terça-feira, 14 de julho de 2009

ENCANTO

by: Romanelly



Segredo que não é conhecido

Mas se revela no enlevo da alma.

Singelo, harmonioso e contido.

Cofre secreto donde nada se espera,

Desliza apenas no sonho, com calma

Suave. É a brisa que apenas embala

E sem razão reflecte as marés.

Vão e vem, hipnotizando as estrelas

Que caem na água e transformam,

O mar em céu e me fazem voar.

O céu não as perde, só as empresta

Para as águas opacas poderem brilhar!

Para que nas águas eu possa colhê-las

Dar-lhe vida e tas entregar.

Num simples olhar, nem tocar é preciso

Na luz o abraço, nas estrelas o sorriso.

Reflecte-se na água o sentir eterno

Da figura não humana do sentir

Retorna-se ao mais profundo do ser

À essência de nós, que nos faz abrir

Os caminhos do Universo e Viver

O encanto de mim, do mundo a meus pés,

No sol o abraço, nas estrelas o sorriso

Que sem razão reflecte as marés!

Dina Ventura 9 de Julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

REPETIÇÃO

É algo ambíguo e com bastante duplicidade.

É um acto ou efeito. Ao reiterar-se a mesma ideia pode ser cansativo.

Ao repetir a mesma palavra pode ser um erro.

Mas por outro lado, uma figura de retórica com intenção formada:

Repetir a mesma coisa, a mesma ideia, palavra ou acto

Dando mais energia e ênfase ao que se pretende, ou subentende.

E é nessa palavra que me apoio para receber uma lição particular…

Para completar as lições que tenho de aprender e saber,

Estudar e compreender para, se necessário, as repetir noutro circuito.

Também tal qual o espelho repete a imagem das coisas e reflecte.

Como o vale que repete, repercutindo o som à origem

Ou que promove o seu reaparecimento, no mesmo ou noutro lugar.

Será que se torna cansativo? Sim acho que muitas vezes o será!

Então que fazer?

Como não deixar que a fadiga se instale?

Que o espírito não se canse?

Tal como o sol fatiga a vista…há que descansar!

Para ganhar forças, criar espaços, fazer esquecer…

Para depois recomeçar…

7 de Julho de 2009

VANGLÓRIA DO SER - CALIBRE

Podem não existir obrigações a serem vividas e sim e apenas, ajudas e apoios para a transformação, ou simplesmente encontros presenteados pelo acaso. Talvez sejam oportunidades permitidas para vermos, o que está bem ou mal, ou então esconder de si mesmo o que acha que deve. A ele lhe cabe.
Não se deve entregar tudo ao destino e ao tempo. Nascemos das famílias que nascemos, porque é através delas e no seu seio que nos encontraremos e veremos quem somos, mesmo não tendo. Que enfrentaremos as nossas dificuldades e os degraus que teremos para subir. Difícil? Sim por vezes.
Mas quando percepcionado, as forças redobram-se.
Renovam-se e a cada degrau se renasce.
Aí encontramos companheiros de viagem, que descansam no desânimo da longa caminhada ou na esperança.
Retomamos encorajados por eles, ou encorajando-os.
Ou então nem os vemos, não nos apercebemos porque estão.
Mas sempre há a despedida no abraço de consolação ou solidão. Mas há.
Pois o nosso eu requer e exige a solidão para se encontrar.
Mesmo que isso nunca aconteça na totalidade, são regressos ao interior, chamados sinuosos, tortuosos e até enganadores.
Dizem-se perfeitos, enredam-nos na ilusão e fazem com que percamos a razão, a noção do somos, para que estamos e para onde vamos.
Reflectem-se em nós os brilhos ofuscantes, o que achamos nos ofuscam, sem pensarmos ou avaliarmos que somos nós os reflectores e refractários de tudo o que nos cerca.
Mas se sabes quem és ou finges saber ser, olha ao teu redor e nos outros te reconhecerás. Olha bem, com quem te enfureces e tenta compreender. Esse ser, só te pode enobrecer, pois faz saltar o que ainda terás e poderás trabalhar.
Nunca te vanglories do que achas ser, pois quando o fizeres deixas de ser.
O que É não se fala, não se enumera, nem nunca se altera. Apenas flui, deixa transparecer, é absorvido e emanado do Ser. Porque apenas É para ser.
Ninguém é mais ou menos. Mal de quem se acha acima ou abaixo e se esquece do seu lugar. Esse sim é importante, é mutante e faz nivelar.
Nada pode contra o nível a que cada um se propõe, mesmo que os desníveis se aproximem a cada instante. Pois é nesse tempo, nesse momento, que o nível do ser pode e deve melhorar.
Calibre? Sei lá! O que importa é que Seja, tenha dimensão e grandeza! Espécie e qualidade e não se refugie na inutilidade da vangloria do ser.
Dina Ventura 6 de Julho de 2009

À LUZ DAS VELAS

bv: dv

I____________________________________________

As vaidades das grandezas humanas são o que valem.

Não passam de meras fragilidades, coisas vãs e fúteis

Desejo de brilhar para atrair a atenção dos outros.

Presunção ridícula.

Que ganas! Desprezar as vaidades mundanas!

Ostentar os pergaminhos, a inanidade das ambições humanas!

Se tudo o que é inane se preenchesse, que aconteceria?

Que seria dos espaços da vaidade da grandeza humana?

Acabavam as fragilidades, as coisas vãs e fúteis?

Existiria o desprezo pelos mundos inúteis.

Mas será que mesmo assim acabaria o desejo de brilhar,

De atrair a admiração superficial dos outros,

Da presunção ridícula de qualquer forma atrair e querer atingir.

