quarta-feira, 29 de abril de 2009

IMAGINANDO

Já pensaste no quanto é difícil imaginar

A forma como se imagina?

É o que sinto: Turbilhões, avalanches de pensamentos,

Sem no entanto lhes conseguir dar o tom colorido da imaginação.

Mas sinto que possuo dentro de mim o segredo,

Que me porá nas mãos essa possibilidade.

É como o nevoeiro: cor cinza que ofusca os tons reais

Mas que no entanto, atravessado pela luz reflecte uma infinidade de cores...

...que apenas existem, porque ele existe.

E assim será com a imaginação:

Ela existe em mim porque eu dou por falta dela.

Sai correndo. Pára.

São nestes contrastes, que ela poderá estar escondida

Até imaginando que já ninguém a procura.

E com medo de deixar de ser, ela esconde-se da sua própria imaginação...

Imaginando, que mesmo deixando de ser ela, será sempre a imagem de si

Na própria imaginação.

(in: nas asas do vento encontrei orixá)

O BEIJO

óleo: dina V.

É uma forma de diálogo do mais caloroso ao mais gélido. Talvez o mais sincero e melhor seja o que é trocado mil vezes com os olhos antes de chegar à boca.


UM BEIJO COR DE ROSA PARA TODOS OS AMIGOS




MERGULHO EM MIM

Vou escrever para que todas as letras se escrevam.

É uma conversa rasgada,

Uma vontade louca de ser diferente,

Uma diferença louca de não ser capaz.

Esforços em vão para tirar o ardor

Deste interior que não conheço, conhecendo.

É como o mar que na sua imensidão

Por mais que se mergulhe nunca se encontra o fim.

E por maiores dúvidas que se tenham, ele existe!

Onde estará o fundo desse mar desconhecido?

Onde estará o fundo de nós mesmos?

Mergulho em mim.

Sinto-me perder na imensidão do Ser.

Sinto-me, sem sentir a responsabilidade desse mergulho.

É o afastar de um material real,

Caminhando para um real desejado do real material.

Mais uma vez digo que não são jogos de palavras,

Mas sim tentativas para encontrar

Neste complexo Mundo de mim,

O que todas as combinações de palavras significam

E para isso, para a possível descoberta, mergulho em mim!

(in: nas asa do vento encontrei)

CIÊNCIA DE SER

Apetece-me que me apeteça algo,

Nem que seja apenas apetecer que algo me aconteça.

Parecem frases loucas, de quem nada quer nem tem para dizer.

Mas não é o caso. Têm muito que se lhes diga.

E senão vejamos o que haverá que não se vê.

É como um campo vasto que se perde ao fundo,

Que nos transmite a liberdade da imensidão,

Mas nos faz sentir presos à sua própria dimensão.

Transmite-nos sem no entanto deixar que se usufrua.

Faz com que nos sintamos presos da nossa própria liberdade.

Há que tomar a liberdade, liberta de si

Sem no entanto deixar de ser.

Recorramos ao mundo. Deixemos a ciência.

Tem que chegue...

Apossa-se de mim o sexto sentido, a insignificância.

Recorro a ele para ver o que me rodeia.

Nada consigo ver para além da grandeza do que me envolve.

Estou farta destas palavras. Têm de existir outras...

Como definir tudo com o que possuo, se já estão gastas as definições.

Não quero definir. Não posso, não quero definições.

Vou deixar que as coisas se definam por si.

Mas sem mim como será que serão?

Posso questionar mas serei sempre eu.

Estou farta de mim, de questões de mim. Como poderei saber sem mim?

Tem de haver forma de eu saber.

Recorro à Ciência. Embalo na ânsia de saber. Recorro às fórmulas

Feitas por outros que não eu. Aplico-as em mim, porque não...

Eu saberei por mim como se não o fosse.

Há que refazer tudo de novo. Assim nos ordena a Ciência.

Como poderá ser que sendo eu sem ser e sendo ela o que é, o resultado se alterou.

Algo funcionou de forma deficiente. A experiência falhou.

Vamos começar de novo. E se eu alterar?

Não posso a ciência o ordenou.

Começo a ficar enervada, mas chega. Não tenho nervos.

Sou um, como tantos outros, igual.

Deixámos de ver. Cegueira colectiva. Estou farta da ciência material.

Vou novamente para a rua, quero ver a imensidão sem pormenor.

Perdida por perdida deixem-me sonhar.

Não vou ser mais um que a ciência vai sacrificar.

