quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O TEMPLO DA ALMA


by: Bernardino Costa
http://bernardinocosta.artelista.com

Sem forma ou paredes, apenas Existe.
Rebatem os sinos e não desperta,
Mas nada a detém.
Encontra-se em si, de si saindo
Na expansão e velocidade, no descanso do corpo.
Para retoma das forças embrenha-se nas águas!
Meio que a lança pelos quatro estados visíveis,
Transportando-a para o invisível dos estados,
Onde descansa, no voo da liberdade da aparente ausência.

(…)

Erguido em honra das divindades…
Denso nos seus ornamentos severos.
Também lugar a descoberto e elevado,
Consagrado ao espírito, na imensidão.
Lugar misterioso e respeitável
Onde habitam recordações de grandes acções.
De nada valem as pedras, as amarras, o ouro…
Correntes, cadeados ou portas cerradas.
São ferrolhos sem sentido para a Alma!
Ela tem o seu Templo, por onde ela transpira, respira,
Se dilui na água, avançando em Liberdade!
Os sinos mudos apenas a alertam para que chegou a hora!
Volta. Regressa ao templo que sereno a aguarda.

Dina Ventura Outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

QUESTÕES DE UM SER - IMENSO ABSTRATO



Sem se poder medir, quase sem limites tal como o oceno.
Sendo uma propriedade isolada, vê-se separada do conjunto apesar de o ser.
Agente da qualidade pura foge à pequena realidade.
Refugia-se e encontra-se na ciência abstracta de forma distorcida,
Porque preocupada, tal como a amizade, a coragem e a sabedoria;
Que existem por si próprias, podendo ser difícil de entender e praticar.
Tal como os números: 3, 8 e 4 são abstractos
Mas que não deixam de quantificar o que quisermos.
Teimosia do realismo que não sabe quantificar!
Na fotografia a realidade não está representada
E sim a realidade imaginada, visionada com os tons que quisermos.
Cada um pode criar e criará a sua própria realidade.
Vivamos de forma a não sermos apenas um imenso abstracto.

by: Dina Ventura - Setembro de 2009

QUESTÕES DE UM SER - VISÃO



Da acção ao efeito de ver, resta a imagem que se julga Ver.
Pode passar da realidade visível, aos devaneios, quimeras e fantasias
Ao que as janelas do corpo nos permitem.
Sensação particular que nos revela a presença, através da forma e cor.
A luz que promove e a lente natural apresenta.
A íris reage, o cristalino modifica e acomoda-se.
Mas se algo não funciona essa imagem deturpa-se.
A nossa essência ligada a outra maior, Vê a ideia das coisas.
Se não estiver claro e transparente, deformará as ideias percepcionadas.
Bem representada pelo animal que vive no deserto,
Que percorre caminhos insondáveis em busca de alimento
E por recear, não receia, pois adivinha os perigos à distância,
Apoiado e confiante na sua Visão.

by: Dina Ventura - Setembro de 2009

QUESTÕES DE UM SER - SONHO DE MULHER


BY : BC

A imagem que o espírito forma durante o sono ou,
Simplesmente sonhar acordado.
Profético? Ou imaginação sem fundamento, ideais quiméricos.
Serão ilusões, imaginação vã e tal como a vida um sonho.
Mas são ideias alimentadas com paixão, eivadas de fantasia.
Ficção, aspiração, formando o ser, mulher, regando-a de calda de açúcar
Tal como o bolo fofo de farinha e ovos – os sonhos.
Os sonhos são constantes. Têm de ser, alimentam a vida.
Quando não existem é porque estamos esquecidos quando acordados.
Apenas fixamos os pesadelos, o que nos atormenta.
Há que sonhar.
Seja a realização simbólica de um desejo
Ou a sublimação do sublime.
Guia celeste do Ser, cheia de graça e poesia.
Mulher, o outro lado do homem, sendo apenas parte de um todo, Homem.