Cair na tentação e vanglória do orgulho mísero dos seus pergaminhos?

Ao olhar o seu oposto, a modéstia vê o néscio

E no seu pedantismo e petulância apenas lhe restará o fogo-fátuo.

Valerá a pena, apenas por momentos sentir a vanglória?

Sentir que se é rei dum reino que não existe

E apenas persistir em reinar? E foi devido à falta de electricidade

Que todas estas barbaridades me assaltaram a mente,

Porque comecei a conversar com a folha ao contrário.

Ou seja, sem paciência para nada fazer, depois de ela se ter ido.

Então resolvi escrever à luz da vela e foi o seu bruxulear

Que me transportou para as brumas dicionárias!

Porque terá sido? Porque as palavras menos usadas se escondem?

Se esquecem, ou nos enlouquecem por não as escrevermos?

Mas se não as conhecemos, como surgem do nada no meio da escuridão?

Do nada escrevo, do nada penso, do nada aparece algo

E de algo nasce a Luz, apesar de continuar apenas à luz da vela.


II______________________________________________________

A espera mantém-se, pelo que não é habitual.

Sem ela tudo pára…comigo deu-se o oposto.

O pensamento não estando tão ocupado ou centrado,

Foge-me para coisas que não conheço…

Palavras “caras” dizem alguns! Ela vai ao dicionário!

E não é que fui? Fui mesmo! Ver os significados para inane.

Porquê para esta e não outra? Pareceu-me conhecê-la,

Ou quem sabe reconhecê-la e confundi-la com “insane”!

E não sei porque não o é e tem de ser insano.

Mas porque o terei pensado?

Para alguns até poderá ter significados próximos.

Sim porque se esta última nos remete para a loucura,

Para a insensatez e demência, talvez acabe por conduzir

Ao esvaziamento do conteúdo dito normal e vá cair no inane.

Mas enfim acaba por ser uma árdua tarefa

Dissertar sobre insano, porque no sentido figurado, é isso mesmo:

Difícil, excessivo e portanto um trabalho insano quase inane,

Escrever à luz de uma vela bruxuleante.

Dina Ventura 6 de Julho de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

DIFERENÇAS ENTRE - arte Arte e ARTE

Havia um vazio profundo que nada nem ninguém conseguia preencher. Era um viver penalizando-me e penalizando os outros que me tinham tornado assim, não tendo ainda tomado consciência que tudo estava em mim. Esse emaranhado de sentimentos começaram a aflorar com uma necessidade de evoluir interiormente e isso implicaria o sair, o encarar o mundo. Não podia continuar a fugir de mim e dos outros, para com um egoísmo adulador tentar marcar a diferença e justificar a não capacidade de edificação. Ouve uma necessidade muito grande de me conhecer, de tentar saber o que toda a gente questiona, porque por mais diferentes que nos achemos não passamos de simples mortais, do porque é que somos e para onde vamos.

Sendo o transpor para o papel uma auto terapia, senti necessidade de passar para o exterior as minhas sensações através da pintura, experimentando fazê-lo com um pouco de vergonha por lhe chamar isso. Mas como poderei chamar às telas onde coloquei, através das cores, o que sentia no momento. “Arte - aplicação de conhecimentos racionais e de meios especiais à realização duma concepção. Opõe-se à ciência teórica e à prática espontânea. Conjunto dos meios que o ser humano emprega para exercitar sensações, sentimentos e em especial o sentimento do belo. Como para tudo existe um mas, também pode significar ardil, maldade, artifício, astúcia, modo, jeito.” Definição retirada da enciclopédia Lello Universal.

Poesia, arte, literatura são conceitos eivados de uma subjectividade concreta. A vida é toda um emaranhado de situações dúbias, reais e irreais, uma amálgama de sentimentos, manifestados através das formas mais diversas, desde o crime ao amor, da delicadeza à avidez. Todo este conjunto de sentimentos, sentido quotidianamente por quantas pessoas que respiram, não são levados até às últimas consequências, não são apreendidos, nem retratados. Não são mesmo vividos, são muitas vezes apenas percepcionados. Contudo, a vida seria bem melhor se as situações fossem efectivamente vividas. Mas por vezes as pessoas não têm ou não querem ter sensibilidade para tal, pois os seus afazeres absorvem-nas de tal forma que nem tempo têm para ler, admirar ou até Pensar. Porque digo isto? Exactamente porque poesia, literatura, pintura, enfim Arte, tentam através da sua forma subjectiva levar a complexidade da vida junto das pessoas, mostrar-lhes as situações concretas, denunciando-lhes tudo o que a elas pouco lhes diz na aparência, mas que através de metáforas e enquadramentos entendem, meditando depois.

Como diz o poeta: “A arte é um encontro e há tanto desencontro nesta vida”. É isto. A arte é um encontro, é o encontro da beleza com a realidade ou a busca do caminho para tal, é o encontro das pessoas, por si só e entre elas, é a comunicação da vida, é o dar de cada um, é a vivacidade de saber viver, de saber compreender, de saber transmitir.

