segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SOFRIMENTOS E CAUSAS


Causas
Razões
Emoções
O que faz com que exista
Não é efeito sem causa
Sendo causa primária
Não há para além dela
Outra coisa
As secundárias precedem-na
E
As causas finais
As que pelas quais
Se supõe
Que cada coisa foi feita no Universo.
Assim
Foi determinado um conhecimento
O que produziu uma razão
Uma deslocação
E lá
No lugar de encontro da causa
Se falou
Se concordou
Em que a força está na razão
E a razão na união
Que poderá salvar
Seres que não se defendem
Das garras do invisível.
Estudo atenta e questiono
Porque estou aqui?
Porque são assim?
Os olhos pousam
Numa imagem de ternura
Da mãe que amamenta a filha
Enquanto defende
O que nós chamaríamos cria
Que não deixa de ser um filho
De outro ser que será mãe
E que perante a injustiça do homem
Só suplica
Sem pedir a ninguém
Que a salvem
Porque ela não consegue.
Desesperada procura abrigo
Na casa onde todos suplicam
Pede ajuda do divino
E aí sofreu castigo
Foi espancada
Banida da casa santa
Porque não é gente
Nem fala
E agora chora
Por ter perdido os seus filhos
Por lhe serem infligidos castigos
Que ela não compreende.
E quem poder ajudar
De graça e sem pagamento
É porque sentiu o apelar
De quem tem sofrimento.

Dina Ventura – “Only me” – Novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

FORÇAS CONTRÁRIAS


Existem
Ocasiões que se apelidam de nada.
São momentos de coisa nenhuma.
Foi assim que me senti
Como que fechada num recinto
Sem paisagens ou ideias
Que me fazem criar
E no papel manifestar.
Mas as palavras estão “desgrávidas”
Porque abortaram o conteúdo
Mas teimam em exibir-se
Mesmo não viventes
Repetem-se intermitentes
Forma última de chamar a razão.
Chamam porque não podem parar
Não dão descanso
Porque o interior não quer guardar.
O cansaço vence
A inércia faz
Com que o interior se movimente
Para tender ao equilíbrio.
Relanço olhares antigos
Já perdidos no presente
E ao futuro prometidos
Recomendam afastamento
Do bulício que incomoda
Da maldade subtil
Que tanto está na moda
Que de poemas faz ardil
Do amor a ratoeira
Sacode os panos coloridos
Que levantam a poeira
Que não deixam ver.
E eu caio na sonolência
Que empurra a inspiração
Ela repudia as contagens
Da realidade ferida
Em que apenas existe o espaço
Onde a alma se refugia,
Quando perdida
Ou então enjoada
Do aproveitamento infeliz
Da gente que se diz amada
Mas que à vista não condiz.

Dina Ventura - "Only me" - 12 de Novembro 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

POETA REFÉM


Se todos vivessem o amor
Que cantam na poesia
Não passavam por tanta dor
E tornavam a vida em magia
Sonhar e transpor para a vida
Com luz o que deseja alcançar
Reforça cada lição aprendida
Na conjugação do verbo Amar
Tal como na busca do ser
Se revela a verdade que tem
E nem tudo está no escrever
Quando a alma não contém.
E se a cor que pinta as letras
É feita de restos já gastos
Os versos não passam de tretas
Deixando o autor de rastos.
E quando se quer levantar
As dores são tantas e fortes
Que já não tem mais para dar
E encosta-se a suportes.
Embala-se no amor roubado
Que nem chega a ser seu
Porque o objecto amado
Nunca lhe pertenceu.
E assim a vida passa ao lado
De quem quer e nada tem
E tudo lhe é retirado
Ficando de si próprio refém.

Dina Ventura – “only me” – 11 de Novembro 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

QUERER SER, NÃO SENDO


Desnecessário será
Dizer
Que a conversa se dispersa.
Tal como os objectivos
Mesmo que em uníssono
São desvirtuados
Corrompidos
E encaminhados
Para veredas escuras
De almas ansiosas
Que na ânsia de chegarem
Querer os primeiros lugares
Se esquecem que o principal
É conseguir alcançar
Sem pressas, com verdade
E terem consciência
Que nunca se perde o lugar.
Se o merecem é seu
Acredito que está guardado
Mesmo quando ocupado.
E assim vira a conversa
Para o que de repente interessa
Entre o gosto de saber
E o divertir por prazer
Por mal querença
Ou por se sentirem pequenos
Não dando conta que a presença
Apenas será notada
Quando a alma for elevada.