by: Dina Ventura - Setembro de 2009

QUESTÕES DE UM SER - TORNADO DO ESPÍRITO



Substância incorpórea, que talvez nos conduza a Deus.
Ao pronunciar, espírito, os anjos sobrevoam o imaginário.
A nossa alma manifesta-se e sorri-nos por ser lembrada.
É nesse progresso contínuo que ela se torna no princípio pensante.
Entrega-se ao que faz, mostra aptidão e torna-se inteligente.
Contradiz-se, contradiz e eis a outra faceta.
Mas concebe com rapidez, enuncia com engenho, graciosidade e arte.
Empreende, com sentido e significado na época que demarca.
Escreve e descreve com intenção, fundamentando-se nela mesma.
Rende-se e morre, destila e torna-se volátil.
Demarca a sua presença com serenidade, enfrentando os perigos.
Torna-se santo se chama a atenção e ao vinho dá o nome.
E é neste remoinho, que os ventos se podem misturar
Tornando-se súbitos e violentos. Dos opostos formam turbilhões,
Podendo destruir com violência e rapidez.
Quando orientados servem de movimentação e crescimento,
Para seleccionar, escolher, evoluir e alcançar
Através do tornado do espírito.

by: Dina Ventura - Setembro de 2009

QUESTÕES DE UM SER - SENSITIVO



Pungente e vivo, com a capacidade de e do sentir.
Sentir o cheiro das flores, do frio e do calor!
A impressão moral da alegria e da tristeza!
As misérias alheias.
Artista que sente o que canta, pinta ou escreve.
Experimentar o que se exprime e dizer o que se sente.
Ter sensibilidade física moral, relativa aos sentidos e à sensação.
Tal como a flor que ao mínimo toque se retrai,
Também chamada de mimosa ou pudica
E apenas porque se alterou de (o) para (a).
Tal como o ser humano que à mais pequena coisa
Se melindra e sensibiliza.
Assim é o sensitivo.

by: Dina Ventura - Setembro 2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

QUESTÕES DE UM SER

ESFINGE

Do monstro ao fabuloso se manifesta imponente e gloriosa.
Como o Sol majestoso, que está parado mas parece girar.
Assim a esfinge, transformada em estátua marca o tempo sem parar.
De olhar impenetrável, enigmático, longínquo e inacessível
Passa por não revelar os seus segredos.
Lança-se nas asas da realidade, no simples corpo de um insecto.
É a borboleta Universal, cor cinza e carmim.
De manto disfarçado querendo aparecer.
No seu tom amoroso, de amor esvoaça, espalha o seu odor a pinheiros
No seu cinzento pálido, eivado de horizonte se mistura e demarca,
Formando a esfinge dos voadores de vida curta e longa, em contraste.
Imortalizados na estátua do monstro sagrado.

LUTA ENCEFÁLICA

Os combates em recintos fechados são asfixiantes.
Um espaço de dimensão reduzida alcança o inimaginável.
São guerras titânicas, de fugas inter-galácticas
Para a obtenção dos saberes essências que se reduzem à essência;
Só esses podem caber, resumindo-se a recipientes ínfimos
De poderes e odores concentrados. Não podem quebrar.
Se acontecesse os cheiros puros tornar-se-iam letais.
Há que gerir, há que bem tratar para repartir e exalar.
Suaves perfumes duma luta encefálica.

Dina Ventura 30 de Setembro de 2009

QUESTÕES DE UM SER – ALQUIMIA

Sempre ouvimos falar da pedra filosofal.
Sempre os alquimistas a procuraram.
Necessidade de buscar a transformação
Ou transformação necessário para o avanço!
Quem afirma em nada acreditar, remate-a para o misticismo.
Mas para quem acredita que as nobres forçam alcançam,
Transforma os mais nobres dos ideais
Em ouro, multiplicando-o em rios!
Eles deslizam sobre as pedras,
Arrastam e carregam as filosofias do Ser.
Não param, rolam, apenas fingem parar
Para que o Homem pense durante segundos…
Que é o detentor do poder. Mas não é.
Refugia-se no presente, ausente, tentando enganar o Tempo
Que a qualquer momento lhe escapa.
Transforma o que existe, mas está preso, em verdades inesperadas.
Alquimia do Ser, ciência imbatível,
Arte na procura da panaceia Universal.