A arte não é só apreciar que as cores das aguarelas estão bem enquadradas naquele motivo, é saber, porque motivo elas se transformaram em quadro. E aí sim, aí teve de se ir ao âmago da imaginação de quem pinta e de quem sente a pintura. Aí, tentou saber-se o porquê daquele quadro e não doutro e o que pretende ele transmitir. Porque será que a rosa e a pomba brancas, são símbolos do amor e da pureza? Porque é assim que o amor deverá ser, será? Assim a Arte tenta mostrar ao mundo, o que o mundo não quer ver. A sensibilidade inerente à sua própria condição, leva-os a identificarem-se com esta ou aquela forma de sentir e depois relatam, transmitem, querem ser compreendidos. E era bom que fossem. Os desencontros da vida, a não identificação entre o pobre e o rico, entre o intelectual e o popular, entre o homem e a mulher, a guerra e a paz, o bem e mal, amor e ódio e um não mais acabar, são temas que integram as obras de arte, quer seja de Arte propriamente dita ou da arte em geral. É aqui que a arte encontra a vida, é aqui que a arte se dá, para receber da vida. Bela, feia, recalcada ou liberta, activa ou apática é esta vida que a Arte expressa. São as realidades da vida que através dela se expandem, se propagam e se divulgam. Mas não é só isto. É também o saber fazer isto, saber transmitir, saber divulgar. Muitas pessoas estão fechadas e é para com essas que é fundamental que a arte funcione. É contra esta vicissitude que muitos artistas devem lutar. É neste campo que eles devem combater para mostrar que a arte, com “A” grande, é sentir, é viver, é ser.

Tema controverso este da arte. Ou da Arte? Tema passível de várias interpretações, dependendo da arte de sentir. Mesmo sem sermos artistas vamos aprofundá-lo, porque para tudo é preciso arte e em especial para viver. Mas nem sempre o que temos dentro de nós está pronto para ser mostrado de uma forma bela aos olhos de todos, por isso o que para mim se tornou muito importante, foi mostrar sem medo o que à partida poderia não ser belo e muito menos Arte, mas que seria a única forma de lá chegar.

Já que não tenho alma de Artista quero ser artista com Alma. Sem medo ou vergonha de ser o que sou.

Não sei se foi por me ter debruçado sobre o significado da palavra Arte que despoletou em mim uma vontade imensa de pintar e desenhar ou apenas o ter descoberto que não conseguia descrever o que sentia através das letras e que talvez o conseguisse colocando para a tela as cores da alma. Assim fiz, não sendo um trabalho com técnicas de arte ou esteticamente belo, teve na altura e mesmo agora à distância um valor muito especial, do qual não me envergonho, antes pelo contrário, pois como tudo, também fez parte da procura para me conhecer. Comecei pelo desenho à vista, a lápis. Foram os meus primeiros trabalhos mais sérios e talvez razão para terem sobrevivido até agora. Como acontece com tudo na vida, pouco a pouco fui perdendo o medo de não ser capaz e ganhando coragem para me aventurar em novas experiências, passando da simples folha desenhada a lápis de cor, passando para o carvão, aguarelas, até me aventurar à tela e ao óleo.

Cada um sente o que sente como sente. Se uma criança ler estas palavras e estiver no grupo dos privilegiados que nada lhe falta, possivelmente perguntaria à mãe se esta pessoa tinha problemas mentais. Não estaria de todo errada, era por tê-los que dava tanta importância a tudo que de seu poderia ficar exposto, ser criticado ou rejeitado. A pseudo artista só mais tarde veio a perceber o valor da sua obra, não por ser uma obra de arte, mas sim por ser a Arte para conseguir viver.

(in: nas asas do vento encontrei) Dina Ventura

quinta-feira, 2 de julho de 2009

DIVERTIDO

Dei de olhos com uma sinalefa para apreciação de textos!

E lá estava ela num simples espaço quadrado! Um visto

Em forma de ave longínqua, que denunciou a passagem

De alguém! Que ao ler, se leu, o que está escrito

Ficou quem sabe, alheio, desatento, alegre, entretido,

Ou quem sabe até recreado! Antes isso que o antónimo!

Mas divertido também pode significar, dissuadir-se de algo

Mudança quem sabe e desvio da aplicação.

O divertimento musical, são pequenos entre actos

Composto de dança e música, que terminam em representações

Dramáticas. Ora isso pode simbolizar, que nem sempre

O que achamos ou queremos acreditar ser divertido, o seja

E sim, não passe ou seja apenas um esforço para fuga

A representações mais profundas. Porquê?

Por falta de tempo, ou receios intensos do mesmo,

Porque a própria diversão contém o acto

De voltar para uma e outra parte, devido a inconstâncias.

Tal como uma operação militar ou doutro tipo qualquer,

Que apenas faz da diversão uma manobra,

Tendo como finalidade desviar o inimigo,

Tal como se tenta desviar o espírito para coisas diferentes,

Daquelas que nos preocupam, mexem, remexem e desnudam!

Portanto o que poderá ser um confronto,

Passa a divertimento estratégico.

“Isto” não é um poema e sim uma dissertação, acerca

De quem passa por aqui, que muito me enobrece a alma,

E considera o lugar, Regatos da Concentração, divertido.

Bem vindos e que realmente o sintam também como tal,

Que os ajude a desviarem-se do que os preocupa

E se sintam divertidos pelo menos por instantes

E que a Vida é o verdadeiro divertimento

Quando se consegue Alcançar. Mas temos de excluir

A tentação de passar divertido a divertículo

Porque passaria apenas a ser um apêndice oco e sem saída.

Dina Ventura, 1 de Julho de 2009


FANTÁSTICO

Outro olhar…e logo ao lado do divertido está o fantástico!

Não passando também de incógnito, ficam bem juntos!

Não sei porquê, mas lado a lado, dão-se compostura….

Acho que não, tira talvez a graça ao divertido, será?

Porque no fantástico está o criado pela tentativa,

Que pode tornar-se extravagante ou até absurdo.

Porém com capricho de devaneio. O fantástico nasce

Da inquietação e da dissociação que choca a razão.

Podem figurar fantasmas e sem dúvida ou com ela,

O que só tem cabimento na imaginação. Será mesmo?

Por ser oposto, ou quase, do real deixa de o ser?

