segunda-feira, 5 de abril de 2010

SENTIR EM LIBERDADE

Olho ao longe e sinto no mar
A liberdade que nos aproxima,
Tal como na poesia sem rima
Olho no papel e ouço murmurar.
No horizonte percorro o caminho
Nem perto nem longe, apenas está
Ao alcance do olhar, dum suave carinho
E fica parado à espera que eu vá.
Percorro cada onda, na sua imensidão,
Tocando de leve para não as desfazer.
Escuto em surdina as batidas do coração,
Que me alertam para o que teimo não ver.

Dina Ventura – 5 de Abril 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

DESILUSÃO

Nada de grave acontece, nem se entra em decadência.
Nela, apenas se dissolve o que não presta e é enganador.
São desenganados os sentimentos e a inteligência.
Troca-se as voltas à aparência, vendo-se a realidade e seus danos,
Deixando de ver nas quimeras o alimento da alma.
E deixa-se o efémero partir levando com ele os enganos.
Olha-se o prestidigitador de frente, como ele é e o que emana:
Apenas o engano de si mesmo, que leva os outros à ilusão.
Hábil no manejo, assentando na destreza e a outros auxílios recorre,
Para conseguir mostrar com firmeza, no que é rico sendo pobre.
Da palavra faz a arma que conduz à distracção,
Leva a ver o que não é, para lhe alimentar o coração.
Há que enfrentar a ilusão.
Deixar de ser iluso e enfrentar o ilusor, sofrendo pela desilusão.
Tomando rumo melhor, chegará à conclusão:
A sinceridade é do tamanho que cada um lhe dá,
Podendo não ser sincero, até mentira será.

Dina Ventura 25 de Fevereiro 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

EU APÁTRIDA ME CONFESSO

Perdi a nacionalidade e não encontrei outra.
Sem pátria, sem agrupamento com a mesma origem
Anulo a história e a tradição comum.
Sem organização, nem estado, estou em estado nenhum.
Anulam-se os caracteres que promovem a nação.
Sem origem mas originada,
Sem agrupamento mas em grupo,
Sem tradição, mas com história,
Sem características que me distingam, sou distinta.
Sem laços que me liguem, estou unida.
No lugar onde estou, rodeado ou só.
Não sei se estou ou se vou ficar.
Apenas recordo um lugar distante
Sem nome, nem data para chegar
Onde um dia irei regressar.
Será outra pátria, apenas o meu lugar.

Dina Ventura 24 de Fevereiro 2010-02-24

POLUIÇÃO

Olhando o céu, renova-se a esperança.
Desvio o olhar das máquinas e do progresso.
São técnicas apuradas para a evolução,
Que carregam nuvens negras de destruição.
Olhando a nuvem cinzenta
Duvido que novidade trará
O mais transforma-se em menos
Questiono o que restará.
A Natureza geme, manifesta-se para encontrar solução.
Os rios banham-se em esgotos.
As marés tornam-se negras, para o bem de uma nação.
Tudo corre risco. Tudo é profanado.
Os animais fogem para onde não há salvação.
O planeta com fé no seu azul tenta a renovação.
Embala-se ao som da lava, lutando contra a poluição
E matam-no aos poucos a cada renovação.

Dina Ventura 24 de Fevereiro 2010-02-24

DISFARCE

Vestido de forma a não se ver, nem que seja uma capa
Sendo fino e invisível, pode alterar o que tapa.
Postiço que como uma sombra, tanto ajuda como amedronta.
Como a dentadura. Postiço que ajuda a comer
Mas sempre faz recordar a saudade pelo que substitui,
Mesmo que melhore o parecer.
Sendo o mal disfarçado
Por um bem inexistente
Estando a cura doente.
Se o bem é o oculto e de normas se sustém
Caem as amarras que o provocam
Mostrando as normas do bem.
E assim em ziguezague
Sem muita ponta ou nó
Se comporta o disfarce quando se encontra só.
Refugia-se na saudade do que substitui e não é,
Desejando ser de verdade, sem nunca perder a fé
E nadando em águas profundas para não perder o pé.