Dina Ventura 30 de Setembro de 2009

QUESTÕES DE UM SER - FORMA DO DISFORME

De grandeza desmarcada aponta o infinito.
Aprontada como horrível e monstruosa, porque indecifrável e desconhecida.
Não se sabe até onde vai o seu alcance.
Da configuração exterior, ostenta a disposição das partes…
Não passa de aparência, de contorno e do feitio de si mesma.
Pode ser, contudo, a forma graciosa no talhar das letras
Mostrando de maneira bela como tudo se manifesta.
O princípio substancial que anima a sua especificidade.
Molde que leva a alma a ser a forma do corpo vivo!

(Dina ventura - 30 de Setembro de 2009)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

MEU 2º LIVRO PUBLICADO



. SEBENTA SAGRADA
Nasceu, antes do primeiro estar terminado e foi publicado em Fevereiro de 2008:

Um dia Cília, em coma há dezassete anos, acorda, mas sem lembrança da sua vida anterior ao momento trágico. As suas memórias são agora as de outra mulher. Lucília, que morreu de acidente na mesma altura em que Cília acorda. Lucília faleceu triste, com muita mágoa e com a vida inacabada. Estas duas almas cruzam-se na vida e na morte e fazem cruzar as vidas das suas famílias, confusas com este acaso trágico e misterioso. Cília terá de encontrar os instantes perdidos da sua vida e Valéria, a narradora deste livro, será uma peça fundamental na descoberta da verdade. Com a sua profunda amizade por Cília e a preciosa ajuda de uma terceira pessoa que entrará nas suas vidas, acham as respostas para encontrar de novo o caminho certo.

A editora Caleidoscópio: Obra surpreendente e original retrata um acontecimento de transcendência espiritual sem respostas científicas. Repleta de energia positiva, ensina-nos a ter tolerâncias com o desconhecido, a encontrar respostas nos lugares menos prováveis e a desmistificá-los.

Não me julgava capaz de elaborar “um romance”. Mas insistiu em aparecer numa simples manhã ao acordar. Despertei com ele e não me largou mais até ser transposto para o papel. E assim foi, mais uma vez A CALEIDOSCÓPIO – Editora apostou em mim.
Para ser realmente sincera, não percebia porque uma editora conotada com arquitectura e toda a técnica que daí advém, estaria a apostar em alguém que não é nada na parte de literatura nem pretensões tem. Disseram-me que não podia pensar assim e que se a editora não acreditasse que não arriscaria! E pronto é esta a história, das minhas andanças na escrita! Fui-me convencendo aos poucos que “escrevia umas coisas” e isto é como tudo na vida: não se pode agradar a gregos e troianos, mas em primeiro lugar há que agradar a nós mesmos e respeitar os outros e é o que faço pois escrevo com o coração.
Mas isto tudo para agradecer, em primeiro lugar à editora e parece que estou a fazer publicidade, estou sim porque merece, se não o fizesse era ingratidão da minha parte e por outro lado faço-o porque apostou em mim mais uma vez. Até à data nunca tinha feito publicidade, anunciado de forma séria os meus livros, mas desta vez faço de forma clara. Porquê?
Porque sinceramente talvez incentive outros a fazê-lo e a que a CALEIDOSCÓPIO receba aplausos pelo que faz.
E porque mostrar os antigos??? Porque sem eles não teria chegado ao que em Outubro irá sair, mais precisamente no dia 28..