Dina Ventura – “Only me” -10 de Novembro 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

INVEJA


Corrompe
Maltrata
Distorce
Mas atraiçoa-se.
É deformada.
Vem disfarçada.
Ora maltrapilha
Ora bem arranjada
Assim é a inveja
Que invade o coração.
Reveste-se de muito brilho
Mas transmite nas veias
O veneno com ar de perdão.
É a morte anunciada
De quem bebeu da poção
Que parecendo mágica
Transforma o falso em verdade
Mas carrega a morte trágica
Porque é triste a realidade.
Não faz parte do que é Arte
Da grande arte que é Viver
E transforma a cura em dor
Sendo maior o sofrimento
De quem pensa ser amor.
Não vendo que o brilho cega
E a alma fica perdida
Iludida, apenas carrega
Uma dor desmedida
Perdendo o belo o valor.

Dina Ventura “Only me” – 9 de Novembro 2010

CRESCI COM A POESIA

FOI UM SUCESSO.
AGRADEÇO DE ALMA AOS MUITOS AMIGOS PRESENTES E AOS QUE NÃO ESTIVERAM MAS ME ACOMPANHARAM. BEM - HAJAM.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

DIA 6 DE NOVEMBRO - CONTO CONTIGO



ÀS 17:00h NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE CASCAIS - S. DOMINGOS DE RANA
COM SURPRESAS!!!!!

EVENTO QUE SERÁ UMA FESTA!!!!

NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE CASCAIS - S. DOMINGOS DE RANA

O LIVRO "CRESCI COM A POESIA" - EDITORA CALEIDOSCÓPIO


Capa elaborada por Ana Sarmento

CONTRA CAPA - Pintura do pintor Bernardino Costa (B.C.)

CRESCI COM A POESIA

Parte da poesia que deu título ao livro

(...)
Cresci
A olhar as árvores que cresciam
Perguntando-lhes se eu seria assim
Ao que alegres me respondiam
Que sim e que temos o mesmo fim.
Cresci
Sem entender o que queriam dizer
Mas não perguntava a ninguém
O que me contavam era segredo
E as respostas eram só para mim
Cresci
Para mais tarde recordar e aprender
O que tudo de bom me ensinaram
Que sem elas não saberia descrever
Como se anda quando nos param
Elas disseram-me que as raízes
As mantinham apenas de pé
Mas que para serem felizes
Respiravam pelas folhas com fé
Que nunca deixasse de acreditar
E que elevando a alma bem alto
Eu sempre conseguiria chegar
Ao céu…apenas num salto.
E eis-me agora a agradecer
Às árvores de quem fui querida
Que para que eu pudesse crescer
Muitas delas ficaram sem vida.
Guardo essas sábias respostas
Bem dentro do meu coração
Pois fizeram-me sentir que as portas
Não se abrem apenas com a Razão.
Bem hajam árvores da minha vida
Que na alma me semearam esperança
Fizeram com que depois de crescida
Mantivesse em mim a criança.
Dos vossos frutos tirei o prazer
Que me mostram hoje a alegria
De como vos consigo agradecer
Com uma simples poesia.
Dina Ventura - 2010

LANÇAMENTO DO MEU LIVRO

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

EXPOSIÇÃO - "SIMBIOSES"

Grupo: CORES, TRAÇOS E PALAVRAS, formado com o objectivo de divulgar ARTEs - Vai apresentar-se pela primeira vez, com ARTE MISTA - da PINTURA à FOTOGRAFIA passando pelo trabalho em VIDRO, ARRAIOLOS, artesanato DIVERSO. LIVROS.
Inauguração dia 3 de Outubro, na galeria Bento Martins pelas 16 Horas - Junto ao Colégio Militar em Carnide.
APARECE E TRÁS UM AMIGO TAMBÉM...
(PARA VER EM PORMENOR CLICAR NO CONVITE ABAIXO)

EXPOSIÇÃO: SIMBIOSES

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

TRIPLICIDADES


Óleo do pintor Bernardino Costa - BC














TRIPLICIDADES
De flor passa a adaga
Destroços do que já era
Embates de velas e mastros
Acumulados no convés.
E dos traços, sulcados a cor
Nasce o engrossar do esboço
Por vezes reabre a dor
Por mais que seja o esforço.
E escondendo o traço feito
Repõe o que era passado
Carrega nas marcas da tinta
O que já era e foi renovado.
Assim de um passa a dois
De dois resta apenas um
Os dois fazem sentido
Um só não faz sentido algum.
E agora para completar
Compõe a tela primeira
Que representa a origem
Dando aso à terceira.

