àquilo a que se limita o nosso pensamento ou acção. Isso resume-se ao nosso universo. Linhas idênticas de universos paralelos que se resumem a expansão, continuidade das estrelas e luz.
Tal como nele tudo em nós se forma de pequenos nadas.
Partículas simples mas que não deixam de ser fundamentais.
Que tal como no Universo os fragmentos se encontram submetidos a duas forças:
A da gravidade ou reacção devido à densidade da massa, corpo.
Outra a força explosiva provocada pelos sentires.
Assim somos universos habitando o Universo.

ESPERANÇA
Acto de fé que a antecede e de espera de um bem que se deseja.
Consoladora na e da ausência.
Segunda de três virtudes teologais que se complementam.
A primeira, carrega a fidelidade a promessa ou compromisso
Confiante na lealdade no saber e na verdade do que a esperança deseja.
A última leva-nos a desejar a felicidade que a esperança almejava
E quando se alcança a entregamos sem reclamar.
Sempre ambiciona algo novo que parece destinado. Futuro brilhante.
Tal como para Alexandre, ela é o estandarte dos que se lançam,
Em empreendimentos ousados, contando apenas com os recursos da sua inteligência, esforço e entrega por bem querer.
Simbolizada, muitas vezes, por uma pequena e jovem ninfa de rosto sereno, que segura com firmeza na sua frágil uma flor. De nada mais necessita. Despojada de tudo, resta a beleza de ter acreditado na Esperança.

MÃOS DADAS
Não apenas parte de um corpo, ou escova de pontas metálicas que serve para cardar.
Ao serem cortados, os membros das reses passam a sê-lo também.
O conseguir fazer as coisas de maneira e feição, permite-te o título de mão para.
Mas terá de saber executar.
Unificadora, liga a conta ou chicote de um cabo a si mesmo.
Pode ser a medida certa ou não, depende da capacidade de bem pegar.
Protege ou ofende. Acaricia ou maltrata. Faz e desfaz.
De mão dada é ajuda, protecção e auxílio.
Portadora de destinos!
Alberga em si as linhas da vida, da cabeça, do coração e da fortuna ou sorte, que está associada a um dos mais longínquo planetas, quem sabe contendo nos seus anéis a história guardada de cada um.
Na base dos dedos estão as qualidades, registo das alegrias e tristezas!
As ambições também estão lá, incentivando a felicidade a sabedoria, a inteligência, o gosto pelo belo, o trabalho, o amor, a coragem, o sonho, a melancolia, a castidade, a elegância e o amor do Amor.
Quando se unem as mãos dá-se a entrega, a dádiva do tudo que se possui!
De mãos dadas a força da imensidão!

FALAR
Ao pensar nela liga-se a palavras ditas, ao emitir e proferir sons!
Mas será obrigatório?
Exprimem-se pensamentos em palavras não ditas, mas a quem se dirigem?
Alguém as conseguirá ouvir por as sentir? Trabalho árduo esse!
O falar será então substituído por gestos, símbolos ou apenas olhares.
Como a honra, que também fala e é necessário obedecer-lhe!
Revelar nos olhos todas as palavras, que falam os pensamentos sentidos!
De mil formas se pode falar, mas de poucas o sabemos fazer. Há, no entanto, uma escola importante de ensino árduo e solitário. Falar consigo mesmo!
Palavras escutadas em surdina, por vezes agredidas e que dão a resposta.
São duras, talvez por isso, não passarem de sons articulados no silêncio do ser.
Melhor seria transparecer, trocar, falar palavras diferentes com significados comuns.
Aprender o que as palavras querem dizer é fácil, senti-las mais difícil.
Traduzi-las com fervor para que não tropecem, caiam, se amolguem e percam o valor.
No guardador de palavras, elas “estão”, à espera de serem lembradas, ditas, escritas, faladas e sentidas!
Há que falar!

ESPÍRITO DA CARNE
Dos músculos à parte mole dos corpos, tal como a polpa de certos frutos e à natureza humana, no ponto de vista da sensibilidade. Pois como diz o ditado “a carne é fraca”. Que seria então dela sem o espírito? Seria devorada como a de um animal ou fruto qualquer, para sobrevivência, gula ou simples prazer.
Que forma anímica lhe incute essa substância incorpórea? Esse espírito? Dá-lhe o alento vital. Alma.
Ente imaginário, que se prova a si mesmo de forma irrefutável. Transformando a carne que alberga, desenvolvendo-a, criando um espírito e ser superior.
Corpúsculo, a quem é atribuída a faculdade de levar a vida e o sentimento aos diversos pontos do organismo animal, deixando de ser apenas carne e transformando-o em espírito da carne. Em uníssono os dois se ligam, os dois evoluem e Vivem em comunhão. Compensam-se, apoiam-se e satisfazem-se mutuamente. O espírito apazigua a da carne, quando esta apenas é vista como objectivo sem espírito.