Que se danem as experiências para o bem comunal.

Não quero mais aparato. Quero viver sem edital,

Mesmo farta de não conseguir ver sem mim.

Mas quanto a isso nada posso fazer. É predestinação do Ser.

Nasci comigo, tem de ser. Tenho de me conformar.

Não vai ser possível encontrar sem mim, mas vou tentar.

Quando conseguir, afasto-me de mim e vou pensar.

Tenho de tentar. Experiência. Voltamos à ciência.

Mas desta vez é diferente, tentarei outro caminho:

Vou, sem que eu vá. Não quero a Lei de mim.

Quero apenas que me apeteça tentar, com e sem mim,

Apenas como Ciência de Ser.

(in: nas asas do vento encontrei)

terça-feira, 28 de abril de 2009

R E S P I R A R

Respiro.

Já alguém pensou, no que e como respira?

Pois se não, que o faça urgentemente.

Não faltando o que se chama de ar

Há possibilidade de pensar.

Penso.

Em que pensarei após respirar, perguntarão

Essas sábias cabeças, que por certo também o farão.

Como devem saber, penso que respirando posso pensar.

E vou fazê-lo. Quero muito ar. Quero imensidão.

Sinto:

Tão profundamente quão profundo é o meu pensamento.

Mas se ele só chega aos sítios mais longínquos dissolvido no ar,

Pensamento mais ar dão-me a sensibilidade.

Espaço.

Sinto-me flutuar. Já imaginaram quanto pensamento e ar?

Sinto-me livre, com vontade de pensar,

Porque tenho o elemento primordial.

Mundo.

Tudo gira. Tudo é de tudo sem pertencer a.

Apenas estamos ligados pelo que me faz viver.

Ar.

Tenho-o não o posso perder de novo, há que respirar.

É isso. É impossível perder o respirar, respirando.

Mas não. Eu sei que é possível, por isso vou ter cuidado.

Não posso parar e tal como ele tenho de girar.

É a força do pensamento que me faz movimentar.

Penso.

Vivo.

Agarro-me à vida.

Respiro.

(in: nas asas do vento encontrei Orixá)

PERCEPÇÃO

by dv

Em que penso?

Em nada, ou melhor, sinto o pensamento angustiado.

Numa angústia pesada

Tapado por estorvos turvos

Obstáculos de difícil transposição.

Paredes, portas, madeiras, metais, são terríveis!

É preciso transpô-los mas...

Acabo no nada, como defesa talvez e cansaço.

Mas na defesa está tu,

Que és um mar, uma praia,

Uma rocha, uma pedrinha, uma areia,

Uma ave e contigo vou saindo...

Agora é mais fácil, já cá estamos e sabes?

É muito bonito. É a liberdade.

É uma fuga, para não fugir à realidade.

É uma realidade da fuga,

Fuga que não está só.

Está tão repleta de realidade

Que nos faz não sonhar, a sonhar!

Agora tudo é mais bonito, bonito de esforço, claro!

Esforço para conseguir ver o que é feio e escuro,

Sem acabar no nada! Ver tudo, sem esse tudo,

Para conseguir arranjar da melhor maneira,

Coragem para enfrentar tudo!

(in: nas asas do vento encontrei)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

TRANSLÚCIDO

by dv


Levanta-se um véu.
Descobre-se então algo de maravilhoso
Que se julgava para sempre perdido.
Intacto, sem marcas de tempo, ressurge.
Ressonâncias ou apenas ecos longínquos.
Bloqueio. Mensagens apenas audíveis na imaginação...
Recursos não humanos num Mundo desconhecido.
Refracção de luz que provoca a cor onde não existe.
Leve sussurrar de águas, que apenas deslizam por deslizar,
Cansadas do seu leito em círculo, que une nascente e foz.
Castigo desumano à visão humana no limite de Ver.
Deturpação da realidade global através de análise minuciosa.
Desconhecimento do Todo por não se conhecer cada pormenor.
Impossibilidade pelo Tempo/Espaço/Ser, que nos leva à desistência.
Rebates de consciência de Almas fossilizadas lutando pela Liberdade.
Corpos inertes.
Arqueologia esperançosa no apuro da Verdade.
Réstia de esperança de quem se dedica à Procura.
Resvalar de uma pedra que desencadeia a avalanche.
Coragem de recomeço.
Golpeios incertos nesta floresta oculta.
Desbravar de terras através da Terra.
Reabastecimento das forças para a conquista do Mundo.
Perguntas lançadas para o que não se aceita.
Não resignação perante o ser-se minúsculo para abarcar o Mundo.
Volteios desesperados em busca da saída.
Regressos avessos do que se pretende duma chegada.
Fúrias descontidas num abrir de olhos fechados.
Sussurros, talvez murmúrios, dessa água em circulo,
Ou quem sabe, resumos do que a imaginação Ouve.
Há a fuga para o voo nas asas dum suspiro profundo,
Abrir da porta para o que à razão se esconde.
É ver fluir uma imensidão de acordes,
Que nos transportam para um ritual sôfrego de realização.
São chamamentos ressonantes,
Como trompetes, que tocando em uníssono nos despertam para...
(in: nas das do vento encontrei)