Dentro em breve o anunciarei.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

MEU 1º LIVRO PUBLICADO



. Nas asas do vento encontrei Orixá – Outubro de 2007
Os “criadores de algo, ao falarem do que elaboram têm sempre a tendência a dizer “o meu trabalho”, o meu livro, o meu quadro, a minha história. Sentem-se como os donos de”. Como não faço a excepção, tento reparar o meu erro dizendo: o nosso trabalho, o nosso livro, o nosso quadro, a nossa história, pois há aqui muito de outros para além de mim.
Contra capa: Este livro fala-nos dos Orixás – Energias da Natureza, das suas origens, características e da forma como as suas vivências nos ajudam a um maior conhecimento de nós mesmos e de um melhor relacionamento com os outros.
Mas é sobretudo a história de um percurso pessoal, facilitando a descoberta do Eu, para depois possibilitar a viagem de busca para a Essência.

Foi assim que foi apresentado este livro. Sentido é verdade, mas um pouco inseguro talvez, pois não tinha nascido para ser publicado. Estava a ser escrito há trinta anos e não sabia nem imaginava que fim teria, mas nunca pensou poder ser lido para além do círculo de amigos.
Foi aqui que entrou a responsável por tudo isto: A editora Caleidoscópio. Sem ela, sem a sua motivação eu nunca o teria feito. Porquê apostar em mim? Em algo que nem romance é, memórias pesadas, poesia desde a adolescência e história de deuses da mitologia? Mas a resposta que me deram foi clara:
- Mas faz algum sentido, tirar cópias e distribuir pelos amigos? Francamente!
Foi com esta pergunta e afirmação que me decidi. Porque não? Pelo menos os meus amigos vão ter algo meu “como um livro”. Sempre escrevi e nunca me “achei” escritora, nem sei porquê! Talvez porque nos recônditos da minha memória Escritor seja algo inalcançável para o comum dos mortais! É como pintor! Palavra imensa, intensa que apenas pensada me surge automaticamente: Dali, DaVinci, Picasso, Klimt e todos os que poderia enunciar, os grandes monstros sagrados. Pois é e que fazer?
Invejá-los? Não por certo não nutro em mim esse sentimento.
Imitá-los? Não porque não tenho o seu saber
Então só me resta ser, simplesmente eu. É com isso que me apresento. Não imito ninguém, nem quero, aos outros admiro pela beleza que me permitem vislumbrar. Grata CALEIDOSCÓPIO bem hajas e quem sabe muitas portas abrirás a muito mais gente. Que te ajudem a ajudar.

Próximo tema falará sobre o segundo livro publicado: Sebenta Sagrada.

POESIA PARA MUSICAR - FADO

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by: cb


Fado 1

Perseguir a minha alma

Enquanto a minha alma persigo
Ela abandonou-me para ir contigo!
Ouvi o teu chamado e corri
E no refugio da minha solidão
Nem ouvi o bater do coração.
Senti que me perdi para ti
Ouço a minha voz a implorar,
Não partas meu amor se eu ficar!
Respiro o ar que contigo levaste,
As lágrimas rolam sem permissão
Talvez para tentar limpar o coração.
Sinto na pele o cheiro que deixaste
E agora meu amor que partiste
Não quero saber mais do que existe.
Sinto que nunca mais te vou perder
Porque vou continuar a correr
E encontrar a alma que me levaste
Pois só me interessa reaver-te
Porque agora meu amor que partiste
Deixaste-me sem alma e sem querer
E a vida nada mais tem para Viver.


Fado 2

Deixa-me apenas não ser!