Dina Ventura 25 de Agosto 2010

FLOR DE LIS


Óleo do pintor Bernardino Costa (B.C.)

Entre pássaros, pétalas e penas
Canas, telhas e traços
Correm as estrelas em cantos
À espera de pequenos abraços.
E envoltos nos arremessos da vida
De amarelo e azul se compõem
No embate a que os tons obriga
Enquanto os destroços se expõem.
E assim no tom que juntos emanam
De verde quase se vestem
Mas sem se misturarem não ganham
As cores que no sonho investem.
E assim despidos da cor
Que na mistura daria
Brota o Lis em Flor
Ganhando vida e magia

Dina Ventura 25 Agosto de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

EU E ELE


As diferenças
Estão
No manejo da inteligência
De forma pouco harmoniosa
Com as tradições.
Será o acto poético uma mentira?
Será a poesia apenas
Arredores do meu íntimo?
Tenho sempre de regressar a mim
Tenho de olhar
Todas as maneiras de ser
E sentir com o que me cruzei.
Chega a altura de me fechar
Bem dentro do meu espírito
E Escutar
A minha sensibilidade
Não me deixa
Envolver por dogmas
Não me deixa aceitar sem compreender.
Para que entenda a vida e os seus enigmas
Não
A solução não está na religião.
Está no Eu.
Há no Ser e Sentir.
A religião da palavra
Proferida com Energia
Emanada da alma.
O meu laboratório
A minha alquimia profética
É a escrita.
Nela, experiencio, me ouço e me entendo.
Me Toco
E encontro Algo para além de mim.
Gostava que sentissem o que escrevo
Mas sei que não é possível
Pois tudo o que escrevo
Na minha Alma fica
E na minha carne se impressa.
Seja a dor física ou da alma
As alegrias ou tristezas
Os sofrimentos recônditos
Que não consigo passar.
Sendo dor dos meus sentidos
Refugia-se no que sinto
Enquanto que quem lê
Sente, mas o que é dele
Porque não minto
No que sinto
E faz doer.
Portanto rebusco como se pode sentir
O que não é nosso, nem foi
E do que se pode gostar
Depois de imaginar.
Olhei Pessoa e questionei-me
Se serei como diz
“Que a sinceridade emocional, falha de verdadeira sinceridade”
Talvez, pois acho que a alma dita
E não tem vida na terra
Pois pertence a outro lugar.
A minha chave está
Na minha personalidade, desde criança.
Desde a inadaptação ao presente
A “saudade de qualquer coisa”
A quem chamo quem sabe futuro
Ou no fundo a saudade de um lugar
De onde vim.
Com a saudade psíquica
Relembro
Com a saudade metafísica,
Quero acreditar
Que existe.
É um Lar.
Ou serão as minhas raízes índias
Que me tentam alertar
Ligadas a um passado longínquo
Para ouvir o chamado e acreditar.
De tal modo abstracto e vago
Que há a transferência para o futuro
Talvez a viabilização de encontrar
A forma de saltar o muro.
Será que a alma de poeta tem pátria?
Ou tem simplesmente Universo?
É presunção?
Ou constatação?
A escrita serve sempre de elemento compensador
De tudo o que falta, não existe ou não se conhece.
Luto para ser ponderada
E a alma por vezes rejeita…
Quer ser livre
Quer lançar-se no vento
Por isso nas asas do vento encontrei.
O meu destino está em mim
E na escrita me alimento.
São tempestades mentais
Bonanças reconfortantes,
Terapias empolgantes
E descansos fluviais.
Força Universal
Que envolve todos os seres
Que faz de todos poetas
Mesmo não querendo ser.
Existe algo na minha mente
Que vai regando a minha escrita
Pode ser sentimento indefinido
Para quem não acredita.
É um paraíso perdido
Perdido no antes de nascer
Um acto de ser feito
Enquanto se percorre a vida
Ou quem sabe ao morrer.
No fundo será
Nesse local distante,
Mas presente
Mesmo ausente,
Onde a inspiração brota.
É no desamor que se preenche
Pois o amor de carne é.
O que me comanda é o espírito
Por isso sinto o espírito apenas.
Fiz sempre tudo sozinha
Nunca copiei de alguém
E agora ao ler o que leio
Não consigo entender
Se o fazem porque é bem
Ou se porque nasce do ser.
E depois de parar para pensar
Foi o que ganhei por querer
Pensei sentir inveja
Por o fazerem “bem feito”
Mas afinal não era isso.
Por defeito ou qualidade
Eu preciso ser diferente
Na minha forma de ser
Gosto de ser Eu,
Sendo gente.
Sou livre ao escrever
Mesmo em verso e não verso
Consigo dizer o que sou
Não quero
Parecer-me com ninguém
Porque é de mim que dou
Mesmo que me achem não poeta
Porque sinto a alma repleta
No que é meu e não emprestado.
Não gosto de influências
Gosto de seguir em liberdade
Só tenho pena de não saber escrever
Como uma grande sumidade.
Mas não nasci para isso
Nasci para mostrar quem sou
E mesmo apoiada no que era
Até parecendo feitiço
Nunca desesperei na espera.
E quando me apaixonei
Pela alma de Pessoa
Senti que o reneguei
Pela minha escrita não ser boa.
Mas depois da paixão assumida
Interiorizei na minha alma
Que o não ser conhecida
Me trazia muito mais calma!
E mesmo com dúvidas
Planto e semeio
Na alma
As flores.
Enfrento
Com algumas dores
De peito aberto
As palavras
Sem receio.