domingo, 26 de abril de 2009

A CRUZ DA VIDA .........................................FÉ


Foto by Dina V.

Como me sinto calma depois de uma tão grande guerra.
Agora espero o amanhã.
Mas sinto no fundo da alma uma voz que me diz,
Fazes falta na Terra!
Eu nasci para morrer, sim é essa a verdade.
Mas não. Agora quero viver.
Quero sentir a felicidade.
Porque não hei-de vencer se me sinto amparada?
Tudo se torna mais leve, preciso é viver!
Mesmo se estiver desamparada vou lutar com ardor
E a cruz é menos pesada.
Todos temos uma cruz na vida e sem ela não haveria vontade(...)


Ficou a saudade
Perdida!
Nua rua vazia
Árida
Das lágrimas evaporadas
Quente!
Do esforço da saída.
Paredes ruíram, tectos ficaram
Apoiados nas paredes de um tecto qualquer.
Há que galgar as janelas fingidas
Desse quarto alugado, numa rua deserta.
Construir portas nas paredes caídas,
Assentar tectos nas paredes sem força.
Há que, erguer dentro, os pontos de apoio,
Chamar Operários de força Suprema
Que entrem, bem dentro
E ergam de novo a casa afundada!
(in: nas asas do vento encontrei Orixá)


GAIVOTA





Foto by Dina V.

Pairando no ar desliza com o vento.
Observa o mundo do alto e vê,
A gente que passa alheia ao Mundo.
Olha triste e quer contactar.
Cansada sobrevoa sem nada alcançar.
Ergue-se num voo, descendo a seguir
Rasando as cabeças sem lhes tocar.
Olhos perdidos num encontro falhado.
Mar de gente, sem rumo nem rota.
Um dia viu que alguém a notou,
Mas teve medo do ser diferente e voou.
Houve um contacto de olhos nos olhos,
Houve o mútuo chorar, o mundo da gente.
Houve o pavor do encontro falhado.
Ficou a saudade de nunca mais encontrar,
A gaivota perdida no no fundo do olhar!

(in: nas asa do vento encontrei Orixá?

domingo, 19 de abril de 2009

M Ú S I C A


A música cria-nos um passado que ignorávamos e desperta em nós tristezas que tinham sido dissimuladas pelas nossas lágrimas. No entanto limpa a alma do pó da nossa vida diária. Depois do silêncio é a música que melhor exprime o inexprimível.





Óleo: Dina V.


Gosto de música.
Gosto de ter o gosto pelo gosto. De ter o gosto pelo riso.
Gosto de gostar.
Gosto de ser simplesmente o que sou. Gosto de procurar e de saber onde estou.
Gosto de encontrar. Gosto de ter o que tenho, que é o gosto pela procura do para além.
Gosto de existir. Gosto de pôr à prova a questão se existo.
Se serei como sou, se saberei mesmo o que penso e porque penso no que sou.
Gosto de pensar. Gosto de me cansar a pensar.
Gosto do jogo da mente, gosto de enrolar o pensamento e de gastar as palavras.
Gosto de girar.
Gosto de repetir o que sinto, de sentir por dentro e por fora.
Gosto que uma ferida doa. Gosto do prazer da cura.
Gosto de dar liberdade, deixar fluir as palavras.
Correr pelas estradas, subir aos montes, gosto de cantar.
Cantar canções de palavras. Palavras cantadas sem voz.
Gosto de canetas. Gosto de tudo o que é louco, perguntar o que louco quer dizer.
Sinto prazer quando sei e não se consegue explicar.
Gosto do fácil que é perceber e que exista claridade, para que se possa entender.
Gosto dos olhos. Gosto de quem não tem olhos e Vê.
Gosto de gostar de gostar, porque simplesmente gosto, no simples acto de dar!
(in: nas asas do vento encontrei de Dina V.)

sábado, 18 de abril de 2009

P A Z


Óleo e aplicações: Dina V.


