Porque será que os sentimentos caíram em desuso E só as palavras ficaram? Será que a realidade é isto? Será que agora só resta O medo de ligar essas palavras aos sentimentos sentidos? Não os chamando pelos nomes ninguém os irá entender. Então o medo persiste: Ou se cai na vulgaridade Ou se arrisca a não ser percebido. Se opta pelos dois É-se apontado como dando o dito por não dito. Então que fazer? Será preciso deixar de sentir? Mas isso é impossível! Então deve-se esconder o que se sente. É o isolamento compreendido, Levado ao extremo pela incompreensão. Incompreensão superficial não, essa é fácil, A outra é aquela da qual não se foge, Contra a qual não se luta E a qual nós próprios não compreendemos E nunca esta leva a compreender a dos outros, São sempre diferentes e se leva Entra-se na superficial, acabando por cair No baptismo de sentimentos.
É uma forma de diálogo do mais caloroso ao mais gélido. Talvez o mais sincero e melhor seja o que é trocado mil vezes com os olhos antes de chegar à boca.
Levanta-se um véu. Descobre-se então algo de maravilhoso Que se julgava para sempre perdido. Intacto, sem marcas de tempo, ressurge. Ressonâncias ou apenas ecos longínquos. Bloqueio. Mensagens apenas audíveis na imaginação... Recursos não humanos num Mundo desconhecido. Refracção de luz que provoca a cor onde não existe. Leve sussurrar de águas, que apenas deslizam por deslizar, Cansadas do seu leito em círculo, que une nascente e foz. Castigo desumano à visão humana no limite de Ver. Deturpação da realidade global através de análise minuciosa. Desconhecimento do Todo por não se conhecer cada pormenor. Impossibilidade pelo Tempo/Espaço/Ser, que nos leva à desistência. Rebates de consciência de Almas fossilizadas lutando pela Liberdade. Corpos inertes. Arqueologia esperançosa no apuro da Verdade. Réstia de esperança de quem se dedica à Procura. Resvalar de uma pedra que desencadeia a avalanche. Coragem de recomeço. Golpeios incertos nesta floresta oculta. Desbravar de terras através da Terra. Reabastecimento das forças para a conquista do Mundo. Perguntas lançadas para o que não se aceita. Não resignação perante o ser-se minúsculo para abarcar o Mundo. Volteios desesperados em busca da saída. Regressos avessos do que se pretende duma chegada. Fúrias descontidas num abrir de olhos fechados. Sussurros, talvez murmúrios, dessa água em circulo, Ou quem sabe, resumos do que a imaginação Ouve. Há a fuga para o voo nas asas dum suspiro profundo, Abrir da porta para o que à razão se esconde. É ver fluir uma imensidão de acordes, Que nos transportam para um ritual sôfrego de realização. São chamamentos ressonantes, Como trompetes, que tocando em uníssono nos despertam para...
Como me sinto calma depois de uma tão grande guerra. Agora espero o amanhã. Mas sinto no fundo da alma uma voz que me diz, Fazes falta na Terra! Eu nasci para morrer, sim é essa a verdade. Mas não. Agora quero viver. Quero sentir a felicidade. Porque não hei-de vencer se me sinto amparada? Tudo se torna mais leve, preciso é viver! Mesmo se estiver desamparada vou lutar com ardor E a cruz é menos pesada. Todos temos uma cruz na vida e sem ela não haveria vontade(...)
Ficou a saudade Perdida! Nua rua vazia Árida Das lágrimas evaporadas Quente! Do esforço da saída. Paredes ruíram, tectos ficaram Apoiados nas paredes de um tecto qualquer. Há que galgar as janelas fingidas Desse quarto alugado, numa rua deserta. Construir portas nas paredes caídas, Assentar tectos nas paredes sem força. Há que, erguer dentro, os pontos de apoio, Chamar Operários de força Suprema Que entrem, bem dentro E ergam de novo a casa afundada!
Pairando no ar desliza com o vento. Observa o mundo do alto e vê, A gente que passa alheia ao Mundo. Olha triste e quer contactar. Cansada sobrevoa sem nada alcançar. Ergue-se num voo, descendo a seguir Rasando as cabeças sem lhes tocar. Olhos perdidos num encontro falhado. Mar de gente, sem rumo nem rota. Um dia viu que alguém a notou, Mas teve medo do ser diferente e voou. Houve um contacto de olhos nos olhos, Houve o mútuo chorar, o mundo da gente. Houve o pavor do encontro falhado. Ficou a saudade de nunca mais encontrar, A gaivota perdida no no fundo do olhar!