Dina Ventura 20 de Agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

AS FORÇAS DA NATUREZA - OS MITOS NA PINTURA


óleo - Iansã - O Fogo e a Paixão - Dina Ventura
É a divindade do fogo, dos raios e da guerra
É ela quem trás as tempestades e a ventania
Para varrer a maldade humana da terra
E domina os furacões e ciclones,
Está presente nos ventos fortes,
No deslocamento de objectos sem vida.
Senhora do barro vermelho e da sua lama.
Deusa da espada de fogo,
Dona das paixões.
Convivemos com esta Força da Natureza diariamente.
É o vento, a brisa que alivia o calor,
Mas também o calor, o tremer dos ramos,
Dos cabelos, a lava vulcânica,
O fogo, o incêndio, a devastação pelas chamas.
Sente-se no poder do raio,
Na electricidade,
Está presente no simples acto
De acendermos uma vela ou uma lâmpada,
É o choque eléctrico,
A energia que gera o funcionamento do rádio,
Televisão, computador,
É a energia viva, pulsante e vibrante.
Força da provocação e do ciúme,
Mas também da paixão violenta que corrói,
Criando sentimentos de loucura,
Desejo de possuir.
A sua cor é o laranja e a cor de fogo.
Ela é o desejo incontido,
Sentimento mais forte do que a razão.
A frase “estou apaixonado” tem a sua regência,
Energia que faz os nossos corações
Baterem com mais força
E cria na nossa mente
Os sentimentos mais profundos,
Ousados e desesperados.
É o ciúme doentio, a inveja suave,
O fascínio enlouquecido, em suma é a paixão.
É a disputa pelo ser amado,
O não medo das consequências
De um acto impensado
No campo amoroso.
Ela vai até à vontade de trair,
De amar livremente,
De deixar fluir.
Rege o amor forte e violento.
Conhecida por guerreira de fogo
Gosta de participar em tudo,
É vingativa com aqueles que não a respeitam,
Porém não mede esforços
Para agradar quem a reverencia.
Foi rainha
É protectora dos bombeiros
E de todas as mulheres guerreiras.
Iansã.

Dina Ventura - in: nas asas do vento encontrei

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AS FORÇAS DA NATUREZA - OS MITOS E A PINTURA