Nunca poderemos ter verdadeira alegria se não tivermos paz. O que é a Paz? É a consequência da vitória que exige de nós uma luta contínua.

MUNDOS III

Amor no mundo

Depois de olhar para trás, enquanto espero o Sol
Respondo a mim mesma indo noutra direcção.
É cedo ou tarde: luto Ele me dará a mão, é meu Pai.
Amar será tudo ou então nada se terá.
Mas deixem as coisas rolarem enquanto as faces aquecem,
Amando depressa faz-se tarde e cansa,
Mas Amar criando faz Viver, ainda que a noite se aproxime.
Ri e Vive, sê franco e puro. Procura-te!
Tu tens dentro do peito o que procuras, algo em troca, quem sabe o amor.
É por tudo o que acontece, onde quer que se procure,
Feliz do que anoitece, impotente mas com Luz.
Mas por outro lado há a dor dos que morrem, sem terem visto
O que de bom e a favor morre ao seu lado sem aviso.
Uns com tanto outros sem nada, dói por dentro é uma facada onde não acaba nem começa,
Mas é o mundo.
(in: nas asas do vento encontrei orixá)

MUNDOS II

No Mundo do Faz de Conta

Que teremos mais para além disto, senão uma vontade louca de não ter nada do que se tem.
É uma luta constante de desarmamento perante a luta.
Armas sem munições que nos levam a uma esperança.
Uma esperança secreta de vencer, vencer sem massacre.
Vencer com armas descarregadas, que só amedrontam, mas que dão uma certa segurança,
No Mundo do Faz de Conta.
Mundo no qual nem essas armas deviam ter cabimento, pois seria bom que pelo menos,
Pelo menos no faz de conta tudo fosse diferente.
Mas até isso já está corrompido. Levaram para esse mundo os vírus das epidemias,
Que destroem continuamente o mundo que deu origem, devido às insatisfações,
Ao Mundo do Faz de Conta.
E agora é preciso começar outro, mas de preferência, a sério e feito não só de faz de conta!
(in: nas asas do vento encontrei orixá)

MUNDOS I

Choro o mundo

Choram as pedras pelas coisas que não fora..
Choram os caminhos pelo tempo que não andam.
Choram as árvores pelo vento que não sentem.
Choram os rios pelos peixes que morreram.
Choram as aves pelo ar que lhes tiram.
Choro eu.
Por não saber o Tudo que existe.
Por não conseguir saber porque choro.
Por não chorar.
Choro sem lágrimas visíveis.
Choro doloridamente o que perdi.
Choro o que se ausentou de mim.
Choro sem saber se choro o que devo.
(in: nas asas do vento encontrei orixá)

OUTROS MUNDOS




Óleo: Dina V.

O pensamento humano, mais subtil e veloz que a luz, sobe e eleva-se para além das nuvens, e no seu voo assombroso transcende as barreiras do Universo visível, contempla e expande-se na imensidão.

EM CÍRCULO

Vou contar uma hoistória sem ter a preocupação das frases curtas, nem tão pouco de me cingir a um tema.
Vou entrar em confronto com a capacidade de através de palavras desnudar a mente.
Vou deixar....que tal como a naturalidade de um rio as palavras deslizem
Pelo leito secreto do meu pensamento...e se depositem na foz de um simples papel.
Tenho dificuldade em libertar a imaginação. Tenho raiva de não conseguir escrever quando quero.
As palavras ficam presas, grosseiras até, perante a incapacidade de tradução.
Mas deixemos o que não consigo. Vou passar às afirmações.
Existem coisas lindas, que nem quem as possuiu as conhece.
O Homem é um ser severo. Traços e mais traços por cima do que escrevo e não É.
Não estou hoje com a coragem que normalmente tenho para me decifrar.
Hoje as palavras estão grudadas às paredes da cela.
Gostava de dizer de uma forma bonita o que me vai na alma, mas até o pensamento tem direito a não pensar.
Mas pensa. Solta-se:
Cânticos. Florestas. Prados. Flores.
Análise:
Cânticos significando ar e liberdade, em espaço aberto.
Florestas de frescura aconchegante amenizando o calor árduo.
Prados que soltam o pensamento iluminando-o de reflexos.
Flores de colorido estonteante de movimento e Vida.
Natureza próxima, tão chegada a mim que me confunde. Sinto-me.
Redução:
Infinitamente pequena perante o que Existe.
(in: nas asa do vento encontrei de Dina V.)