Choro e sofro sem e por querer
Porque sinto dentro de mim, o doer
Por não te ver e não estares ao meu lado.
Não sei o que dói mais, de tudo o que sinto
Se ouvir a tua voz a dizer, eu não minto
Mas não te quero mais, está acabado,
Ou fingir que estás ao meu lado sem te ter.
Não sei o que dói mais, do que este sofrer.
Olho para mim e sinto que não sou eu,
Há um esconder este amor profundo,
Infinito, sem retorno em qualquer mundo.
Sinto-me dentro de algo que já morreu.
Por ti, por nós, por nada que não tivemos,
Morri, sou um barco à toa, sem remos,
Sem rumo e nem se importa se é ruim.
Resta a dor de não ter escutado a razão,
Que gritava em surdina ao frágil coração
Não vás por aí, porque é o princípio do fim
Dum amor, que não passa dum eco sem regresso.
Por isso amor, amor da minha vida, eu te peço
Com a alma de quem ama e está a sofrer,
Não me deixes no mundo com este amor.
Eu já não sou nada e o que existe não tem valor
Por isso e por amor, deixa-me apenas não ser!

Dina Ventura 28 de Junho de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

VALE RECONHECIDO

Um vazio sereno invade-me.
Não quero regressar ao preenchimento usual.
Não há esforço! Apenas existe o estar.
Nada se move, no andamento do descanso.
Regresso a mim e sinto-me lá.
Embalo nas ondas do abandono.
Não ondulam, não enjoam, não provocam vertigem.
Sinto o deslizar profundo da vida,
O filão, o veio que sei existir mas não é visível no real.
Confunde-se comigo, encosta-se a mim
E vai em frente sem ir, sem pressa de ficar.
Anda apenas porque vai.
Solta as asas do alcance e aterra.
Nada passou, nada está e o tempo não existe por isso.
Não se expressa, não tem verbos, nem adjectivos, apenas ecos.
Tudo e nada se encontram, permanecem e falecem
No vale profundo que as ondas formaram,
Marcando a sua presença porque ausentes
Para que o eco se propague ao vale reconhecido.
Dina Ventura 25 de Agosto de 2009

NÃO SER

Percorro o deserto a passo largo e lento.
Enfrento o calor do que arrecadou
E sinto que queima, transfere e reclama.
Nada o detém, é interminável e avassalador.
Ergue-se directo ao Sol, reclamando o que é seu.
Depósitos camuflados de energia e chama
Dispersos por raios, sem dar conta do que perdeu.
O Sol repõe-se, sacode-se e refresca-se
Numa nuvem passageira!
Reergue-se e enfrenta-a com determinação.
São osmoses de poderes e de transferências visíveis.
Poderosas energias que a Natureza recicla a cada momento.
Nela se refazem e desfazem em realidades comuns.
Não as entendem, apenas se surpreendem e lhes dão nomes.
Quem sabe equinócios, auroras boreais ou relâmpagos.
Mas são eles que nos alimentam, que nos incutem
Toda uma sensação de vida devida, ao que não sabemos ser.
Porque nos transformamos em algo que não éramos,
Não seremos e apenas somos caminhos, para voltarmos a ser.
É a esperança de finalmente encontrar o que somos,
Não o reflexo do que parecemos ser ao viver o que não somos.
Dina Ventura 25 de Agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

IMAGINAÇÃO



Reflexos - óleo by:dv


Paro o olhar e movimento a mente.
Recuo no tempo avançando a saudade.
Busco corajosamente os recantos da mente.
Surgem-me ideias não novas que vagueiam
Nos espaços, porventura desertos,
Que ansiosos aguardam pela imaginação fertilizada pelo novo.
Tenho a fórmula para a criação metafórica,
Apenas aguarda a aplicação.
Ingredientes:
Recorro ao fluir de imagens, ao acelerar do passo.
É um passo mental, crescente em vontade, para a liberdade.
Há o conceito, há a liberdade e há o possuir a Liberdade.
Mente livre. Pensamento realizado na imaginação.
Requerimentos audaciosos aguardando o deferimento.
Esperas.
(in nas asas do vento encontrei - Dina Ventura)

CONTRADIÇÕES


by: Augusto Pombo

Texto dedicado a um amigo FSF.