Dina Ventura 24 de Fevereiro 2010-02-24

ANGÚSTIA

Com residência fixa na incerteza
Do incerto se alimenta,
Consolando-se e desfrutando prazeres.
Empurra os caminhantes para vielas estreitas,
Apertando-lhes o coração à medida que avançam.
Provoca-lhes aflição e agonia,
E o que não era pensado passa a fobia.
Processo de inquietude metafísica
Sentido através dos tormentos.
Nada pode ser confundido e é,
Manifestando-se em profundos desesperos,
Para os quais não há argumentos.
Do não saudável se desenvolve,
Mesmo que eivado de desejo ardente
Leva à incerteza que promove,
Consegue reduzir o que existe a ausente.
Por esvaziado, oprime e reprime a expansão.
Leva ao vazio do vazio
E à incompreendida razão.

Dina Ventura 24 de Fevereiro 2010-02-24

O SOL



Tela - O SOL - do pintor surrealista Bernardino Costa (B.C.)

Sem rosto, com as feições que lhe queiramos dar,
Tal como a verdade é o sol da inteligência
De génio lhe posso chamar.
Presenteia o dia com a noite
Onde sereno repousa no silêncio da música,
Nos acordes de sol de um violoncelo distante.
Inebria-nos de raios e abre-nos a alma,
Tal como nos cega quando olhado de frente.
Assim é o seu poder.
Principio vivificante de todos os seres.
Sonho perfeito, distância inalcançável,
Que apenas em sonhos se pode penetrar
Sem asas de cera, apenas com intenção maior.
Visível em universos. Rei de vários.
Mas para quantos apontam os raios equilibrados
Como fonte de vida.
Quero sentir em mim o calor do Sol,
Para que a alma transborde a energia absorvida
E espalhe a luz pela noite das estrelas.
Sóis distantes mas que não deixam de ser,
O Sol de outros mundos.

Dina Ventura 24 de Fevereiro 2004

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

AMOR NA SAUDADE

Enquanto espero nada sinto
A não ser a angústia da espera.
Existem sofrimentos por perdas.
Olhos inchados pelas lágrimas vertidas
Ou pela dor de achar que não se sente.
Ninguém acredita no óbvio.
Recusam aceitar o que é certo,
Mas nada podem fazer.
É a hora. Chegou a hora da despedida.
Chamam-lhe partida. Será que é?
Ou será um regresso,
Em hora não coincidente com quem fica?
Sensação de dor sem haver ferida.
Sensação de cura sem estar doente.
Ânsia no encontro sem estar marcado.
Refrescar a mente com o frio da ausência.
Perder o medo na maior ameaça.
Dormir acordado com medo de esquecer.
Aquecer a alma na fogueira apagada.

Dina Ventura 21 de Fevereiro 2010

CANTEIROS DA VIDA

Quando sinto a falta, Procuro.
Se não encontro, Recordo.
Se não tenho memórias, Sonho.
Se o sonho se perde, Fantasio.
Afago o meu ser, em mim
E atraso o relógio do encontro.
Reparo que parou, não anda.
Aceno ao tempo que me espera.
Não sabe quem sou e sim no que me vou tornando.
Sem pressa, caminho pelos canteiros da vida.
Colho as flores, reponho sementes,
Arranco pedaços de ervas ruins
Que crescem, ao acaso, para me fazerem notar
Que nem tudo é perfeito, mas tem de ser feito
Para que o equilíbrio se dê.

Dina Ventura – 21 de Fevereiro 2010

LABIRINTO

Neste espaço minúsculo percorro uma imensidão.
Ando na água até perder o pé
E nado até perder as forças.
Ando em terra e perco o Norte,
Volteando nos caminhos isolados.
Voo no espaço para alcançar o Sol,
Mas situo-me no que arde, para não me perder.
Saltito no fogo em busca de calor,
Da luz que me guiará através dos elementos.
É com eles que me embrenho na densidade
A que o labirinto me reduz.