M Ú S I C A

óleo: Dina Ventura



quinta-feira, 16 de abril de 2009

EXPOSIÇÃO DE PINTURA EM VISEU DIA 1 DE JUNHO 2009

"Ana Gonçalves, Ana Paula Lebreiro, César Amorim (mutes) e Dina Ventura, são os 4 artistas plásticos que dão corpo a este colectivo de pintura formado em 2009. Graças às novas tecnologias, foi possível juntar estes 4 amigos sem nunca se terem encontrado até á um dia atrás...
- Não escolhemos o assunto, o segredo das obras está aí, na concordância do assunto e do temperamento do autor. Na nossa arte, procurar nada significa, o que importa é encontra-la, no seu lugar de liberdade entre o pintor e a tela, sua confidente... A arte não teria lugar na história se os limites do mundo conhecido não tivessem recuado, e os meios de o conhecer, alargado á medida das suas transformações e das suas necessidades, numa tentativa de reconciliar a existência do sentimento de cada pintor, com a sua visão dos seus medos, alegrias, tristezas, loucuras e diversos estados de espírito. Esta é a arte de Ana Gonçalves, Ana Lebreiro, César Amorim (mutes) e Dina Ventura, numa tentativa de racionalizar um conflito de emoções dentro de cada um dos artistas, mas o mais importante do que a obra propriamente dita, é o que ela vai gerar dentro de cada um de vocês espectadores. As artes não são concebidas como acções historicamente invariáveis do género humano, nem como arsenal de “bens culturais” que vivem uma existência sem tempo, mas como um processo que avança sem cessar, como um (work in progress) do qual toda a obra participa, porque pintar é fácil quando não se sabe, porque quando souberdes deixa de o ser..." MUTES

Agradeço ao "mestre" mutes pintor toda a dedicação a este evento. Bem hajas.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

MUNDO ALADO


óleo: Dina Ventura

O Mundo não deve ter fronteiras e sim horizontes. Achar que o mundo não tem um Criador é o mesmo que dizer que uma enciclopédia é o resultado de uma explosão numa tipografia.


Astros que voam sobre as nossas cabeças, mundos que gemem sob os nossos pés.
Corpos alados num Universo perdido. Encontros de almas sofrendo.
Corridas loucas no tempo parado, procuras abertas em lugares fechados.
Visões momentâneas de um Mundo que existe, através de olhos fechados para o mundo.
Olhos abertos para o que não se vê, procurando sempre o QUÊ de existir,
Neste mundo de mortos agarrados à vida.
Procura incessante por caminhos fechados, com muros fechados de preconceitos e medos.
Voos rasantes numa terra perdida, esperança de voos numa terra encontrada.
Procura de asas poderosas e belas que nos levem a sonhar com o Segredo da Vida.
(Eu sou ínfima - in: nas asas do vento encontrei orixá)

domingo, 12 de abril de 2009

NASCIMENTO





óleo de Dina Ventura
Dádiva da Natureza em que a principal tarefa da vida do ser humano é a de dar nascimento a si próprio.




Nascer e crescer...

Parto 1

Onde estou eu? Que lugar é este onde me puseram sem carta de apresentação?
E foi assim que vim, que entrei aqui sem conhecer ninguém. Mas logo me vi rodeada.
Que querem? É para me verem? Que tenho de estranho?
Eles é que são. São enormes e chamam-se gente.
Donde vieram? Donde eu vim? Mas donde vim eu?
Sei que não os conheci e agora também não. Parecem-me agradáveis.
Não é isso, eles dizem-se bons, que gostam de mim, enfim são familiares, é isso.
Dizem que são família e tratam-se como tal, pelos nomes ques lhes ensinaram.
São bastante confusos, é melhor eu não falar.
Que graça mesmo não falando eles percebem-me, será?
Bem, pelo menos no campo material, porque nos outros campos...
Não devem saber, coitados. Pelo menos não os sinto.
Mas resolvi, não vou falar porque não quero explicar-lhes o que sinto, não vão perceber.
Que teimosos, só querem que os imite:
Querem que fale, que ande, que quererão afinal?
Sérá que não me percebem? Vou gritar, talvez assim me percebam. Grito! Grito! Grito!