LUZ
Claridade, o que ilumina e torna visível. O astro Rei.
É a evidência, a verdade, a ilustração e o esclarecimento.
O brilho e o fulgor, que está na luz dum simples olhar.
Tudo o que ilumina o espírito, dando claridade intelectual, intuição, faz tornar evidente, aparecer e ter valor. Faz-se luz!
É a revelação, a fonte da verdade. Remete para o nascer do Sol, o abrir dos olhos e ou a alma.
Conhecer e dar conta do que se ignorava. Sem ela nada se vê, nada se sente.
Tudo seria gélido, agreste, morto e sem vida. Pois é ela que faz vibrar, nas ondas que recebemos e provocamos.
Vivemos nos sentidos, reflectidos, refractados e de difusão.
Somos senhores da sua velocidade e intensidade. Se é invisível, negra, fluorescente ou fria.
Sem ela os seres definham, não crescem e não evoluem.
A luz é algo que se vê no exterior, mas que mora no interior de cada um!
Para que a luz nos ilumine de verdade é preciso Abrir os olhos da alma!

Dina Ventura – Outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ESTADOS - EFEITOS - QUALIDADES - III



ABRAÇO
Se se abraça criamos um elo ou cirro de vinha,
Podendo chamar-se também gavinha.
Folhagens bem frescas lavradas em volta de uma coluna.
A lavra afasta o abraço, pois obriga o monge a viver no mosteiro.
Celas separadas por uma simples parede, que tudo faz.
Gavinha ou abraço, um apêndice, enrolado em espiral
Que se sente e que de alguma forma ajuda a suportar o próprio peso.
Porque serão os cirros penas? Ou tentáculos de alguns peixes?
Será com intenção de proteger, distinguir algo de algo?
E que abraçarão as nuvens brancas bem distantes,
Parecendo formadas de filamentos ou penas cruzadas?
Aparecerem em dias calmos podendo anunciar a chuva ou a neve.
Porque tudo se parece, se imita, se retrata e se reporta à Natureza.
Será assim um abraço.
Cria cirros, indo do extremo do bem ao oposto,
Consoante a natureza da sua Natureza.

AUSÊNCIAS
Olho e nada vejo que me impele.
O sono invade os meus sentires e o meu corpo.
Não para levar-me ao sonho, mas antes
Para não me levar a pensar. O Pensamento está incerto, vazio.
Procura no que já pensou e nada lhe faz sentido.
Adormeceu e adormecido de nada serve.
Se reage é esquecido, se não esquece é ferido.
De que serve então não pensar?
Apenas desnivela o equilíbrio e ressarça as exclamações
Do nada que procura ouvir.
São ecos, ecos sem embates de devolução
Que se perdem no espaço, vagueiam no vácuo
Em esperanças que estruturam a realidade,
Que não é, nem será mais do que o pensamento!
Olha, canta, permite e espanta.

PORQUE SE PROCURA
PORQUE SE ENCONTRA

“Para iluminar, esclarecer. Sentir o Sentir. Falar do pintar! Isso sabe-se! Como?
Não me compete a mim saber a alma sabe e saberá. O subconsciente, a Alma Grande, sabia.
Tenho sempre o que quero, é uma espécie de círculo, que primeiro me põe à prova, me molda mesmo no crisol.”

Para sentir, o sentido de Sentir.
Da escrita do pensamento nas palavras da alma.
Preencher o vazio que sempre se possui
E crescerá se não se preencher e “desalimentar”.
É preencher sem ter. Controverso? Talvez.
Mas mais ainda quando não se sabe possível.
Talvez a alma saiba, por isso busca e alcança sempre o que quer.
Mas nem sempre o tem. É algo que alberga, mas doa. Sem querer ter.
Será um circulo…pode ser! Mas sendo-o, não vale a pena lutar para ter.
Têm-se apenas sentindo.

TOLERÂNCIA
Não possuída deixa de ser qualidade.
Sendo-a, aponta para a indulgência por aquilo que não se pode ou não se quer impedir.
Sendo cega entra na condescendência quem sabe sem utilidade. Melhor será, tal como o corpo humano, adquirir a capacidade de suportar certos medicamentos. Tendo em conta a quantidade para mais ou menos, necessária à compensação e equilíbrio.
É dar permissão ou compactuar com algo, que pode não cumprir ou não comparecer. Aí a cada um se deixa a liberdade de praticar a crença que professa. Mas tolerando os abusos é-se no entanto cúmplice deles! Então que fazer com a tolerância?
Tudo se pode desde que não seja totalmente defeituoso. Temos de ter em atenção que tolerável também pode ser sofrível e pouco cotado. Ou seja, abaixo do suficiente.
O que se tolera pode por vezes encetar o caminho do maçador, do repetitivo, do aniquilador e o mergulho em águas salobras. Não faltando a água, não sacia a necessidade. A sede mantém-se pela ausência das propriedades que alimentam a vida.
Haja tolerância na Tolerância.

Dina Ventura 14 de Outubro 2009