Mas o fantástico é distinto do maravilhoso, dos contos de fadas,

Dos romances, onde o encantamento e a magia são a regra!

Fantástico é o intruso, um invasor do mundo submetido à técnica.

Coloca lá, a sua fonte de imaginação, de mistério, de horror até

Nas fissuras do pensamento cientifico!

Na vida através de várias vias encontra-mo-nos frente a frente

Com fenómenos que surgem do vulgar, por vezes até maléficos,

Mas que não passam de fantásticos, no contexto da vida real!

E assim nasce da inquietação e da dissociação indo embater na razão!

E estes seres fantasmagóricos, afinal existem na realidade

Ou somente na imaginação? Quem sabe?

Talvez como na actualidade, não passem de ficção científica,

Como forma de tentar prever, conhecer o futuro,

Por tanto o desconhecer e temer!

Dina Ventura, 1 de Julho de 2009


SURREALISMO


Chamam-lhe tantas coisas! Entre elas, movimento

Que tende a expressar o pensamento Puro,

Com exclusão de toda a lógica, preocupação moral,

Cultural ou estética. Apenas exprimir!

Então a sua forma mais correcta seria sobrerrealismo.

Assim tento alcançar o funcionamento real do pensamento,

Entregando-o sem qualquer domínio, nem preocupação,

Se ligará bem ou mal, se faz sentido ou não, apenas deixo fluir,

Os impulsos da minha vida interior, para tentar

Desvendar minuciosamente o Mistério da Imaginação!

Dos sonhos, das associações de ideias escolhidas, sem o serem,

Entre as menos racionais. Isso faz de mim surreal?

Encontrar-me com o acaso e questioná-lo?

Faz de mim algo que sou, mas deixo ser?

Acho que não. Sinto como Ser, que o que temos, possuímos

E somos, é para ser desvendado, trabalhado, descodificado

Ou até ficar em código se necessário, para que seja preservado.

Ou a não possibilidade de compreensão, por cada pormenor

Ser apenas pormenor de si mesmo.

Mas permite, que muitas partes da mente se abram,

Se dirijam a si mesmas e sem vergonha ou receios

Cumprimentem apenas, ou se tornem amigas da imaginação!

Dina Ventura, 1 de Julho de 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

NÚMEROS, TRANSCENDÊNCIA E METAFÍSICA - SOMOS SUBLIMES

by: dv


Ou algo de Superior, sublime que prima no seu género,

Com capacidades e talentos, que excedem os limites do ordinário.

Que ultrapassa o mundo da experiência, assumindo uma outra natureza,

Apoiada na filosofia, para não tropeçar na metafísica.

Pode haver o cálculo diferencial, que se efectiva para achar

O resultado da combinação de algo, parte da análise transcendente

Em que se consideram partes infinitamente pequenas,

Que não permite colocar em equação várias condições:

Geométricas, mecânicas e físicas.

Depois vem o oposto. O cálculo integral, seja para explicar ou partilhar,

Ou simplesmente extrair as raízes, para formação das potências.

Mas são regras matemáticas, que não são algébricas

E sim a junção ou equação transcendente,

Que permite possível a acção de tornar igual.

É assim a fórmula para a igualdade entre quantidades

Que dependem umas da outras, dando a oportunidade

De resolver a equação e encontrar as raízes.

Mas mesmo com curvas transcendentes se questiona.

Pois são linhas que se apresentam com fontes

De direcção constantemente variável,

Ou então, com pontos que mudam de direcção em constância.

Com a análise minuciosa, se alcança a estrutura dos seres organizados

E das relações entre os órgãos que os constituem. Anatomia.

Mais um número? Sim, mas transcendente porque não satisfaz

A condição de apenas racional.

Apesar da sua relação entre uma quantidade e outra,

Formada como termo de comparação e chamada de unidade.

Áureo número ou ciclo lunar de dezanove anos,

Que nos leva para a doutrina da essência das coisas.

Metafísica ou conhecimento das causas primárias.

Não é um método discursivo e abstracto, mas sim

Intuitivo, que luta por conhecer o interior da própria coisa.

No que ele tem e é de individual e de concreto.

Chegando assim desta forma, na qualidade de ser,

Até ao absoluto. Seja a metafísica crítica ou positiva,

Examina a ideia verdadeira, o valor e os limites do conhecimento.

Estuda as noções do espaço, do tempo, da matéria,

A vida, a alma e o seu destino!

Somos sublimes!!!!!!

Dina Ventura, 30 de Junho de 2009


sexta-feira, 26 de junho de 2009

REFLEXÃO SOBRE O PROGRESSO DA ALMA

by: dv

Logo a primeira palavra nos remete para o que será e aí medito.

Ao perguntaras o que é, não te consigo responder.

Só consigo sentir, que é um caminho, a forma de imergirmos em nós.

Ou caminhos mais ou menos longos, que temos de percorrer.

É um processo sem regresso, sem paragens ou retrocessos.

Assim que se enceta, não tem volta.

Só tem é a revolta de não se conseguir encontrar, chegar e entrar

Por outros e mais outros, até poder encontrar.

O quê? Também não sei, só sinto!

Que é imenso, intenso, que existe e é real, não tenho dúvidas.

É lá que ela se encontra, se define, se conhece e até esquece

Onde está. Num corpo apenas, que não lhe obedece,

Não corresponde ao que precisa, mas que não deixa de ser a ponte.

Entre o caminho e a fonte,

Onde só se consegue beber aos poucos dessa imensidão.

Mas enquanto se percorrem os caminhos, avançamos e reflectimos,

Que nem sempre o progresso é, o que pensávamos.