Dina Ventura – 21 de Fevereiro 2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010

MOMENTO

Curto espaço de tempo seja de dor, desejo, desalento, tortura, paixão ou amor.
Tempo ou ocasião em que algo se faz ou acontece.
Então o que significa na realidade? O que o promove e incita?
Há que aproveitar sempre? Há que ocorrer sempre?
Depende da importância, da urgência ou do acaso ou do encaminhamento da força para tal?
Tanta interrogação para certos momentos, quando apenas relacionados com os eixos de balanço tendente ao equilíbrio.
Linguagem confusa, para o movimento de oscilação e de vaivém.
Tal como as forças aerodinâmicas que se exercem sobre o alvo.
Mas também do momento da força, em relação a um ponto, resultante da sua intensidade, da distância e da sua direcção.
Para muitos, é a crise final de que resulta a solução ou desfecho. Teve por consequência, um anterior acontecimento de outros momentos para conduzirem a ele.
O momento da força em relação a um ponto é chamado de Centro dos Momentos.
É um valor absoluto. Sendo o centro, quer dizer que muitos formam um, ou que os outros nada contam até ao centro! Mas sempre contam.
Mas momentos também significam, quem faz momice, trejeitos naturais ou estudados.
No fundo e de forma figurada, tudo poderá não passar de um disfarce e de uma hipocrisia.
Será que por isso, para o bem e para o mal, sempre se diz: Há que aproveitar o momento? Estará implícito o absoluto do qual nada se sabe e de onde resulta o frustrante vazio de e apenas, o preenchimento do momento? Não aumentará ainda mais o espaço esvaziado de conteúdo?
Então elevemos o momento ao seu estado de circunstância, de acaso e por acaso. Apenas isso. Só nos resta entender, que apesar da vida ser mais do que momentos, a cada momento, não a transformemos num momento apenas.

Dina Ventura 6 de Janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

PAIXÃO

É tecnicamente falando, uma emoção fixa, um hábito, que corresponde na ordem de sensibilidade, à ideia fixa na ordem da inteligência.
É, para filósofos de séculos passados, todas as doenças da alma, ou seja, os sentimentos.
É, nos dias de hoje, a inclinação levada a um certo grau de veemência.
Nasce de forma brusca ou progressiva e onde nos leva e a que velocidade?
Para os de certa inflexibilidade moral será sinónimo de alegria, tristeza, esperança e temor.
Para quem é defensor do “penso, logo existo” representa a admiração, amor, ódio, desejo, alegria ou tristeza.
Para outros, serão as tentações particularmente fortes dos desejos. Saber, sentir, dominar.
Mas alguma destas definições a descreve em pleno?
Existirão palavras que a consigam alcançar?
Ou será tão simples e inexplicável que não se consegue exteriorizar?
É entrega ao que se acredita.
É sonho revelado numa verdade escondida.
É resvalar suavemente pelo abismo perfumado.
É perder as forças, ressuscitando da morte.
É chorar as tristezas em sorrisos abertos.
É sorrir às tristezas que a alegria deixou.
É a dor de sentir.

Dina Ventura – 16 de Janeiro de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

LIBERTAÇÃO

Escrevendo tantas vezes, outras tantas cheguei à conclusão que era uma escrita sofrida e magoada. Era como se o deslizar da caneta fosse um rasgar da minha própria pele, com o intuito de amenizar um pouco o meu sofrimento interior. Quanto mais sofria, tanto mais me apetecia escrever. Como se fosse a única abertura por onde entrava um pouco de ar que mantinha a minha vida, já por um fio. O ar faltava, a cor vinha apenas como metáfora e sonhando abria-se uma clareira nessa escuridão interna. Tinha vergonha de mim, de não conseguir ser eu própria, porque como ouvia dizer, os poetas, os artistas é que escreviam ou demonstravam a sua arte através dos sentimentos mais profundos e de tristeza. Encarando-me de frente eu era uma fraude, uma mentira que fingia sentir o que sentia apenas para parecer o que não era. Mas afinal o que era eu? Porquê tanta revolta contra o que não sabia ou conhecia? Porquê tantas perguntas sem resposta? Cheguei à triste conclusão que eu era uma preguiçosa, sem vontade de executar e limitava-me a martirizar o pensamento, para justificar o nada fazer. Tomei a liberdade de me dizer o que tão prontamente conseguia explicar aos outros. Então se é tão fácil darmos conselhos, ajudarmos quem precisa, se conseguimos ser tão bondosos com os outros, correndo prontamente em seu auxilio e se muitas vezes nos auto elogiamos dizendo que o fazemos sem pedir nada em troca, então afinal que ser somos nós que nos maltratamos tanto ao longo da vida. Porquê? Que tal começarmos por olhar um dos mandamentos “ama o teu próximo como a ti mesmo” com verdade e revolucionarmos a nossa vida? Um a um revolucionaremos o Mundo! Comecemos por gostar de nós mesmos de forma despojada e serena.
Após reflexão deixei de sentir necessidade da angústia e da dor, que faziam com que a caneta ganhasse vida e entrasse em movimento. A medo, iniciando a escrita, receei o conteúdo do meu sentir.
Que o tom poético, com o deixar de ser sofrido, tivesse menos beleza. Que a expressão saísse menos densa, menos cheia ou talvez menos rebuscada de natural. Nada disso me está a acontecer, muito pelo contrário. Sinto a caneta bem livre, o olhar do meu pensamento com olhos mais claros e tão mais penetrantes na minha alma, agora não tanto em fuga de si mesma.
O cansaço dissipou-se. As procuras em constantes viagens circulatórias, iniciam uma marcha mais calma e plena de conhecimento do que desejam procurar. Escolha de caminhos que apesar de árduos são menos tortuosos.
A brisa, que me enche os pulmões, ajuda-me como que empurrando o meu corpo, que se torna mais leve à medida que avança.
Recuos, poucos..às vezes muitos, nunca deixam de existir. Encaro-os, não como retrocessos mas sim, como paragens para descansar em terrenos já conhecidos e que me deixam usufruir dum descanso tranquilo e sem temores.
Dina Ventura (in: nas asas do vento encontrei orixá)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