Parto 2

Sabem uma coisa, cansei-me de gritar.
Vou ceder, vou falar como eles, pelo menos parecem satisfeitos.
Falo, ando e eles são felizes porque eu pareço feliz. São mesmo superficiais!
E sabem? Já me mandam, mandam não, exigem! Exigem que conte, números imaginem!
E pronto, uma vez mais cedi. Dei por mim a fazer rabiscos.
Ou melhor, como eles dizem, a escrever, a ler, a contar...e a chorar de já ser gente como eles!
E que fizeram eles quando chorei?
Que sou uma tola, porque choro, que sou ingrata, chorar por ter tudo.
Mas afinal que tenho eu?
Tenho um mundo que não conheço, que querem que eu veja como eles o vêem.
E vi. Vi que o mundo é um martírio de gente, não há Mundo, nem Vida, só há gente!

Parto 3

Já aprendi tudo o que queriam, pensava eu, claro, porque querem cada vez mais.
Mas só querem isso.
Eu é que me vou escapando e vou aprendendo outras coisas.
Que afinal eles não são tão família, nem tão bons como parecia,
Que me querem bem mas duma maneira cruel.
Tão cruel que me encarcera dentro de outras vidas,
Tapando o pouco de alimento que poderia existir, para alimentar a minha!
Mas vou cedendo ao longo do caminho e começo a tentar desculpar.
Porque como dizem, sou carne da carne deles e portanto têm de gostar de mim,
Só querem o meu bem. Mas coitados, não saben oferecer e por isso eu vou desculpando,
Pois puseram-me cá, precisamente para serem compreendidos,
Entendidos e amparados quando precisarem!
É isso...mas que pena só eles precisarem!

Parto 4

Mas que apredizagem! É um mundo de contradições.
Imaginem que cheguei à conclusão que me é benéfico o que me exigiam.
Agora falo, escrevo, conto e como me é útil. Se não tivéssse aprendido era chamada de inadapata,
Mas, sinto-me inadapatada por ter aprendido. Mas vamos crescer por outro caminho.
Ao chegar ao termo das desculpas, acabo por as reforçar porque encontrei a chave do problema.
Ser adulto.
Os adultos, como se intitulam, têm outro mundo.
Um mundo escuro, mentiroso, mas acabam por ser sinceros,
Pois foi esse mundo que me mostraram! Estou-lhes grata, pois aceitei-o para o rejeitar!

Parto 5

Mundo tão desleal, rejeitei-o e vou à procura doutro.
Vou à procura do meu Mundo!
Quero que não haja mentira, nem sofrimento, nem dor.
Mas logo que penso nisso começo a sofrer!
Porque esse mundo não existe, ou melhor,
Poderá exisitir em mim, mas vou dá-lo e partilhá-lo com quem?
Ninguém o quer. Começo a sofrer.
Acontece por vezes surgir-me, uma pequena luz...lá longe,
Mas logo depois é abafada, pela escuridão das desfeitas e começo a pensar numa nova luta.
E penso...quantas pessoas andarão como eu, isoladas a lutar, procurando um mundo melhor?
Porque não as procurar e partir com elas para uma mesma luta!
Mas não sei, não as vejo e, quando me parece tê-las encontrado, não querem e desistem
E eu começo a perder a vontade de lutar...
Para descansar vou à procura de um papel e caneta, para mostrar aos adultos que tinham razão.
É preciso saber escrever! Pena é que eles não entendam,
Porque é que saber escrever é importante para mim!

Parto 6

Sou adulta, consideram-me, é da lei! Mas ando na ilegalidade.
Procuro no máximo tempo possível, ser criança!
Mas é muito dificil, é uma luta constante entre a verdade e a mentira.
Por vezes sinto-me a cair numa rede de malhas muito pequenas.
Mas sempre consigo sair. Mesmo a sangrar vou para o meu Mundo.
São tantas as dores que se curam mutuamente.
Depois, curada estou e eis-me novamente no meio dessa luta sangrenta pela sobrevivência,
No mundo dos adultos.
Já não há mais mundo sequer. Para sobreviverem já o começaram a destruir e
Sentem-se felizes de tanta infelicidade.
Que virá a seguir? Que nome terá? Será morte ou final de uma missão.
Missão de destruição final e em mim a esperança de começar de novo para um Mundo diferente!
(in: nas asas do vento encontrei orixá) Dina Ventura

Então ainda bem que nasci, porque todos nós temos uma missão, uma tarefa, para connosco, para com os outros, para com o mundo e em especial para com a Vida. Lutem para acreditar e conseguirão ser felizes.