É uma ânsia.
É um viver de ansiedade e esperas.
São renúncias. São buscas vãs num frenesim doentio.
São brilhos, são reflexos, são sombras.
Angústias.
São alentos tentadores crentes na desmistificação.
São avanços e recuos. São cortes. São pequenos nadas.
São esperas.
Não sei definir que forças me regem.
São reacções em cadeia, que põem e dispõem sem aviso prévio.
Não há registos, há apenas lembranças.
Cansaços.
Na serenidade do cansaço repousa apenas a dor.
As esperanças não morrem, o que morre é a vontade de as ter.
Não resisto às contradições. São impulsos que me fazem pensar,
Dolorosamente sentir o pensamento já magoado,
Mas teimando em se magoar.
(in nas asas do vento - Dina Ventura)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

DIFERENTE



BV: DV


Algo de diferente sinto em mim.
É, talvez, a força de vontade para querer ser diferente.
Não ouso sequer dizer que o sou,
Apenas luto para o conseguir ser.
Qual a diferença entre mim e outros
Senão o ter consciência de que sou igual,
Mas que não deixo de acreditar que poderei ser diferente.
(in nas asas do vento - Dina Ventura)

sábado, 8 de agosto de 2009

O PODER DA MENTE


bv: BC


Do entendimento do espírito
Ao decifrar da Vida e do Eu.
Revelado na imaginação através do que se cria!
Transforma os medos em Força,
A força em transcendente
E o transcendente em real!
O real da essência e da alma...
Aproximando-nos do Divino...
O Poder da Mente!

Dina Ventura 8 de Agosto de 2009

Texto dedicado a um grande amigo a quem chamo merecidamente "O poeta das Telas", o grande pintor surrealista Bernardino Costa, bem hajas amigo por tanta beleza criares e partilhares connosco!

A VISÃO


bv: jp

Existem várias coisas, entre elas as que não existem, existindo.
São essas na verdade onde tudo recomeça.
São estradas calcetadas de cubos multifacetados,
Onde não se consegue andar. Mas anda-se, porque é uma estrada.
E acontece o inevitável, a paragem,
Com medo dos ferimentos provocados pelas quinas afiadas.
Mas é um parar fictício porque o andamento continua.
As arestas vão sendo limadas,
Limadas de mansinho pelo pensamento.
Mas é preciso andar, andar, andar até que tudo
Esteja colorido pelo pó das arestas.
Cubos imaginários,
Formas disformes dum mundo uniforme em cubo.
Cubos solitários pelas arestas vazias.
(in: nas asas do vento encontrei - Dina Ventura)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