PASSAGEM DE ANO

Era este o título do poema que tinha acabado de escrever mas como que por magia desapareceu. Era 00:30 do dia 1 de Janeiro, ou seja há meia hora atrás. Como se costuma dizer é porque possivelmente não tinha de ser lido e muito menos publicado. Pois seja. Mas não sendo o que escrevi não vou deixar de dizer por outras palavras o que já tinha escrito. Nem que leve a primeira noite deste ano a tentar repor ideias já expostas, mas perdidas precisamente por ter escrito em directo no computador. Era assim que começava, isso ainda recordo:
Sem papel, sem caneta, sentada em frente a uma máquina faço o que não gosto, escrever para ela.
Escrevo directo os pensamentos que me assaltam e sofro os meus e os dos outros.
Penso nos que estão felizes nesta hora e ainda bem, portanto não vale a pena pensar.
Nos que tentam estar felizes e nem se apercebem que não estão e não sei se valerá a pena.
Assim penso sobretudo nos que estão sós e sós na multidão. Que sofrem a dor de não querer que a hora aconteça. Porque é naquela hora certa, na contagem decrescente que a dor aumenta. Nada do que tinha escrito anteriormente saiu pelas mesmas palavras, talvez estas estejam mais amenas, pois tal como os meus pensamentos se amenizaram com o tempo, assim a dor de quem sofre engana o sofredor com a miragem longínqua de que um dia será diferente.
Mas quem sente, sempre sentirá de forma sentida e mesmo que os sentidos de alguma forma mudem nunca deixarão de sentir. Podendo não ser o mesmo, não deixará de aparecer algo que provocará o mesmo sofrimento.
Escrevo directa a uma máquina mas hoje é assim. Não me apetece escrever poemas, pois a vida nem sempre é poesia ou prosa poética ou prosa sequer. Estou repetitiva, estou sem papel, sem caneta, sem tinta e nas tintas para o que devia ter em atenção para escrever correctamente. Não quero saber. Não me vesti de gala, não falo para que gostem, falo porque sinto que há algo de muito errado e que ninguém quer escutar.!
(Se existirem erros, paciência...na vida existem muitos!)
Dina Ventura - 1 de Janeiro de 2010

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PAREDES FORRADAS

Forrada de papel, de cetim, de madeira ou pedra, mudou?
Mas ela continua lá. Muda a fachada mas o conteúdo é o mesmo.
Não será. Talvez por oculto, mais corroído se torna.
Jaz inerte, sem respirar e aparenta a cara que não tem.
Roça-se no disfarce airoso da beleza que não é sua e convence-se.
Ninguém ousará retirar-lhe os enfeites.
E assim recomposta, numa vaidade comprada, vive.
Cega, porque vê por olhos que não são os seus.
Surda, porque não é aos seus ouvidos que os sons se dirigem.
Muda, porque não se pode denunciar.
Ausente, mesmo presente, porque o que prevalece são as capas.
Se na fúria da liberdade, arranca o que a forra que vê?
Restos da tinta original. Mistura de caliça com cola.
Desenhos desbotados de um papel arrancado.
Resta a parede que tentando firmeza, aguarda.
Não se convencendo que não passa, mesmo sem o forro,
De mais e apenas, uma parede forrada.