É uma estrada longa, solitária,

Onde por vezes aparecem outros caminhantes,

Que se aproximam ofegantes, talvez em busca de companhia,

Ou sabedoria, ou informação para conforto e confirmação

De qual a direcção. Mesmo sós, acompanham-se e iluminam-se,

Pois nesta insustentável vida terrena a alma é grande demais

E eu sinto-me tão pequena, diminuída perante ela,

Esmagada pelo seu peso que me tenta levantar.

Contradição? Não, apenas pequenez perante ela,

Que no entanto me conforta e ajuda a resignar,

Perante a minha incapacidade e incute-me a vontade de continuar.

De nunca desistir de percorrer os caminhos,

Mesmo que não tenha certezas se o serão, não passando de atalhos.

Mas o que importa é que me levem até Ela, porque é a recompensa.

Mas é assim…são os retalhos de cada retalho, que nos fazem progredir,

Andar, aprender, evoluir e encontrar nesta vida, os acessos,

Retalhos, luzes e forças para poder no final

Fazer o Manto de Retalhos, que se chama Vida a preencher.

Dina Ventura 26 de Junho de 2009





quinta-feira, 25 de junho de 2009

OUSADIA - CONTRARIAR LUíS VAZ DE CAMÕES

bv: dv

Talvez por ser incomparável o posso fazer, porque não?

O pensamento é livre. E de tanto o ser, não o consigo controlar.

Hoje acordou-me e gritou em surdina:

Vais voltar a escrever e sabes o quê? Vais contrariar Camões!

Como fazê-lo se ele é o expoente máximo do que não sou?

Como atrever-me a compreender o incompreensível para contrariá-lo?

Mas não tenho alternativa o pensamento exige, maltrata-me até o fazer.

Pois seja. Então contrariemos Camões!

Porque o amor é fogo que arde e se Vê!

É isso, é por aí que tens de começar! Pelo mais conhecido!

Pois será ainda maior o risco, maior o atrevimento!

Cala-te pensamento e deixa-me pensar, ou melhor não pensar

Para conseguir concretizar.

Amor é fogo que arde e se vê. Não é ferida, mas dói.

E é dor, mas que não perde o rumo, apenas para doer.

Ela sabe o que faz, pode entrar em desatino, mas não perde o tino.

É algo sem limites, portanto não se deixa de querer mais.

Seja o que for que se queira, será sempre mais nem que seja nada ter.

É geralmente solitário, quando acompanhado pela multidão,

Mas que sempre acompanha e está no coração.

Mandando embora a solidão.

É um apaziguar-se com o que tem e beber na felicidade real.

É um sentir que se perde, mas apenas se não se tiver o sentir.

É não sentir necessidade de prisão e libertar-se na imensidão.

É nunca precisar servir porque não há vencedores,

Nem vencidos…existem os iguais.

Do que se dão, ganham Vida, Crença e é o Amor a semente,

Que entra nos corações, no corpo, na alma e na mente

E desperta os mais distintos e nobres sentimentos

Sem fingimentos, pois se ele É, não será contraditório.

Pode ser incompreensível, inatendível, mas não contraditório.

Não tem prisões, nem amarras, nem esperas, nem alcances.

Ele é a liberdade do sentir, que por vezes ninguém entende.

Ou melhor, diz entender mas não é capaz de o Viver.

Dina Ventura 25 de Junho de 2009




sábado, 20 de junho de 2009

PUZZLE ETÉREO

by: dv

Cada alma é uma peça de um Puzzle maior.

Mas apesar de fazer parte de um todo, é única e individual.

Mas e se outra peça coincidente aparece? Não é ela, é outra.

Apenas se complementam, se confundem e se parecem,

Porque têm arestas coincidentes. Serão arestas? Não sei.

Mas é nisso que elas se sentem, sabem e reconhecem

O lugar onde estava unidas, em contacto e donde provêm.

A alma não esquece, apenas sente o vazio de nem sabe o quê.

E quando se apercebe, tudo se revela e desperta.

Remexe-se, revolta-se, luta para se desligar e pergunta como lidar.

Como saber em que arestas estavam unidas e como separar?

Provoca confusão, união, dissolução e incompreensão.

Tudo parece o mesmo, tudo é sentido igual, mesmo sem qualquer justificação.

Há a identificação. Sentem o fio que as liga e obriga a reconhecer

O cordão umbilical e por mais que custe entender, ele é real.

É o toque das almas. É visível, palpável, sentido e apreendido.

Mas não existe, apenas coexiste e não passa de ilusão.

Liga-as, amarra-as, sufoca-as porque sorvem o mesmo ar.

Há que cortar.

Mas cortar o quê? Se nada é real e sim e apenas,

Uma recordação, uma memória de outro lugar?

Enquanto não se apercebem, sentem-se, vêm-se e tocam-se

Sem se tocar, sem se encaixar, pois a aresta está fora do lugar.

Então nada acontece, apenas entristece, desaparece e se torna irreal.

Só resta a casa comum, o Puzzle Etéreo donde fazem parte.

Que sentem e sabem existir mas que aqui não tem lugar.

Resta apenas esperar pelo regresso e simplesmente recordar.

Dina Ventura 20 de Junho de 2009




sexta-feira, 19 de junho de 2009

NÃO ESTAMOS SÓS

bv: dv

Não te esqueças,

Que o Sol também nasce, tal como nós, para a vida.

Que tal como nós se levanta e se deita. Ele é a Luz que nos dá vida.

Não te esqueças!

É preciso imitar o Sol.

Será que somos assim tão diferentes? Penso que não.

Nós somos a Luz da nossa vida.

Temos calor próprio, temos dentro de nós muito brilho, que é urgente conhecer.