A música cria-nos um passado que ignorávamos e desperta em nós tristezas que tinham sido dissimuladas pelas nossas lágrimas. No entanto limpa a alma do pó da nossa vida diária. Depois do silêncio é a música que melhor exprime o inexprimível.
Óleo: Dina V.
Gosto de música.
Gosto de ter o gosto pelo gosto. De ter o gosto pelo riso.
Gosto de gostar.
Gosto de ser simplesmente o que sou. Gosto de procurar e de saber onde estou.
Gosto de encontrar. Gosto de ter o que tenho, que é o gosto pela procura do para além.
Gosto de existir. Gosto de pôr à prova a questão se existo.
Se serei como sou, se saberei mesmo o que penso e porque penso no que sou.
Gosto de pensar. Gosto de me cansar a pensar.
Gosto do jogo da mente, gosto de enrolar o pensamento e de gastar as palavras.
Gosto de girar.
Gosto de repetir o que sinto, de sentir por dentro e por fora.
Gosto que uma ferida doa. Gosto do prazer da cura.
Gosto de dar liberdade, deixar fluir as palavras.
Correr pelas estradas, subir aos montes, gosto de cantar.
Cantar canções de palavras. Palavras cantadas sem voz.
Gosto de canetas. Gosto de tudo o que é louco, perguntar o que louco quer dizer.
Sinto prazer quando sei e não se consegue explicar.
Gosto do fácil que é perceber e que exista claridade, para que se possa entender.
Gosto dos olhos. Gosto de quem não tem olhos e Vê.
Gosto de gostar de gostar, porque simplesmente gosto, no simples acto de dar!
(in: nas asas do vento encontrei de Dina V.)
Depois de olhar para trás, enquanto espero o Sol Respondo a mim mesma indo noutra direcção. É cedo ou tarde: luto Ele me dará a mão, é meu Pai. Amar será tudo ou então nada se terá. Mas deixem as coisas rolarem enquanto as faces aquecem, Amando depressa faz-se tarde e cansa, Mas Amar criando faz Viver, ainda que a noite se aproxime. Ri e Vive, sê franco e puro. Procura-te! Tu tens dentro do peito o que procuras, algo em troca, quem sabe o amor. É por tudo o que acontece, onde quer que se procure, Feliz do que anoitece, impotente mas com Luz. Mas por outro lado há a dor dos que morrem, sem terem visto O que de bom e a favor morre ao seu lado sem aviso. Uns com tanto outros sem nada, dói por dentro é uma facada onde não acaba nem começa, Mas é o mundo. (in: nas asas do vento encontrei orixá)
Que teremos mais para além disto, senão uma vontade louca de não ter nada do que se tem. É uma luta constante de desarmamento perante a luta. Armas sem munições que nos levam a uma esperança. Uma esperança secreta de vencer, vencer sem massacre. Vencer com armas descarregadas, que só amedrontam, mas que dão uma certa segurança, No Mundo do Faz de Conta. Mundo no qual nem essas armas deviam ter cabimento, pois seria bom que pelo menos, Pelo menos no faz de conta tudo fosse diferente. Mas até isso já está corrompido. Levaram para esse mundo os vírus das epidemias, Que destroem continuamente o mundo que deu origem, devido às insatisfações, Ao Mundo do Faz de Conta. E agora é preciso começar outro, mas de preferência, a sério e feito não só de faz de conta! (in: nas asas do vento encontrei orixá)
Choram as pedras pelas coisas que não fora.. Choram os caminhos pelo tempo que não andam. Choram as árvores pelo vento que não sentem. Choram os rios pelos peixes que morreram. Choram as aves pelo ar que lhes tiram. Choro eu. Por não saber o Tudo que existe. Por não conseguir saber porque choro. Por não chorar. Choro sem lágrimas visíveis. Choro doloridamente o que perdi. Choro o que se ausentou de mim. Choro sem saber se choro o que devo. (in: nas asas do vento encontrei orixá)
O pensamento humano, mais subtil e veloz que a luz, sobe e eleva-se para além das nuvens, e no seu voo assombroso transcende as barreiras do Universo visível, contempla e expande-se na imensidão.