Dina Ventura – 27 de Dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

DESRESPEITOS - INCONSCIÊNCIAS

Vou escrever porque estou a levar as coisas a sério. Significa a partir do momento em que se pensam, não podendo deixar de ter em conta as inúmeras vertentes que vou descrever, não eliminando a do não sério, pois ficará uma exposição mais completa.
Hipótese 1 – Não sério
.Falar por falar;
.Dizer que se sente, sem sentir;
.Ter muito tempo disponível e ter de se encontrar formas de o preencher;
.Aposta, não se podendo desistir para não denegrir a imagem;
.Fornecimento de dados para apenas preencher o curriculum vitae.
Concluo que nenhum de nós consegue ser tão pobre ao ponto de se limitar a tão pouco, portanto hipótese 1 excluída.
Hipótese 2 – Sério
Existem milhares de sérios e alguns não o sendo, não deixam de o ser também.
.Não capacidade de encontrar equilíbrio;
.Posse de bens com ambição de alcançar sempre mais, tirando disso proveito próprio;
.Insatisfação perante o tudo que se tem, não o descurando, mas tentando compensações;
.Necessidade de correr em campos alheios para activar os músculos um pouco perros;
.Necessidade de dar vazão ao espírito aventureiro que cada um de nós possui;
.Necessidade de reviver os gritos da adolescência nos impulsos naturais;
.Gosto pelo proibido e necessidade de o sentir, também fisicamente;
.Procura incessante do novo, como reabastecimento do velho já cansado;
.Carências, um pouco apagadas, que sem autorização resolvem emergir;
.Procura de emoções novas e fortes, como lufada de ar fresco na existência;
.Atracções, simplesmente, que não encontram estabilidade;
.Gosto pelo jogo, não se gostando de perder;
.Regras quebradas pelo facto de o serem;
.Almas sonhadoras em busca de lugares secretos;
.Encontros apenas pela necessidade de se darem;
.Correria um pouco louca em busca do ar que nos falta;
.Desejo de não pensar pelo tanto que se pensa;
.Confusão, sabendo-se sempre o que é;
.Ansiedade, sem sequer se ser dono da ânsia de querer;
.Causas não explicáveis à priori para efeitos super rápidos;
.Acontecimentos ao longo do tempo acontecendo, acabando por ser apenas uma narração;
.Super valorização de algo que apenas existe simplesmente;
.Necessidade de dar, por vezes não acontecendo no lugar e tempo certos;
.Necessidade de receber, o que por vezes não se aceita de quem nos quer oferecer;
.Contradições naturais no que dentro de nós existe;
.Necessidade de nunca se perder o espírito de conquista;
.Necessidade e vontade de estar onde não se pode ou com quem não se deve;
.Apenas vontades;
.Necessidade de algo ou de alguém que faz com que os dias se tornem muito difíceis;
.Gostar apenas.
Todas estas hipóteses são sérias a partir do momento em que existem, mas será assim tão simples? É, porque se não o fosse tudo se processaria de forma diferente. Portanto há que analisar cada uma destas hipóteses até se conseguir encontrar uma resposta. Para quê encontrá-la? Mais que não seja para conhecermos melhor a nós próprios e sabermos porque somos, o que somos, para que somos.
Tudo é sério. Assim sendo, tudo terá de ser tomado em consideração e após dissecação de todos os pontos a que conclusão se chega? Tudo poderá funcionar em perfeito equilíbrio? Temos capacidade para tal? Ou seremos como os sapatos? É preferível termos vários pares pois a sua duração será muito mais longa. Coitado do par único, como conseguirá combinar com tudo e tudo palmilhar? Não! Têm de existir vários pares, para quem tiver capacidade para tal! Temos? Então sejamos sapatos!
Estou furiosa porque não quero ser sapatos. Mas não o seremos realmente?
Data: Não interessa a localização no tempo, pois não deixo de acreditar que sempre existirá quem pense!
Dina Ventura in: nas asas do vento encontrei