Não podemos desistir só porque nos sentimos, luzes errantes neste Universo perdido.

Brilha-se mas vamos perdendo a intensidade.

Há que alimentar essa Luz, com a vida, com o gosto pela vida. Há que Viver!

Devemos dar o que temos, pois muito mais nascerá dentro de nós.

Não te esqueças!

Vamos compartilhar o brilho, a cor de um por do Sol.

Vamos esperar por um novo nascer, mais brilhante, radiante e vivo.

Raios de luz que iluminam o caminho e entrelaçam os corpos radiantes.

Luz viva, pura e ardente de quem sente, um calor interior de felicidade

Produto dessa Luz, que é o Sol, que somos nós...

Não esqueças!

(in: nas asas do vento encontrei) - Dina Ventura





quinta-feira, 18 de junho de 2009

NÃO SE MORRENDO PARA A VIDA MORRE-SE EM PAZ

Óleo 2008 - Recomeço

Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não se apercebe do recomeço.

A vitalidade revela-se não só na capacidade de persistir, mas também na de começar tudo de novo.

by: Dina Ventura

Há sempre a esperança de uma felicidade próxima.

É tão dolorosa a espera que por vezes

Transforma cada momento num inferno!

É preciso acreditar.

Mas é preferível não viver esperando,

Porque isso torna a vida

Angustiada e não completa.

É preciso ter algo para viver.

Não se pode fazê-lo sem pelo menos ter a vida

E isso, claro, tem-se

Porque se está vivo.

Consegue-se ignorar a morte

Pois se não o fizéssemos

Vivíamos obcecados e sem capacidade de pensar.

Porque não usar as mesmas armas

Para com as dificuldades

Que se nos apresentam!

Será até mais fácil.

Porquê menosprezar o nosso Eu

Se conseguimos ultrapassar o que está fora do nosso alcance!

Porque não ultrapassar

O que nós próprios construímos.

Será que o nosso poder é superior à morte?

Não, sei que não é.

Ela é inatingível e só se atinge

Quando já se acabou por esquecê-la.

Só aí ela aparece porque é livre!

(in: nas asas do vento encontrei orixá) - Dina Ventura


quarta-feira, 17 de junho de 2009

OS QUATRO ELEMENTOS + UM

Dizem que alguma escrita denota uma alma inquieta, remexida e em busca.
É uma verdade.
No entanto, ela está sentada, quieta, serena, tranquila e apenas medita.
E medita através da escrita.
Evolui na contemplação do que imagina,
Nos caminhos que percorre, mesmo com os pés magoados.
Nada a faz parar. As asas? Queimou-as de tanto pensar.
Mas pairou! Nem delas precisa para Voar!
Flutua no mar, em terra, no ar e no fogo.
Ela é mais um elemento dos Elementos
E sendo o principal para que eles existam.
Sempre se esquecem de juntar o seu nome ao deles.
Porque será?
Porque não se vê e confundem-na com o ar?
Porque é essencial e a misturam na água?
Porque é terra e a colocam nas profundezas?
Ou porque é fogo e têm medo de se queimar?
Não, ela é tudo isso sim! Mas mais ainda…
Ela é os Quatro Elementos mais Um.
Dina Ventura – 17 de Junho de 2009

CONTACTO DO ESPÍRITO

É algo que não se vê, mas se torna palpável.

Não se consegue definir porque não tem definição.

É, simplesmente, uma sensação:

De calor que envolve de forma serena e amena o coração.

É uma mão invisível, sem forma e sem volume.

É transparente, mas quente e envolvente.

Trespassa o físico, o não físico e queda-se inerte!

Quando se ouve, transforma-se em melodia suave

Assumindo a transcendência do som, num tom ritmado.

Acelera na chegada, atenuasse na permanência e acentuasse quando parte.

Quando se vê, deixa de se ver e, apenas se pressente que está presente,

Vivo e que apesar de ser dimensão, se esforça para não magoar.

Porque a luz é tanta que pode cegar!

O seu cheiro, não tem cheiro, apenas anestesia o ar

Que ao ser respirado purifica, sendo depois arremessado.

Sabe a algo, que se imagina mas que não combina com os sabores existentes.

É a reunião de todos, transformando-se na essência.

O tacto apenas se consegue alcançar, se a alma o quiser tocar.

Dina Ventura – 17 de Junho de 2009

ENCANTAMENTO E POESIA


O encantamento é a acção que a filha do Sol exerce junto dos outros,

Para poder manter junto de si o que deseja.

Apesar do que Circe fez, que comove e faz pensar

Não tinha o direito, de por egoísmo, aos outros retirar.

Mas tudo é possível na poesia, tudo se pode alcançar.

Sem verso, sem rima, sem concreto ou abstracto, tudo se pode realizar.

Não existem barreiras, nem fronteiras, críticas ou bandeiras.

A nação é só uma!

Lá, ninguém pertence a nenhuma.

É o centro do universo, dento do Universo em centro.

Reflecte-se em si, fora de si, num encontro intimo que só a ela pertence!

Nem todos a entendem, mas todos se deleitam,

Tentam interpretar, copiar, redigir e reflectir.

Pensam que conseguem, mas o encantamento não deixa.

Existe nele a falsa dor, a dor do falso sentir, no sentir o que é a Dor.

E aí se perdem os poetas, os realistas, os pensadores e até doutores.

Ditam, reescrevem e fazem da poesia o que quiserem.

Mas ela é Ela, sem rodeios, anseios ou pretensões.

Está-se nas tintas, com as tintas do que pretende pintar.

Sim, porque poesia não é escrita, poesia não existe,

Ela apenas subsiste e persiste na imensidão do Ser.