EPISÓDIOS III

“…nunca pensei que as coisas fossem assim...”
Frase que bem olhada mais me faz pensar. Quando se parte para algo tem de se ter em consideração as várias hipóteses não descorando, bem pelo contrário, as que se nos apresentam como descabidas.
Quando tal acontece, há que repensar e tentar reparar até com o mesmo método, mas já adequado à situação.
Todos temos um pouco de derrotistas. Mas admiro muito, aqueles que conseguem provar, demonstrar uma maior força vencendo. É assim que vejo. Imaginemos. A praia.
Um pouco à frente está uma criança perfeitamente convencida ter escolhido o local ideal para a sua construção. Trabalha com desenvoltura na edificação do seu lindo e tão idealizado castelo, mas esqueceu um pormenor tão importante: a maré vai subir e de certeza a água vai lá chegar. Que pena. Decidi então, de mansinho e um pouco a medo, quebrar o encantamento e dizer-lhe o que pensava. Que das minhas passagens por aquela praia tinha notado que a água chegava ali e ao passar levava consigo tudo ou quase tudo...
Olhando-me com um misto de surpresa e compreensão, não me deixou terminar e disse apenas:
- Mas agora não está aqui!
Continuou no seu trabalho, mandando-me de vez em quando um olhar como que para dizer que apesar de tudo sabia que eu estava ali, mas não “sabia” sobre o seu campo.
Fiquei apenas a olhá-lo, afastando-me um pouco para não perturbar a concentração do menino e decidi não falar mais, continuando a pensar o que iria naquela cabeça.
Permaneci ali bem quieta. Sentei-me e apoiando o queixo nos joelhos, fiquei a olhar, tentando imaginar o aspecto arquitectónico daquele castelo. Era realmente enorme tendo em consideração toda a área demarcada para a sua construção. Como iria conseguir? Sozinho?
Não me restava senão aguardar, continuando com os meus pensamentos. Havia várias hipóteses:
1- Que por milagre a maré não subisse, o que iria contra tudo o que era hábito. Mas nunca se sabe e assim o menino teria todo o tempo para acabar;
2- Que chamasse outros meninos para o ajudarem a acabar antes da maré subir. Mas aí tínhamos vários problemas: será que os outros tinham a mesma visão? Será que corresponderiam ao que o menino desejava? Ou será que o achariam pretensioso na sua ambição talvez por não pensarem como ele?
3- Que não se importava que a maré subisse, mesmo derrubando o que já tinha feito. Faria apenas até dar e depois iria embora e não ligava mais àquele castelo, pensando construir outro, noutro dia, noutro local qualquer.
4- Que o menino choraria porque a água era má, tinha realmente destruído o seu castelo e que a culpa era minha porque tinha sido eu, a adulta, a lembrar à água que o fosse destruir.
5- Que perante a destruição do seu sonho, os seus sonhos vingariam porque apesar da água lhe ter destruído aquele castelo que se via, não conseguiria destruir a imagem desse mesmo castelo dentro da sua cabeça. Tinha pena que os outros meninos não o vissem mas, talvez o conseguisse reconstruir noutro sítio ou naquele mesmo, mas noutra altura.
Despertei das minhas conjecturas, faltando-me a quinta, com a água molhando-me os pés. Lá se foi o castelo. Olhei o menino e constatei que o estado em que estava não fazia parte das hipóteses que eu havia formulado. O menino estava triste, estava meio perdido, de braços caídos, olhando apenas para a água e para os restos do castelo.
Aproximei-me mas nem deu pela minha presença. Recuei. Não quis contrariar mais o menino. Fiquei preocupada com ele. Olhei-o e vi que me lançou um leve sorriso como que para me descansar. Entendi, talvez aquela revolta e desanimo se devessem ao facto de, apesar de saber o que se iria passar, o menino querer acreditar que daquela vez iria ser diferente.
À medida que me afastava martelava-me na cabeça a hipótese que mais se adaptaria à da reacção do menino.
5- Que perante a destruição do seu sonho, os seus sonhos vingariam porque apesar da água lhe ter destruído aquele castelo que se via, não conseguiria destruir a imagem desse mesmo castelo dentro da sua cabeça. Tinha pena que os outros meninos não o vissem mas, talvez o conseguisse reconstruir noutro sítio ou naquele mesmo, mas noutra altura.
Não resisti à tentação de ver o que iria fazer e voltei àquela praia no dia seguinte. Fiquei contente, porque nas minhas hipóteses nem tudo tinha falhado, lá estava o menino novamente. Desta vez pareceu-me, apesar de o ver na mesma direcção, que estava um pouco mais afastado da água.
A areia era um pouco mais seca dificultando a tarefa ao menino que a ultrapassava molhando a areia com a água, que ia buscar num vaivém constante. Aproximei-me. Olhou-me e vi aquela tristeza lá no fundo, mas já ultrapassada por um certo brilho no olhar e com ar sério e sábio disse-me:
- Sabes...não faz mal, vou voltar a fazer de novo e desta vez ainda é mais bonito, pensei que foi melhor assim - e continuou sempre a falar exemplificando-me o que estava a dizer.
Reflecti. Tinha sido válida a invasão da água. O menino recomeçou, ponderando, ainda com mais coragem, ideias renovadas e um pouco mais cuidadoso. Voltei sempre, tentando ganhar aos poucos a confiança do menino, esforçando-me para que me deixasse ser sua amiga.
(in: nas asas do vento encontrei orixá - Dina Ventura)