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

PAI NATAL

Enquanto olhava o Tempo, surgiu sem ser esperado.
Olhou-me sorrindo mas não parou.
Lançou palavras cantadas que o meu coração escutou.
Nada te trago, pois não preciso provar-te que existo.
Aqui estou.
Olho-te a tristeza na alma, por quem prometeu e falhou.
Mas nada posso fazer.
Acompanho-te, não te esqueci, porque sem ti não existo.
Mas a caminhada prossegue. Tento encontrar quem não me vê.
Por esses te deixo a ti.
Sei que merecias um presente, mas nada tenho para te dar.
Foste tu que me deste e me fizeste acreditar.
Que vale a pena não desistir, sonhar e esperar.
Mesmo que a dor vagueie pelo espaço onde a vida irá de nascer
E a sapiência da espera faça acontecer.
Mas...voltarei, senão me esqueceres voltarei.
E com este som se afastou,
Deixando-me só em mim com a sensação de já não estar.
Dina Ventura - 25 de Dezembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

ABRAÇO

É um sentimento que protege.
É uma vontade que nos impulsiona.
É a protecção contra os receios de perda.
É o calor que aquece o frio que nos petrifica.
É uma brisa que nos refresca do calor tórrido.
É uma lição que nos ensina o que é sentir.
É partilha na troca de forças e energias.
É a presença que embala na solidão.
É refúgio que ao fecharmos os olhos é só nosso.
É liberdade, porque enquanto se abraça o coração sorri.
É conforto que anula o desconforto sentido.
É ternura que circunda a alma.
É crença naquilo que nunca se perde.
É dar e receber, sem nada se dar, dando tudo.
É sentir que a vida se pode encontrar, no abraço trocado.

Dina Ventura 19 de Novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

IMERGENTE


by: Nuno Kabu

Nasceu. E quando nasce não pode morrer.
Aconteceu. E quando acontece não pode deixar de existir.
Onde quer que esteja, estará e não pode deixar de estar.
Trago comigo o que de mim é e me alimenta.
Está sempre comigo, mesmo que esteja ausente.
Incapaz de controlo, torna-se selvagem.
Segue solto, livre e sem sentimentos de culpa.
Obriga-se a refúgios para que não o atormentem.
Lança-se nos braços do sonho para poder viver.
Enfrenta os medos que não sabia existirem.
Segue sem rumo, sabendo o rumo certo.
Dorme na vigília, para não se perder no sonho.
Embala-se nos encontros, sem data marcada.
Movimenta-se parado, sabendo que está vivo e avança.
Imergente, tal como um raio, instalou-se para ficar.
Mártir de si honra-se de o ser.

Dina Ventura, 18 de Novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

LIBERDADE


Fotografia by: MLinus

Tudo tem forma, texto e contexto.
Se a liberdade tem nome, como consegue ser livre?
Se lutam por ela, se a perseguem e não lhe dão paz, como saboreia o nome.
Como tem o poder de fazer, deixar de fazer e de escolher?
Independência.
Pressupõe o estado oposto ao do cativeiro e da servidão.
Apoiada no cajado da franqueza, fraqueja, pela fraqueza das lutas.
Ajoelha na sinceridade, fala consigo mesma e o espírito pede asas.
Aí, o corpo abandona-se à vontade de nada ter que o aprisione.
Será a obtenção do poder de não ser tolhido, privado e castrado, no exercido das suas faculdade e direitos. Mas. Palavra dura que pode até nem ser palavra e sim (…).
Traidor da liberdade por um lado e anjo da consciência por outro.
Palavra dúbia que faz hesitar e tremer a liberdade. Apenas um mas.
Assim a Liberdade vê-se, não liberta entre leis.
Aí, mesmo que queira ser livre não pode, porque existem outras liberdades.
Se é definida como tendo poder de escolha e ausência de constrangimento, porque fica constrangida, quando escolhe ou não.
Se não é dominada pelo o medo, acaba por o acolher na sua propriedade.
Se exprime os seus pensamentos, sem acanhamento ou preconceitos, corre sérios riscos de ultrapassar as leis que a emparedam.
Pensa em si mesma, olha-se de frente e sente o que fazer:
Libertar a liberdade, da liberdade que não tem.
Dina Ventura - 11 de Novembro de 2009