Dina Ventura - 17 de Junho de 2009

DEIXEM SER

Como podem as pessoas pensar, apenas apoiadas no que vêm?
Dá-me angústia se um dia eu o fizer dessa forma.
Imagino fazê-lo e deixo de Ver.
Porque serei assim? Porque consigo enxergar para além do que vejo?
Sinto-me incapaz de ver.
Nem quero saber o porquê disso, nem o porquê do contrário.
Apenas quero que me deixem ser, o que um ser é capaz de Ser.
Todos deixam. Têm de deixar, porque não são eles que vêm por mim.
Eu vejo da forma como quero, penso e sinto.
É bom, é mau, é complicado? Será.
Mas é assim que eu fui, sou, serei e voltarei a Ser.
Nada me pode mudar até que alcance, o que está ao meu alcance
Estando para Além de mim.
Não é complicado é, simplesmente, muito simples quando descodificado.
Falam em personalidades duplas, triplas e até absurdas.
Mas que sabem de absurdos os que não Conhecem o que é?
Que afinidades sentirão com o que não conhecem nem são?
Deixem Ser e sejam apenas!
Dina Ventura – 17 de Junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

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AMOR - PARTILHA E DÁDIVA

by: dv

O que se sente quando se gosta? Todos perguntam! É prazer? É paz? É medo?

É um misto de angústia e bem-estar. Um medo de estar perto por depois já não estar?

Nada consegue controlar o Gostar profundo e oculto, que não se sabe a origem.

Tudo deixa de ter valor e tudo passa a ser valorizado.

São contradições em catadupa que acabam por colidir, eliminando-se umas às outras,

Restando apenas, a certeza de que se gosta e que não vale a pena analisar.

O Gostar, é o sofrimento no seu mais sublime elemento. É o contra-senso do que é verosímil.

É o não se querer, por se saber que quando se tiver se perde o que tanto se quer preservar.

Nada se explica. Apenas acontece. É a alma que não se conforma com o que sente,

Não quer deixar de sentir, mas rejeita para que não acabe.

O gostar só se alivia quando sublimado, na dádiva da partilha, sem nada pedir em troca.

Mas não conseguindo deixar de lutar ferozmente, para não querer.

Só os poetas conseguem definir o verdadeiro gostar?

Por ser sofredor e alimentar a chama da poesia?

Do prazer enaltecido pela perda e pelo abstracto do concreto?

É por essa razão que talvez as contradições sejam os ditames do Gostar.

São convulsões internas, que constroem e destroem ao mesmo tempo,

Não se conseguindo edificar nem destruir. Será que há explicação para tais sentimentos?

Não, não há. Há pedaços de explicações, de momentos e de fragmentos

De pequenas coisas, que nos podem amenizar a dor de gostar.

É uma ferida sempre aberta, com vontade de se curar, mas sentindo prazer no sangue que derrama.

A entrega não é o bastante, nem suficiente, nem o caminho para o saciar.

É o saborear da dor que faz com que cresça e se torne palpável, audível e visível.

Tudo é bom e mau ao mesmo tempo, analisando-se mutuamente, trazendo a paz que a alma anseia.

Sente-se o aperto interior, que leva a ponderar porque dói. Não é por se sentir ou não sentir

E sim, porque é algo vivo, que tem vontade própria e que apesar de ser nosso não nos pertence!

É como guardar um tesouro pelo qual somos responsáveis, mas que não é nosso

E talvez por isso o medo imenso de o perder.

Ou que, descoberto o seu esconderijo, não tenhamos meios para o defender,

Contra os males do mundo e dos seus habitantes! É, uma ânsia constante de sobrevivência.

Empenho para encontrar caminhos, que nos conduzam a fugas seguras e que mais ninguém conheça.

É um bosque sem caminho demarcado, mas que nos dá a certeza, que bem lá no meio existe,

A gruta ideal para guardarmos esse tesouro, que não é nosso e a que ninguém pode ter acesso.

Mesmo sem caminho certo, embrenhamo-nos nele.

Quanto mais o fazemos, menos possibilidades temos de encontrar o regresso.

Que mais fazer? Avançar, ir em frente, sem perder a esperança, que algures estará o refúgio

Que pensamos existir mas ninguém conhece.

Existem palavras que todos queremos encontrar para poder definir e sentir, o que representam.

O Amar ou Gostar é uma delas. Apesar de sentir que magoa, o Amor é a Vida,

É o encontro com ela, entender-se e saber porque se está nela.

Assim se apaziguam todas as dores sentidas, pois todos os prazeres serão estragos,

Se não se aceita a vida e o que se faz com ela. Amo. Porque sinto dor. Isso é amar.

Contraditório? Não. Apenas uma forma de amar sem pedir nada em troca.

É uma dor, mensagem de Amor, de Paz e de Dádiva.

Não estou a inventar nada, que alguém ainda não tenha inventado.

Apenas estou a viver, de forma intensa, o que talvez muita gente não se atreva a fazer.

Que provoca? Talvez alhear-me um pouco do que me rodeia,

Centrar-me um pouco mais em mim e a fixação de atravessar o bosque,

Para poder repousar um pouco naquela gruta que sinto existir.

O choque de sentires anula-se e é nesse espaço neutro que me centro,

Respiro e preparo o dia de amanhã.

Amo a Arte e quando ela me corresponde sinto-me preenchida, apesar de saber,

Que possivelmente não lhe correspondo como ela merecia.

Na escrita, ela não quer que eu a repita, mas como farei isso?

Eu que não a sendo e sendo eu, como poderei dizer sem me repetir,

Se eu própria me repito e cometo os mesmos actos, erros e atitudes,

A um ritmo cadenciado de vivências e hábitos.