óleo - OS CAMINHOS - Dina Ventura


OS CAMINHOS
Força da Natureza que está presente Nos momentos de impacto e fortes,
Sendo aí que o seu encantamento se faz sentir,
Bem como numa colisão
No ar, mar ou terra,
No estrondo provocado por algo pesado que cai,
Na explosão, no derramamento do ferro fundido.
No dia a dia encontramos esta energia nos estaleiros,
Oficinas, ferreiros, quartéis,
No disparo de uma arma,
No acto de se afiar uma lâmina,
Serrar, martelar um prego,
No despertar de um relógio,
No grito de raiva,
Na dor aguda da faca ou da bala que penetra a carne,
É nestes actos que o seu encantamento se faz sentir.
É assim a Energia do impacto,
Da detonação, da vida mantida acesa num ser,
Da defesa e da guerra,
Gosta de lutar e é imbatível,
Mas pode também evitar uma luta.
É também a viagem, a estadia longe,
Os veículos, a jornada, a empreitada, a luta do dia a dia.
É os caminhos-de-ferro, o som do comboio nos carris.
Considerada uma força impiedosa e cruel,
Podendo até passar essa imagem,
Mas sabe ser dócil e amável.
Foi considerado chefe
Porque foi ele que abriu caminho
Para que todas as divindades chegassem ao mundo.
É a franqueza, decisão, convicção, certeza,
O facto consumado.
É a própria energia, incontrolável, devastador,
É a vida na sua plenitude.
Está também presente nas construções,
No cimento, na muralha, é o obstáculo difícil de vencer.
Ele é aço donde são forjados os instrumentos
Como a espada, a faca, a lança
E ainda o carvão mineral docemente em estado bruto.
O acto de cortar também lhe pertence.
Assim são os caminhos e o desbravar!!

Dina Ventura - in: nas asas do vento encontrei

AS FORÇAS DA NATUREZA - OS MITOS E A PINTURA


óleo - O INICIO - Dina Ventura

Primeiro nascido da existência e como tal,
O símbolo do elemento procriado.
É o princípio de tudo,
A força da criação, o nascimento,
O equilíbrio negativo do universo,
O que no entanto não significa coisa ruim, mas sim o antídoto.
É a célula mãe da geração da vida,
O que gera o infinito infinitas vezes.
Força natural viva que fomenta o crescimento,
É o primeiro passo em tudo,
O gerador do que existe, existiu e existirá.
Está presente mais que em tudo e todos,
Na concepção global da existência.
Ele mantém o equilíbrio das trocas,
Provoca o conflito para procurar a síntese,
Tudo o que se une, se multiplica, separa e se transforma
É princípio da transformação.
Estando assim associado ao nascimento e ao futuro.

Dina Ventura - im: nas asas do vento encontrei

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A CHEGADA - III - HÁ MAIS


Pormenor da tela do pintor Bernardino Costa (B.C.)

Só pode haver.
Algo ou algos dentro de mim,
Que fazendo parte de um Todo,
São Todos também.
Tenho de os ver assim.
O tempo que demora a desbravar
É directamente proporcional
Ao que sinto desbravar em mim.
Não sei se será egoísmo,
Mas não,
Penso que é necessidade de crescer.
Como uma fonte.
Se a comparação for vaidade
Ou pretensiosismo, assumo.
A Fonte apoiada na sua nascente
Deixa que água brote, com que finalidade?
Não acredito que seja apenas por...
Há uma interligação entre essa fonte
E tudo o que ela poderá abranger,
Sendo tanto maior
Quanto maior o alimento na nascente,
Tornando-se depois numa necessidade,
Utilidade cíclica.
No final de tantas voltas
Chego à conclusão
Que tudo era muito mais simples
Do que sempre imaginei
E que só somos de Verdade quando:
Chegamos a nós e aos outros;
Que não estamos sós;
Que temos a energia suficiente e necessária
Para chegarmos à Luz.
Parece realmente fácil,
Mas para isso é sempre necessário
Percorrer um caminho.
Quem tiver a Sabedoria para o encontrar
Sem sofrimento,
Tanto melhor, se é que é possível,
Porque questionarmo-nos profundamente,
Olharmo-nos no fundo da alma
Por vezes é difícil,
Mas sem o fazermos não conseguimos chegar.
Não basta socorrermo-nos
De quem julgamos ter poderes sobrenaturais
E pós mágicos,
Pedindo-lhes que façam por nós
O trabalho doloroso
Ou nos cedam a fórmula milagrosa
Que nos permita transformar a nossa vida
Apenas com um pedido ou pagamento,
Sem que tenhamos a consciência plena
De que os obreiros edificadores somos nós
E que nem os deuses o farão,
Apenas nos poderão ajudar a ter forças
Para levar a bom termo a tarefa,
Caso vejam que o sentimento que nos impele é nobre.
Eles podem ajudar,
Mas apenas dentro de nós encontramos a poção certa,
Difícil é chegar até ela pelo caminho certo.
Mesmo às apalpadelas,
O que conta é a Vontade de Encontrar,
Tomando consciência
Que nem sempre o caminho que escolhemos é o melhor.
Chegando a essa primeira verdade,
Retomamos e chegaremos.
É a aprendizagem.

Dina Ventura in: nas asas do vento encontrei