Vou contar uma hoistória sem ter a preocupação das frases curtas, nem tão pouco de me cingir a um tema. Vou entrar em confronto com a capacidade de através de palavras desnudar a mente. Vou deixar....que tal como a naturalidade de um rio as palavras deslizem Pelo leito secreto do meu pensamento...e se depositem na foz de um simples papel. Tenho dificuldade em libertar a imaginação. Tenho raiva de não conseguir escrever quando quero. As palavras ficam presas, grosseiras até, perante a incapacidade de tradução. Mas deixemos o que não consigo. Vou passar às afirmações. Existem coisas lindas, que nem quem as possuiu as conhece. O Homem é um ser severo. Traços e mais traços por cima do que escrevo e não É. Não estou hoje com a coragem que normalmente tenho para me decifrar. Hoje as palavras estão grudadas às paredes da cela. Gostava de dizer de uma forma bonita o que me vai na alma, mas até o pensamento tem direito a não pensar. Mas pensa. Solta-se: Cânticos. Florestas. Prados. Flores. Análise: Cânticos significando ar e liberdade, em espaço aberto. Florestas de frescura aconchegante amenizando o calor árduo. Prados que soltam o pensamento iluminando-o de reflexos. Flores de colorido estonteante de movimento e Vida. Natureza próxima, tão chegada a mim que me confunde. Sinto-me. Redução: Infinitamente pequena perante o que Existe. (in: nas asa do vento encontrei de Dina V.)
"Ana Gonçalves, Ana Paula Lebreiro, César Amorim (mutes) e Dina Ventura, são os 4 artistas plásticos que dão corpo a este colectivo de pintura formado em 2009. Graças às novas tecnologias, foi possível juntar estes 4 amigos sem nunca se terem encontrado até á um dia atrás... - Não escolhemos o assunto, o segredo das obras está aí, na concordância do assunto e do temperamento do autor. Na nossa arte, procurar nada significa, o que importa é encontra-la, no seu lugar de liberdade entre o pintor e a tela, sua confidente... A arte não teria lugar na história se os limites do mundo conhecido não tivessem recuado, e os meios de o conhecer, alargado á medida das suas transformações e das suas necessidades, numa tentativa de reconciliar a existência do sentimento de cada pintor, com a sua visão dos seus medos, alegrias, tristezas, loucuras e diversos estados de espírito. Esta é a arte de Ana Gonçalves, Ana Lebreiro, César Amorim (mutes) e Dina Ventura, numa tentativa de racionalizar um conflito de emoções dentro de cada um dos artistas, mas o mais importante do que a obra propriamente dita, é o que ela vai gerar dentro de cada um de vocês espectadores. As artes não são concebidas como acções historicamente invariáveis do género humano, nem como arsenal de “bens culturais” que vivem uma existência sem tempo, mas como um processo que avança sem cessar, como um (work in progress) do qual toda a obra participa, porque pintar é fácil quando não se sabe, porque quando souberdes deixa de o ser..." MUTES
Agradeço ao "mestre" mutes pintor toda a dedicação a este evento. Bem hajas.
O Mundo não deve ter fronteiras e sim horizontes. Achar que o mundo não tem um Criador é o mesmo que dizer que uma enciclopédia é o resultado de uma explosão numa tipografia.
Astros que voam sobre as nossas cabeças, mundos que gemem sob os nossos pés.
Corpos alados num Universo perdido. Encontros de almas sofrendo.
Corridas loucas no tempo parado, procuras abertas em lugares fechados.
Visões momentâneas de um Mundo que existe, através de olhos fechados para o mundo.
Olhos abertos para o que não se vê, procurando sempre o QUÊ de existir,
Neste mundo de mortos agarrados à vida.
Procura incessante por caminhos fechados, com muros fechados de preconceitos e medos.
Voos rasantes numa terra perdida, esperança de voos numa terra encontrada.
Procura de asas poderosas e belas que nos levem a sonhar com o Segredo da Vida.
(Eu sou ínfima - in: nas asas do vento encontrei orixá)
Armadilha de Eros
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Provocador da loucura é o amor enfeitiçado
Amantes e filósofos em rituais se lhe submetem
Filho da desordem sedutor desejo de atracção sensual
Coadjuvant...
A Big Question
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*Fotografia: Nuri Bilge Ceylan*
"Uma das questões primordiais da Humanidade é a de saber até que ponto o
homem é naturalmente bom ou naturalmente mau.
Se...
Não tenho muito a dizer, apenas sinto que estou por cá para evoluir como ser humano e que para isso terei a cada dia que passa ter uma maior capacidade de aceitação, com tranquilidade e muita paz.