A escrita insurge-se contra ou a favor, mas nem sempre se deixa alcançar como o interior desejaria. Há algo sempre intransponível, de acessibilidade tortuosa,

Que as palavras não podem, nem conseguem definir.

Os recantos da mente têm uma capacidade deturpadora das sensações flutuantes.

O que é agora, acabou, ao ser escrito quase é obsoleto.

É a revolta das letras e a vontade de rasgar o papel.

Faz bem escrever, mas dá raiva e vontade de destruir o que se fez,

Por não se acreditar no que se disse.

São tudo contradições, num estado de vida com muitas razões de ser

E sem se conseguir enunciar nenhuma.

Há a felicidade da solidão e a tristeza de estar só.

Há, a luz de amar, sentir-se amado e não sentir o Amor.

Há sempre um retorno, mas nem sempre nos encontramos no local onde vai desaguar.

Ou por atrasos, ou por desvios de percurso e aí estão os desencontros com os retornos.

Mas é por essa razão que devemos abandonar a dádiva? Não.

Eu sinto que não, não sei é porquê. Será uma obsessão querer evoluir?

Será um convencimento egoísta de querer chegar a um patamar, que o ser humano não pode chegar? Então isso quer dizer que sou pouco evoluída.

Sim, porque se nem o que sou eu sei, afinal o que serei?

Mas acho, pressinto em mim algo que não tem explicação.

Serão um conjunto de “mins”. Como entendo Fernando Pessoa.

Mas como conviver com toda esta gente que nem conheço

E que sentem e pensam de forma tão diferente? Que fazer com todos esses males e bens?

Escrevê-los? Falá-los? Ensiná-los? Ou pura e simplesmente silenciá-los?

Mas não posso fazer isso, pois ficaria sem capacidade de comunicar.

Mas há uma vontade em mim, muito profunda, de descobrir

Um outro Eu, que sei que está lá e que ainda não se apresentou.

Porque não o conhecerei ainda? É uma incapacidade de ir mais além,

Que me restringe ao espaço que ocupa, que é mais longínquo

Do que consigo alcançar! Será a loucura? Ou os tormentos da dor,

Que anestesiam as capacidades do intelecto inconsciente?

Há a capacidade de voar, mas a construção das asas é um enigma.

Ultrapassar o pensamento, o sonho, a escrita, a pintura e o transcendente.

Não sei o que será. Não sinto vazio ou ausência, sinto sim,

O peso da presença e a quase explosão para se libertar.

Tenho de procurar ou encontrar, não do que sinto a falta,

Mas sim da intensidade da sua dimensão, que me consome

Na árdua tarefa da descoberta do que existe.

São coisas que não podem ser ditas ou escritas porque não existem definições,

Apenas são audíveis no interior.

Sinto-me por vezes estranha, num mundo estranho, que não me assusta, nem me mete medo,

Mas deixa-me sem reacção e faz-me sentir impotente para essa Busca.

Estou um pouco desinteressada pelas pessoas, pelo desumano que há nelas.

Acho que é isso. Falta de verdade, de pureza e nobreza, estou cansada!

Mas no entanto também não é. Sinto distância, não a nível emocional, mas a nível real,

Pelo menos é assim que estou a sentir hoje. Sei que amanhã deverá ser diferente.

Tudo estará diferente amanhã, apesar de parecer tudo igual.

Gostava de saber descrever este estado de espírito. Mas não tem descrição.

É algo leve, afastado, interiorizado aceite e próximo de mim.

Não vou responder à questão se sei porque estou a escrever desta forma,

Porque, claro que sei, se não como o estaria a fazer?

Agora posso responder é que, não gosto da forma como a caneta

Ás vezes pára, a aguardar que o pensamento a trespasse.

Isso irrita-me, assusta-me. O instrumento que eu sou

E que não está devidamente afinado para entoar,

Com transparência e clareza a melodia da Alma!

Por isso a dor nos sentimentos é a luta da alma tentando afinar este corpo,

Instrumento incapaz de entoar os cânticos,

Das vibrações emanadas pelo espírito.

Sinto-me imprestável para algo tão belo e com muita dificuldade

Em percepcionar os seus Sinais. O Universo envia-nos signos,

Todos dizem isso, mas estão sempre à espera que lhes traga resoluções.

Mas não é isso, o que ele pretende, é que nos descodifiquemos.

Que tal como Ele, o nosso, é uma imensidão de estrelas, planetas, sóis,

Buracos negros e explosões constantes.

Sempre em constante movimento e transformação.

Tenho de acompanhar esse movimento galáctico em mim.

Mas por vezes é tão rápido, que pareço não sair do mesmo lugar.

Tendo escrito sem quase a noção do que escrevi, levantei-me e parei.

Pensei nas partilhas. Porquê? Ao certo também não sei.

Talvez por ter movimentado o corpo, a mente parou.

Trouxe-me à realidade e fui puxada para a Terra.

Afinal o que procuramos todos nós com a partilha?

Que queremos afinal? É connosco, é com os outros?

Que os outros nos ajudem a tirar de dentro de nós, o que não está bem?

Ou que nos dêem pistas para chegarmos até lá, ou até eles?

Para não estarmos sós? Para podermos concretizar a ideia,

Que outros também andam em busca das mesmas coisas?

E sabemos quais?

Neste momento nada mais me apetece dizer, apenas ecoa na minha mente a música que estou a ouvir “the magical sound of the címbalo” e que é realmente um dom e um diálogo universal das almas. Bem hajam então, a todos aqueles que podem, querem e sabem partilhar com outros o seu amor por algo…o seu Amor em forma de dádiva.

Dina Ventura – 2008.12.17